Autor Tópico: 15ª Leitura Conjunta - Acácia: Presságios de Inverno - 2ª Fase  (Lida 3073 vezes)

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Offline Smirlah

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Confesso que já li o livro todo mas tentarei evitar falar da terceira parte neste tópico.

Esta segunda fase levou-me a chegar a uma conclusão que já era bastante óbvia. Ou melhor, deu-me o que precisava para afirmar abertamente aquilo que já há muito pensava: Este livro/série está mais bem destinado a um público mais juvenil.

Todos os momentos críticos resolvem-se com uma facilidade estonteante - isto quando só não se fala deles depois de já terem acontecido, através das recordações das personagens - não havendo uma base sólida e fundamenta de explicações verosímeis para aquilo que acontece ou para a forma como acontece. Um grande exemplo disto foi a derrota do exército acaciano por Hanish Mein no primeiro volume, o que me levou a admiti-lo claramente foi a forma como Mena tomou o navio em que se encontrava prisioneira.

Sinceramente, ela poderia ter um talento fabuloso mas vamos mesmo acreditar que conseguiu, num par de semanas, dominar a espada ao nível de conseguir derrotar exímios espadachins assim do nada? Sem sequer ofegar? Desculpem, mas isto é material de fantasias juvenis. Não quero desprezar este campo da fantasia mais juvenil, tem todo o mérito de existir e em tempos foi o meu pedaço de céu, mas simplesmente esta já não é o meu pão. Ler um livro deste género quando se pensa ser algo mais adulto e possivelmente com uma maior profundidade traz algumas decepções.

Mas falando mais da restante segunda parte do livro, posso dizer que a história melhora. Os acontecimentos foram ficando mais interessantes e apesar, de uns pontos aqui e outros ali, a narrativa ganha uma maior desenvoltura. Encontramos Corinn como a adivinhávamos na última fase, ou seja, enrolada com Hanish Mein, assistimos à reunião de três irmãos e vemos exércitos a preparem-se para um grande confronto.

Relativamente a Corinn, para já não me quero alongar pois já não sei bem até que ponto os capítulos dela foram dentro da segunda parte...

Quanto ao reencontro dos irmãos, esta foi mais uma parte em que achei que o autor não teve a capacidade de transmitir como deve ser as emoções que deveriam estar associadas ao momento. Parece um tanto para o insubstancial, apesar de haver uma clara tentativa de passar uma série de emoções.

E isto lembra-me um outro ponto, não chegamos a ver a chegada de Mena a Talay, pois não? Apenas vemos/ouvimos/lemos uma breve descrição da situação da boca de Leeka Alain ou Dariel, certo? Óptima táctica para poupar tempo e páginas mas pareceu-me uma certa tentativa de se esquivar de escrever partes mais chatas e possivelmente difíceis de escrever/justificar. Outra opção que ponho é que com isto tente criar um certo ambiente de ansiedade que nos leva a perseguir as páginas seguintes que nos leve a ler avidamente o seguinte capítulo em que as mesmas personagens são mencionadas de forma a podermos descobrir como elas ali chegaram. Se assim for, acho que o autor falha no seu objectivo. Admito que fica alguma curiosidade sobre as cenas em aberto mas o facto de a seguir tudo isso já estar resolvido estraga o gozo de viver com as personagens as suas aventuras e desventuras.

Que mais vocês têm a dizer sobre esta fase?

Offline p7

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Re: 15ª Leitura Conjunta - Acácia: Presságios de Inverno - 2ª Fase
« Responder #1 em: Agosto 08, 2012, 00:01:30 am »
A primeira coisa que tenho a dizer sobre esta fase é que quase lancei o livro contra qualquer coisa logo no primeiro capítulo da fase. Ainda não desvendámos que diabos são os Lothan Aklun, e na conversa entre o Hanish e o Sire Dagon o autor dá-nos a entender que por trás dos mesmos há uns tais Auldek? *explode de frustração* Que sentido é que faz, revelar isto neste ponto da história? Não estamos mais perto de saber o que são os Lothan, porque é que ele está a inventar um big bad ainda maior que eles?? Parece uma teoria da conspiração dentro de uma teoria da conspiração dentro de uma teoria da conspiração. A única coisa interessante do capítulo é que parece haver uma espécie de colaboração entre os dois intervenientes, mas tão perto do final, que importância é que isso vai ter?

Concordo contigo, Smirlah, sinto que o autor evita descrever certas coisas porque são mais trabalhosas. Mas por assim o serem, tornariam a história mais rica e interessante. Porque é que não vimos mais os Akaran juntos, agora que se reuniram na vida adulta? Porque é foi tão fácil virar a Corinn contra o Hanish? Porque é que o autor forja agora uma espécie de ligação entre a Mena e o Melio, que não soube expôr enquanto eles estavam juntos? Porque é que o autor anda a engonhar com o sacrifício aos Tunishnevre, sem explicar claramente o que é que é preciso? Porquê? Porquê? Porquê?

Dou por mim agora a pensar nesta fase e a ficar muito mais irritada do que fiquei ao lê-la. É que começo a pensar no que já li até agora, e no pouco que falta, e dou por mim insatisfeita e frustrada. O autor precisava de trabalhar mais as suas capacidades de planear o enredo, de modo a não criar situações que resolvem tudo de maneira demasiado "conveniente", ou de modo a que não se esquive a descrever e explorar certos momentos. E precisava de trabalhar o modo como os personagens se envolvem uns com os outros, porque algumas coisas soam-me a forçado.

O que é que tenho a comentar em específico desta fase? Bem, aquelas perguntas que fiz ali acima descrevem o que pensei de alguns acontecimentos. Apesar de ter as minhas dúvidas sobre o carácter dela, não consigo acreditar que a Corinn seja tão volátil, ou que nem sequer tenhamos visto o Aliver, o Dariel e a Mena a conversar, a interagir como adultos. Seria uma óptima oportunidade para os caracterizar.

Quanto à tua dúvida sobre a Corinn, Smirlah, na última vez que a vimos ela estava a aliciar o Rialus com uma aliança ou algo do género. Creio que a fase seguinte ia começar com um capítulo dela.

Offline Smirlah

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Re: 15ª Leitura Conjunta - Acácia: Presságios de Inverno - 2ª Fase
« Responder #2 em: Agosto 08, 2012, 13:00:20 pm »
A primeira coisa que tenho a dizer sobre esta fase é que quase lancei o livro contra qualquer coisa logo no primeiro capítulo da fase. Ainda não desvendámos que diabos são os Lothan Aklun, e na conversa entre o Hanish e o Sire Dagon o autor dá-nos a entender que por trás dos mesmos há uns tais Auldek? *explode de frustração* Que sentido é que faz, revelar isto neste ponto da história? Não estamos mais perto de saber o que são os Lothan, porque é que ele está a inventar um big bad ainda maior que eles?? Parece uma teoria da conspiração dentro de uma teoria da conspiração dentro de uma teoria da conspiração. A única coisa interessante do capítulo é que parece haver uma espécie de colaboração entre os dois intervenientes, mas tão perto do final, que importância é que isso vai ter?

Ora aí está um ponto interessante mas a que não dei grande importância. Os mistério em que o autor envolve os Lothan Aklun chega a um ponto em que é um bocado mais para o irritante do que para o misterioso. Quando dei de caras com essa informação pensei "finalmente qualquer coisa sobre os gajos" mas realmente, o que o autor está a fazer é apenas a densificar o dito mistério. Também acho engraçado como num momento as personagens não sabem nada sobre nada de determinado assunto e no seguinte já sabem isto ou aquilo. Isto passa-se com Corinn, Hanish e Alivier, especialmente no que toca aos Lothan Aklun. Mais uma vez o autor a esquivar-se em explicar coisas mais chatas de o fazer.

Quanto à tua dúvida sobre a Corinn, Smirlah, na última vez que a vimos ela estava a aliciar o Rialus com uma aliança ou algo do género. Creio que a fase seguinte ia começar com um capítulo dela.

Thanks, já estou situada. :)

O que é que tenho a comentar em específico desta fase? Bem, aquelas perguntas que fiz ali acima descrevem o que pensei de alguns acontecimentos. Apesar de ter as minhas dúvidas sobre o carácter dela, não consigo acreditar que a Corinn seja tão volátil, ou que nem sequer tenhamos visto o Aliver, o Dariel e a Mena a conversar, a interagir como adultos. Seria uma óptima oportunidade para os caracterizar.

Também achei essa mudança da Corinn assim um tanto para o repentina. E novamente o autor não parece conseguir descrever a profundida das emoções das personagens. Afinal, deveremos supor que ela se sentiria extremamente magoada, traída e revoltada consigo própria por se ter deixado cair nos charmes de Hanish, certo? Acho que aquilo que o autor passa é apenas um ponto superficial de tudo isso.

Por outro lado, até gostei da mudança. Finalmente deixámos de ter uma Sansa e temos alguém com um carácter e determinação mais próprios. Pensando bem, até tenho gostado daquilo em que o autor transforma as personagens, no entanto, essas mudanças são de tal forma abruptas (e pergunto-me se não um tanto para o clichés de vez em quando) que lhes tiram credibilidade. Uma das coisas que me leva a afirmar que este livro/série é mais virado para um público juvenil é isto.

Offline Joana

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Re: 15ª Leitura Conjunta - Acácia: Presságios de Inverno - 2ª Fase
« Responder #3 em: Agosto 08, 2012, 22:04:12 pm »
Só consegui terminar hoje esta fase  :-[ e vou de férias na sexta, por isso na próxima fase também vou estar atrasada...

Bem, lendo os vossos comentários fico mais descansada, achava que era eu que estava a implicar demais com o autor e a colocar-lhe defeitos.
O reencontro dos três irmãos foi muito mau, não senti qualquer emoção. Afinal, estiveram 9 anos separados, cresceram longe uns dos outros, haveria muito para partilhar.

A Mena em derrotar aqueles soldados todos com tanta experiência foi algo demasiado "fácil" e depois o aparecimento dela foi muito rápido.

Os capítulos sobre Corinn até achei dos mais interessantes, apesar de faltar ali qualquer coisa.

Agora aquele inicio da guerra, para mim foi muito repentino, muito forçado, não sei. Toda esta fase foi muito estranha para mim, não foi uma leitura fluída.