Autor Tópico: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase  (Lida 3589 vezes)

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Offline Dp_soares

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Olá, ainda acabei de ler esta fase vou na página 60, mas abro já o tópico porque fiquei muito intrigado com o prelúdio.
Não sei se foi por estar a ler uma história completamente nova, pois recentemente tenho lido sequelas, se foi por estar a ler no comboio logo de manhã. O que sei é que li as primeiras 2 páginas e vi a minha vida a andar para trás "acho que não devia ter comprado este livro". Pela seguinta razão, o prelúdio faz todo o sentido e há uma grande ligação com a história (como é obvio :) , no entanto a maneira como está escrito difere um pouco dos primeiros captulos. Li magistrado não sei quantas vezes e isso irritou-me prefundamente.  A maneira como se refere aos personagens dizendo sempre o seu nome... Eu não gostei e fiquei cm medo que o resto do livro fosse assim. Fica aqui a minha critica muito pouco construtiva, mas que tinha que dizer pois gostaria de ler o que o próprio autor tem a dizer. Desde já obrigado ao Sr Bruno Martins Soares, pois é um privilégio para nós podermos discutir a sua própria obra com o próprio.
Voltando à história...
Quando comecei a ler os capitulos fiquei penetrado na história, adorei a ideia de que existem sistemas solares com o mesmo padrão de que o nosso. A maneira como estão construidos os capitulos, tendo os flashbacks  também está muito bem conseguido. lol eu estou a gostar muito do livro, os enredos estão a começar a desenrolar-se girando  à volta da profecia, o grupo assassino, a guerra, a integração de Alex no novo mundo, como se vai adaptar, pois parece ser muito menos avançado tecnologicamente, tem tudo para ficar na lista de melhores livros de fantasia que já li. 
Se o livro continuar assim posso concordar que está aqui "O George R.R. Martin português"  8)

Espero que ninguém se sinta ofendido com a minha pequena birra.
Fico à espera dos vossos comentários
cumps

Offline Martin Braun

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Re: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase
« Responder #1 em: Setembro 18, 2012, 23:09:10 pm »
É uma crítica curiosa, Dp_. Não fiquei nada ofendido! É possível, sim, que o prelúdio seja uma das partes menos conseguidas, não sei porquê... Tentei colocá-lo de forma intrigante, que deixe perguntas no ar. Diz-me depois de leres os outros dois prelúdios dos outros volumes se sentiste o mesmo outra vez, está bem?

Pode também ter acontecido o seguinte: no meu processo de escrita, costumo escrever as primeiras páginas dos escritos e depois interromper durante meses, às vezes, até voltar à narrativa e escrever o resto de forma mais resolvida. Julgo que a parte da chegada da Alex a Brodom no prelúdio foi escrita muito antes do resto.

Por outro lado, a parte do magistrado que chega numa nave foi uma das inovações do omnibus da saga, não aparecendo na primeira edição do volume. É uma parte que só se deverá entender mesmo no fim, parece-me. Ou seja, o prelúdio tem um intervalo de tempo de escrita que é maior que qualquer outra parte do livro e isso pode ter tornado ligeiramente estranha a sensação.

Por outro lado, não dei nome ao magistrado pois ele não voltará a surgir e por uma questão de gestão de atenção do leitor e de gestão das centenas de personagens, decidi não dar nomes a certas  personagens menos importantes, para não complicar ainda mais.

Enfim, pode ser que isto ajude a compreender a estranheza!

No entanto, fico muito contente pela reação positiva às primeiras 60 páginas! É uma carícia à alma :-)
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Offline Dp_soares

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Re: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase
« Responder #2 em: Setembro 18, 2012, 23:22:36 pm »
Obrigado pela resposta :D

Hoje li até à página 100 e continuo a adorar. Um prelúdio muito curioso e cheio de mistério.

Estou a gostar muito da "velocidade" da história, rápida e eficaz lol Consegue manter-me sempre com vontade de ler mais. Não temos tanta informação sobre as personagens como em outros livros de fantasia, mas para mim não faz muita falta.

Assim que possível continuarei a ler as aventuras de Alex. Têm sido umas horas bem passadas nos transportes públicos :)

Offline p7

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Re: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase
« Responder #3 em: Setembro 28, 2012, 01:24:37 am »
Tencionava comentar a primeira fase mais cedo, mas os vossos comentários sobre o magistrado deixaram-me curiosa - estou a seguir o primeiro livro, e esse não tem as alterações do omnibus. Ainda tentei espreitar o livro numa Fnac, para ver as diferenças com a minha edição, mas nada feito, não tinham o livro. ???

De destacar nesta fase, é o facto de a história juntar um cenário mais futurista com um mais medieval. Gosto disso. De tentar perceber o que liga os dois mundos e como a Alex deu por ela no planeta que contém Brodom. Há algum foreshadowing, mas ainda não me arrisco a formar teorias.

Coisas que me deixaram curiosa... o papel da Alex neste novo mundo. A turbulência iminente em Brodom, seita do Mar dos Pássaros e os tshiu incluídos. Como é que os eventos no mundo futurista afectarão o mundo medieval. O que andavam os Bach a preparar e o que sabiam. Se mais alguém do mundo futurista vai parar ao medieval.

Offline Martin Braun

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Re: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase
« Responder #4 em: Setembro 30, 2012, 23:31:35 pm »
Tencionava comentar a primeira fase mais cedo, mas os vossos comentários sobre o magistrado deixaram-me curiosa - estou a seguir o primeiro livro, e esse não tem as alterações do omnibus. Ainda tentei espreitar o livro numa Fnac, para ver as diferenças com a minha edição, mas nada feito, não tinham o livro. ???

De destacar nesta fase, é o facto de a história juntar um cenário mais futurista com um mais medieval. Gosto disso. De tentar perceber o que liga os dois mundos e como a Alex deu por ela no planeta que contém Brodom. Há algum foreshadowing, mas ainda não me arrisco a formar teorias.

Coisas que me deixaram curiosa... o papel da Alex neste novo mundo. A turbulência iminente em Brodom, seita do Mar dos Pássaros e os tshiu incluídos. Como é que os eventos no mundo futurista afectarão o mundo medieval. O que andavam os Bach a preparar e o que sabiam. Se mais alguém do mundo futurista vai parar ao medieval.

De facto, no volume original da «Guardiã da Espada», o início do prelúdio da Saga é diferente. Vou deixar aqui os primeiros parágrafos do texto, para poderes acompanhar:

«
O magistrado saiu da nave pelo seu próprio pé. Detestava as imponentes e coloridas cadeiras flutuantes. Um criado, que geria o carrinho carregado com uma mala redonda e outra cúbica, seguiu-o a passos lentos pela rampa de desembarque.
O magistrado olhou em volta. Aquela hora, ao cair da tarde, era uma das poucas horas do dia em que o ar do deserto era suportável. O capitão do Exército Especial Fronteiriço aproximou-se e fez uma vénia.
- Saudações.
- Saudações – suspirou o magistrado. – O teu testemunho, por favor.
O capitão apontou para um pobre caçador algemado que esperava de joelhos entre dois guardas.
- O homem viu a criatura. Voou para a gruta e aterrou no poço de água.
- Uma criatura da água, então.
- Assim parece, meritíssimo.
O magistrado fez um sinal ao criado, que retirou a mala cúbica do carrinho, deixando apenas a redonda.
- O homem foi o único que o viu?
O capitão assentiu.
- Sim, senhor.
- Muito bem – fungou o magistrado. – Trata dele, por favor.
O capitão assentiu de novo e dirigiu-se para o prisioneiro e o magistrado virou-se para o criado. Mas, então, hesitou, e voltou-se de novo para o capitão.
- Capitão – chamou. O oficial voltou-se também, encarando-o.
- Quando eu digo «trata dele» - explicou o magistrado. – Não é para o matares. Levamo-lo na nave, damos-lhe dinheiro e deixamo-lo noutro planeta.
Os olhos do capitão mostraram a desilusão.
- Ah, sim? Tem a certeza? Está bem, então.
A face do magistrado endureceu.
- «Está bem», o quê?
O capitão desfez-se numa vénia assustada.
- Está bem, meritíssimo. Perdão, meritíssimo.
O capitão afastou-se e o magistrado olhou para o aglomerado de rochas que era a única estrutura no meio das areias do deserto. A enorme abertura da gruta estava a ficar cada vez mais escura à medida que o dia esmorecia. O magistrado ergueu a mão em direção ao criado e disse:
- Dá-mo.
O criado inclinou-se, beijou-lhe os dedos, num pedido de autorização para lhe tocar, e depois retirou um ponto negro das costas da sua mão e colou-o às costas da mão do magistrado. O magistrado fez um gesto com os dedos e o carrinho com a mala redonda avançou uns metros. Por fim, o magistrado dirigiu-se para a gruta.
- Senhor – disse o capitão, avançando para ele. – Ireis entrar desarmado? É melhor que vos acompanhem alguns homens.
O magistrado fez uma careta de desprezo.
- É um guerreiro do Povo da Água, e, pela descrição, ferido. Se entrássemos ali armados morreríamos todos imediatamente. Deixem-se ficar aí. Eu já volto.
O magistrado avançou, com o carrinho a flutuar a seu lado.
Tinham-lhe dito que estivesse aberto aos seus sentimentos, que estes seriam o primeiro meio de comunicação, mas o magistrado não tinha percebido o que queriam dizer com aquilo. Só quando entrou na gruta escura e seguiu a luz intensa que vinha do fundo, é que as instruções fizeram sentido. Começou a sentir-se ansioso, estranhamente ansioso, e depois sentiu uma sensação de angústia a emergir. E dor. Não uma dor física, mas como se estivesse a olhar para alguém que estivesse a sofrer muito. E então, quando ultrapassou a curva da caverna e viu o ser estranho e a luz estranha na água, aquele sofrimento ficou tão forte que quase lhe levou lágrimas aos olhos.
Rapidamente, temendo que aqueles sentimentos tão intensos o vergassem, o magistrado abriu a mala redonda sem a tirar do carrinho. Dentro da mala estavam várias esferas de gelo do tamanho de punhos. E no instante seguinte essas esferas estavam a voar e a serem sugadas exasperadamente pelas águas do poço, e pela criatura, até que toda ela e toda a luz estranha pareciam ter entrado dentro das esferas de gelo que flutuavam nas águas, e no momento seguinte as esferas voltaram a voar para dentro da mala.
O magistrado fechou imediatamente a mala e a caverna ficou às escuras. O magistrado foi absorvido por um enorme sentimento de alívio. E então ouviu a voz. Dentro da sua mente.
«Leva-me ao teu líder.»
»

 :)

São exelentes apreciações e sensasões sobre o primeiro volume, o que estás a descrever. Ótimo! São exatamente o tipo de questões que eu queria despertar no início do texto  ;)

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Re: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase
« Responder #5 em: Outubro 02, 2012, 22:42:51 pm »
De facto, no volume original da «Guardiã da Espada», o início do prelúdio da Saga é diferente. Vou deixar aqui os primeiros parágrafos do texto, para poderes acompanhar:
(...)
Ena, obrigada! Devo dizer que fiquei intrigada, especialmente tendo em conta que só deve fazer sentido no fim. E gosto do sentido de humor da passagem, visível aqui:

Citar
- Muito bem – fungou o magistrado. – Trata dele, por favor.
O capitão assentiu de novo e dirigiu-se para o prisioneiro e o magistrado virou-se para o criado. Mas, então, hesitou, e voltou-se de novo para o capitão.
- Capitão – chamou. O oficial voltou-se também, encarando-o.
- Quando eu digo «trata dele» - explicou o magistrado. – Não é para o matares. Levamo-lo na nave, damos-lhe dinheiro e deixamo-lo noutro planeta.
Os olhos do capitão mostraram a desilusão.
- Ah, sim? Tem a certeza? Está bem, então.
A face do magistrado endureceu.
- «Está bem», o quê?
O capitão desfez-se numa vénia assustada.
- Está bem, meritíssimo. Perdão, meritíssimo.

Fiquei a rir-me com as diferentes definições de "trata dele" do magistrado e do capitão, e com a desilusão do capitão. ;D

Offline Martin Braun

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Re: 16ª Leitura Conjunta - A Saga de Alex 9 de Bruno Martins Soares - 1ª fase
« Responder #6 em: Outubro 02, 2012, 23:03:15 pm »
De facto, no volume original da «Guardiã da Espada», o início do prelúdio da Saga é diferente. Vou deixar aqui os primeiros parágrafos do texto, para poderes acompanhar:
(...)
Ena, obrigada! Devo dizer que fiquei intrigada, especialmente tendo em conta que só deve fazer sentido no fim. E gosto do sentido de humor da passagem, visível aqui:

Citar
- Muito bem – fungou o magistrado. – Trata dele, por favor.
O capitão assentiu de novo e dirigiu-se para o prisioneiro e o magistrado virou-se para o criado. Mas, então, hesitou, e voltou-se de novo para o capitão.
- Capitão – chamou. O oficial voltou-se também, encarando-o.
- Quando eu digo «trata dele» - explicou o magistrado. – Não é para o matares. Levamo-lo na nave, damos-lhe dinheiro e deixamo-lo noutro planeta.
Os olhos do capitão mostraram a desilusão.
- Ah, sim? Tem a certeza? Está bem, então.
A face do magistrado endureceu.
- «Está bem», o quê?
O capitão desfez-se numa vénia assustada.
- Está bem, meritíssimo. Perdão, meritíssimo.

Fiquei a rir-me com as diferentes definições de "trata dele" do magistrado e do capitão, e com a desilusão do capitão. ;D

 :D :D :D
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