Autor Tópico: Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor  (Lida 69179 vezes)

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Offline Ravhin

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #30 em: Junho 30, 2008, 11:19:18 am »
Citação de: "FranciscoNorega"
Citação de: "Ravhin"
Olhem o caso da Irlanda que foi a referendo e chumbou o tratado de Lisboa. Sabem o que é que as pessoas que votaram disseram na sua maioria ? Que não sabiam no que estavam a votar ! Não sabiam, não tentaram saber e foram atrás da propaganda dos defensores do não (naturalmente a oposição política ao governo).

Onde é que ouviste isso? É que um irlandês disse-me que foram distribuidos porta à porta cadernos a explicar no que consistia o Tratado...


Houve uma reportagem sobre o assunto, mas agora não me lembro se foi na reuters ou noutro site do género, vou ver se encontro.

edit: hmm não encontro, vai na volta foi nalgum sitio menos credível e fiquei com a ideia (e a verdade é que quem tenha olhado para o texto do tratado, aquilo é praticamente incompreensível pelo que mesmo com cadernos distribuidos porta a porta se o texto não foi revisto e simplificado quase ninguém compreende o que lá está escrito) . De qualquer forma pode-se facilmente substituir esse exemplo com quase qualquer manifestação sindicalista. Infelizmente exemplos não faltam.

Offline slayra

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #31 em: Junho 30, 2008, 12:27:12 pm »
Ravhin, tens uma certa razão em relação à desinformação. Mas neste caso eu informei-me, pelo menos minimamente e retirei ideias e informação dos dois lados, para me poder pronunciar. Não digo que seja pro na matéria, mas também não sou ignorante. E se houvesse um referendo nem pensar que iria votar sem me informar primeiro! Seria inconcebível!

E não acho que o Governo possa fazer tudo o que lhe der na telha (ou certamente já estariamos numa ditadura, novamente). Existem mecanismos que previnem isso. O referendo é apenas um deles, tens também a oposição, o presidente (que pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições) e a opinião pública. Se o país em peso fizer pressão sobre os mecanismos políticos eles têm que ceder em algumas coisas! Olha, por exemplo, a greve dos camionistas.
O problema é que os portugueses são demasiado conformistas. E indiferentes. Não querem saber de nada e é por isso que os políticos fazem o que querem e passam as leis que querem.  :? Na minha humilde opinião.

Offline Ravhin

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #32 em: Junho 30, 2008, 14:58:55 pm »
Citação de: "slayra"
Ravhin, tens uma certa razão em relação à desinformação. Mas neste caso eu informei-me, pelo menos minimamente e retirei ideias e informação dos dois lados, para me poder pronunciar. Não digo que seja pro na matéria, mas também não sou ignorante. E se houvesse um referendo nem pensar que iria votar sem me informar primeiro! Seria inconcebível!

E não acho que o Governo possa fazer tudo o que lhe der na telha (ou certamente já estariamos numa ditadura, novamente). Existem mecanismos que previnem isso. O referendo é apenas um deles, tens também a oposição, o presidente (que pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições) e a opinião pública. Se o país em peso fizer pressão sobre os mecanismos políticos eles têm que ceder em algumas coisas! Olha, por exemplo, a greve dos camionistas.
O problema é que os portugueses são demasiado conformistas. E indiferentes. Não querem saber de nada e é por isso que os políticos fazem o que querem e passam as leis que querem.  :? Na minha humilde opinião.


Eu não quis dizer que estivesses informada ou não, não faço ideia e se dizes que sim quem sou eu para duvidar, apenas quis dizer que no geral é o que acontece. Aproveito inclusive para agradecer ao Francisco Norega os esclarecimentos que ele aqui deixou. Pessoalmente não procurei ler o texto do acordo, porque tanto quanto sei a gramática mantem-se igual e para corrigir a grafia já dependo de correctores ortográficos e assim continuará a ser ;) .

De facto o governo não pode fazer tudo o que lhe dá na telha, mas os principais instrumentos que existem para regular isso são o presidente da republica, o tribunal constitucional e a assembleia da república. Infelizmente o que se passa nesta última é uma tremenda palhaçada, já que a oposição em vez de regular a acção do governo, contraria tudo, mesmo medidas que poderam ser positivas para o país. (bom suponho que pelo sentido literal de "oposição" a maior parte das pessoas veja isto como natural, mas eu acho contra producente na forma como é feita). Isto cria os tais ciclos viciosos de desinformação, já que tanto o governo como oposição apenas revelam/manipulam os factos e números que lhes convem, em nada beneficiando a democracia.

Depois claro podes fazer pressão por manifestações, mas estas são muitas vezes de manipulação de factos por parte dos sindicalistas e partidos da oposição, ou então por parte dos patrões, muitas vezes não defendendo o interesse do país mas sim de alguns cidadãos. E o caso dos camionistas é um péssimo exemplo. O que se passou ali não foi democracia. Obrigar cidadãos a parar e fazer greve sob ameaça ? Aquilo foi das maiores vergonhas que já assisti e revolta-me a impunidade com que esses senhores sairam.

Offline FranciscoNorega

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #33 em: Junho 30, 2008, 16:46:36 pm »
Citação de: "Ravhin"
edit: hmm não encontro, vai na volta foi nalgum sitio menos credível e fiquei com a ideia (e a verdade é que quem tenha olhado para o texto do tratado, aquilo é praticamente incompreensível pelo que mesmo com cadernos distribuidos porta a porta se o texto não foi revisto e simplificado quase ninguém compreende o que lá está escrito) . De qualquer forma pode-se facilmente substituir esse exemplo com quase qualquer manifestação sindicalista. Infelizmente exemplos não faltam.

O caderno seria simplificado, segundo o que o "irlandês" me disse. A explicar os pontos principais do Tratado, de forma clara. Umas 10/20 páginas, presumo, e nunca as 287 do Tratado. Era pura loucura  :lol:
E não tens nada que agradecer, rahvin  :wink:

Anyway, slayra, o referendo não previne nada. Eles só o fazem se quiserem. A Irlanda é obrigada a isso, se não não fazia, podes ter a certeza.

--EDIT--

Encontrei o tal texto do português que vive em Kilkenny, Irlanda. Aqui vai:
"Quero só esclarecer estes senhores que dizem que o povo é estupido e nao tem condições para votar estas coisas, que na Irlanda se fez (como sempre se faz) uma campanha pedagógica sobre o tratado. Foram distribuidos porta-a-porta cadernos que explicam bem os pontos mais importantes do dito tratado. Em Portugal isso fez-se? Pois...se calhar nao valeria a pena pois seria confundido co mais um panfleto de qualquer hipermercado! Além do mais, a grande maioria dos portugueses é cada vez mais iletrada e nem compreenderia o que la vinha escrito. Valha-nos Deus...se ainda for a tempo."

Offline Cerridwen

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #34 em: Junho 30, 2008, 19:02:40 pm »
Antes de mais, sou contra o actual acordo ortográfico.

Pelo que li até agora, tanto os textos com a explicação das alterações como os artigos de opinião levaram-me a considerar que este acordo ortográfico precisa de ser revisto.

As variantes ortográficas que passam a ser permitidas, dando lugar à possibilidade de uso de várias variantes ortográficas dentro de qualquer espaço dos países que decidirem pela aplicação do acordo. A falta de respeito pela etimologia e pela própria fonética de cada país. A supressão de alguma acentuação necessária à fácil compreensão do sentido.

Ainda a discordância com o Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que define a entrada em vigor do Acordo com o depósito dos instrumentos de ratificação por apenas três países signatários. A falta de preocupação com o estudo da evolução da Língua Portuguesa nos diversos países onde é língua oficial, antes de se passar à legislação.

E ainda o aspecto de não terem sido ouvidas diversas entidades, incluindo linguistas, antes de ter sido votado no Parlamento o acordo ortográfico. Bem como o aspecto de o acordo ortográfico não ter manifesta utilidade para a Língua nem o país considerado (Portugal). São alguns dos motivos da minha discordância.


Citação de: "Ravhin"

Sob o direito constitucional democrático pelo que o nosso país se rege eles têm todo o direito de fazer o que fizeram ! Não há nada que obrigue governo algum a lançar um referendo para o que quer que seja e quando o fazem é apenas por haver demasiada pressão política para tal ou simplesmente por motivos de propaganda.

Se não podemos fazer nada ? Claro que podemos, podemos não votar neles nas próximas eleições, é essa a regra fundamental da nossa democracia.

Eu não sei qual é o objectivo deste acordo, mas seja qual for, nesta e muitas outras situações o que se vê é desinformação e pessoas que também não se informam mas acreditam no que os defensores de um qualquer lado dizem, como sendo verdade ( e 99.9999% das vezes não é bem assim).  

O sufrágio não é a única forma prevista na CRP para o exercício da soberania. Deixo outros dois exemplos.

Primeiro exemplo: no art.º 52.º da CRP estão previstos os direitos de petição e de acção popular.

Citar
1. Todos os cidadãos têm o direito de apresentar, individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania, aos órgãos de governo próprio das regiões autónomas ou a quaisquer autoridades petições, representações, reclamações ou queixas para defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral e, bem assim, o direito de serem informados, em prazo razoável, sobre o resultado da respectiva apreciação.

2. A lei fixa as condições em que as petições apresentadas colectivamente à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autónomas são apreciadas em reunião plenária.

3. É conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, o direito de acção popular nos casos e termos previstos na lei, incluindo o direito de requerer para o lesado ou lesados a correspondente indemnização, nomeadamente para:

a) Promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infracções contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida e a preservação do ambiente e do património cultural;


Segundo exemplo: Referendo. Previsto no art.º 115 da CRP.

Citar
2. O referendo pode ainda resultar da iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República, que será apresentada e apreciada nos termos e nos prazos fixados por lei.

3. O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional que devam ser decididas pela Assembleia da República ou pelo Governo através da aprovação de convenção internacional ou de acto legislativo.


Aliás o direito de petição foi posto em prática nesta questão do Acordo Ortográfico por vários conjuntos de pessoas que elaboraram petições. Uma dessas petições (intitulada "Em Defesa da Língua Portuguesa / Contra o Acordo Ortográfico") já vai com mais de 77.000 assinaturas.

Segundo informação difundida pelos signatários, a petição referida aguarda na Assembleia da República apreciação pelo Plenário, nos termos da lei, tendo a sua publicação em Diário da República sido já requerida pelo 1.º signatário (Vasco Graça Moura).

Offline slayra

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #35 em: Junho 30, 2008, 19:16:59 pm »
Citação de: "Ravhin"
De facto o governo não pode fazer tudo o que lhe dá na telha, mas os principais instrumentos que existem para regular isso são o presidente da republica, o tribunal constitucional e a assembleia da república. Infelizmente o que se passa nesta última é uma tremenda palhaçada, já que a oposição em vez de regular a acção do governo, contraria tudo, mesmo medidas que poderam ser positivas para o país. (bom suponho que pelo sentido literal de "oposição" a maior parte das pessoas veja isto como natural, mas eu acho contra producente na forma como é feita). Isto cria os tais ciclos viciosos de desinformação, já que tanto o governo como oposição apenas revelam/manipulam os factos e números que lhes convem, em nada beneficiando a democracia.

Depois claro podes fazer pressão por manifestações, mas estas são muitas vezes de manipulação de factos por parte dos sindicalistas e partidos da oposição, ou então por parte dos patrões, muitas vezes não defendendo o interesse do país mas sim de alguns cidadãos. E o caso dos camionistas é um péssimo exemplo. O que se passou ali não foi democracia. Obrigar cidadãos a parar e fazer greve sob ameaça ? Aquilo foi das maiores vergonhas que já assisti e revolta-me a impunidade com que esses senhores sairam.


Tens muita razão, sim senhor. Em todos os pontos. A oposição gosta de... bem, opôr-se a tudo, mas a verdade é que muitas da últimas medidas deste governo têm sido... um bocado idiotas, vá lá.

Também concordo contigo na questão das manifestações, especialmente a dos camionistas. Eu também ouvi que muitos foram obrigados e fiquei "wow, como este mundo anda!", mas o que queria expôr era que no fim, a greve teve alguns dos resultados pretendidos independentemente da tristeza que foi isso das ameaças, etc.


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Anyway, slayra, o referendo não previne nada. Eles só o fazem se quiserem. A Irlanda é obrigada a isso, se não não fazia, podes ter a certeza.

Os referendos devem ser feitos em qualquer circunstância em que a lei proposta vá mudar radicalmente um determinado ponto da Constituição... basicamente em assuntos como o aborto e sinceramente creio que o deviam ter feito com o Acordo Ortográfico.
E sim, previne porque quando se realiza um referendo, o Governo tem, geralmente, que acatar a decisão do povo. Acho que o referendo é um mecanismo muitissimo importante no processo democrático... devia ser mais utilizado, mas claro que o Governo não quer que nos manifestemos muito... e a maioria das pessoas ou não quer saber ou não tem informação suficiente para exigir que se realizem referendos. Se o povo e a oposição fizessem mais pressão, as pessoas teriam uma posição mais activa na política e quem sabe algumas más decisões podiam ter sido evitadas.  :P

Offline Skilgannon

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #36 em: Junho 30, 2008, 22:47:58 pm »
Citação de: "FranciscoNorega"
Viva!

Citação de: "Skilgannon"
Eu tenho uma razão muito simples para ser contra este acordo:
 - Para quê harmonizar a forma ortográfica das palavras se muitas vezes são usadas com significados diferentes nos diferentes países?
Em Portugal existem duas palavras Facto e Fato, que significam duas coisas diferentes. Após o acordo vão ser a mesma palavra Fato, e vamos ter de perceber o que quer dizer pelo contexto.
Isto é lixo político!

Isso é um mito urbano em relação ao Acordo. Na palavra "facto", em português de portugal (pelo menos na pronúncia erudita), lê-se o "c", portanto em Portugal continuar-se-á a escrever com c, mesmo com o Acordo, e no Brasil sem "c", porque eles não o lêem (sim, é verdade, neste caso são aceites as duas ortografias pelo Acordo - a comunicação social é que anda muito mal informada, baseando-se em boatos).
Agora em "baptismo", com o Acordo, deixava-se de escrever o "p", porque não se lê nem em português de Potugal nem do Brasil (em que já se escreve sem "p").


Obrigado pelo esclarecimento Francisco.
Cada vez mais, quem devia informar, desinforma!
Pelo trecho que incluiste, parece-me é que não muda assim tanto, e que vai ser um gasto em dinheiro para re-imprimir livros e alterar textos, novos dicionário etc. por causa de umas dezenas de palavras.

No fundo, este acordo é a forma encontrada para justificar a existência da CPLP, e os milhões que todos os anos saem dos nossos bolsos para a sustentar ... enfim.

Cumprimentos
- Aquele é Skilgannon, o Maldito. Não queiras ter nada a ver com ele.
<texto removido por causa do excesso de sangue>
- Acabaste de o ver matar cinco homens. Ele é impiedoso e mortífero. Lucresis.
- Talvez, mas tem uns lindos olhos.

Offline FranciscoNorega

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« Responder #37 em: Junho 30, 2008, 23:35:45 pm »
Citação de: "slayra"
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Anyway, slayra, o referendo não previne nada. Eles só o fazem se quiserem. A Irlanda é obrigada a isso, se não não fazia, podes ter a certeza.

Os referendos devem ser feitos em qualquer circunstância em que a lei proposta vá mudar radicalmente um determinado ponto da Constituição... basicamente em assuntos como o aborto e sinceramente creio que o deviam ter feito com o Acordo Ortográfico.
E sim, previne porque quando se realiza um referendo, o Governo tem, geralmente, que acatar a decisão do povo. Acho que o referendo é um mecanismo muitissimo importante no processo democrático... devia ser mais utilizado, mas claro que o Governo não quer que nos manifestemos muito... e a maioria das pessoas ou não quer saber ou não tem informação suficiente para exigir que se realizem referendos. Se o povo e a oposição fizessem mais pressão, as pessoas teriam uma posição mais activa na política e quem sabe algumas más decisões podiam ter sido evitadas.  :P

Ermmm... O PS tem maioria absoluta. E acho que isso diz tudo.
Eles não precisavam sequer de ter feito o referendo do aborto... Se votassem na Assembleia, mesmo que toda a oposição votasse contra, eles ganhavam. Foi só uma forma de pôr a jogar a opinião pública um pouco a seu favor.
Mas se formos a ver, quantos referendos se realizaram desde o 25 de Abril? Não faço ideia, mas nos últimos 20 anos só tenho conhecimento de dois, tendo um deles sido o último do aborto.

Se isto funcionasse bem, que não funciona, os referendos não eram precisos, porque os deputados representariam a vontade do povo. Só que o "povo" tem a mania que só existe o PS e o PSD, que só têm lideres de merda. E por isso estamos como estamos.

Offline Ravhin

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #38 em: Julho 01, 2008, 11:05:23 am »
Citação de: "Cerridwen"

O sufrágio não é a única forma prevista na CRP para o exercício da soberania. Deixo outros dois exemplos.

Primeiro exemplo: no art.º 52.º da CRP estão previstos os direitos de petição e de acção popular.

Citar
1. Todos os cidadãos têm o direito de apresentar, individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania, aos órgãos de governo próprio das regiões autónomas ou a quaisquer autoridades petições, representações, reclamações ou queixas para defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral e, bem assim, o direito de serem informados, em prazo razoável, sobre o resultado da respectiva apreciação.

2. A lei fixa as condições em que as petições apresentadas colectivamente à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das regiões autónomas são apreciadas em reunião plenária.

3. É conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, o direito de acção popular nos casos e termos previstos na lei, incluindo o direito de requerer para o lesado ou lesados a correspondente indemnização, nomeadamente para:

a) Promover a prevenção, a cessação ou a perseguição judicial das infracções contra a saúde pública, os direitos dos consumidores, a qualidade de vida e a preservação do ambiente e do património cultural;


Segundo exemplo: Referendo. Previsto no art.º 115 da CRP.

Citar
2. O referendo pode ainda resultar da iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República, que será apresentada e apreciada nos termos e nos prazos fixados por lei.

3. O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional que devam ser decididas pela Assembleia da República ou pelo Governo através da aprovação de convenção internacional ou de acto legislativo.


Aliás o direito de petição foi posto em prática nesta questão do Acordo Ortográfico por vários conjuntos de pessoas que elaboraram petições. Uma dessas petições (intitulada "Em Defesa da Língua Portuguesa / Contra o Acordo Ortográfico") já vai com mais de 77.000 assinaturas.

Segundo informação difundida pelos signatários, a petição referida aguarda na Assembleia da República apreciação pelo Plenário, nos termos da lei, tendo a sua publicação em Diário da República sido já requerida pelo 1.º signatário (Vasco Graça Moura).


Certíssimo, mas sabes bem e tenho a certeza que estão noutros pontos desses artigos algumas ressalvas, pois não pode cada um de nós escrever uma petição ou pedir um referendo à assembleia da republica e esperar que eles sequer leiam. Estas coisas só funcionam quando estão bem organizadas por um grupo grande de pessoas de preferência com alguns "notáveis" lá pelo meio a dar peso.

Posso te dar um exemplo. Uma arte marcial que pratico foi directamente afectada por uma mudança na lei de porte de arma à coisa de uns dois anos, desde então a federação que nos representa tem tentado pelo menos falar com o secretário de estado e entre petições, cartas e tudo aquilo a que temos direito ainda nada aconteceu e estamos a ser ignorados por completo.

Infelizmente estes mecanismos só funcionam se for do interesse do governo, se o número de pessoas for grande (umas boas dezenas de milhares) ou houverem alguns notáveis, partidos da oposição ou comunicação social a dar-lhes peso.

Offline slayra

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« Responder #39 em: Julho 01, 2008, 11:46:49 am »
Citação de: "FranciscoNorega"
Ermmm... O PS tem maioria absoluta. E acho que isso diz tudo.


Ermmmm... eu estava a falar dos referendos Francisco! Não da Assembleia! Se a oposição exigisse referendos por exemplo na televisão ou noutros meios de comunicação e se desse ao trabalho de explicar às pessoas a sua importância, era capaz de dar algum resultado... huh?  :wink:

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Eles não precisavam sequer de ter feito o referendo do aborto... Se votassem na Assembleia, mesmo que toda a oposição votasse contra, eles ganhavam. Foi só uma forma de pôr a jogar a opinião pública um pouco a seu favor.
Mas se formos a ver, quantos referendos se realizaram desde o 25 de Abril? Não faço ideia, mas nos últimos 20 anos só tenho conhecimento de dois, tendo um deles sido o último do aborto.

Se isto funcionasse bem, que não funciona, os referendos não eram precisos, porque os deputados representariam a vontade do povo. Só que o "povo" tem a mania que só existe o PS e o PSD, que só têm lideres de merda. E por isso estamos como estamos.


Não precisavam, é verdade. Não se realizaram muitos referendos, também é verdade... mas isso deve-se à falta de informação das pessoas e à mentalidade e inércia dos partidos da oposição. Vê lá se aqui fizeram algum referendo acerca do Tratado...

Acho que os referendos são sempre precisos, assim como outras formas de controle de um governo democrático. É uma utopia pensar que qualquer sistema democrático (ou outro) possa funcionar a 100%. E já ouvi muita gente dizer o mesmo que tu "ah, é só o PS e o PSD e é por isso que nunca se faz nada de jeito"; concordo parcialmente com isto, mas para além do PSD e do PS o que temos nós? O CDS-PP e o Paulo Portas? É que nem pensar! O PCP, que nunca foi o maior apologista da democracia (se eles levassem a deles avante depois do 25 de Abril, tinhamos uma ditadura comunista). Ou o Bloco de Esquerda, que não tem, sinceramente, gabarito para ocupar o poder? Para já não falar dos pequenos partidos ultra-conservadores ou de extrema direita e os defensores da monarquia. Até parece que temos muita escolha...

Penso que a solução passaria, não por designar um novo partido para o poder, mas sim por diminuir o número de deputados dos partidos no poder... para que a oposição possa ser mais activa.  :?

Offline Skilgannon

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« Responder #40 em: Julho 01, 2008, 22:29:53 pm »
Citação de: "slayra"

Acho que os referendos são sempre precisos, assim como outras formas de controle de um governo democrático. É uma utopia pensar que qualquer sistema democrático (ou outro) possa funcionar a 100%. E já ouvi muita gente dizer o mesmo que tu "ah, é só o PS e o PSD e é por isso que nunca se faz nada de jeito"; concordo parcialmente com isto, mas para além do PSD e do PS o que temos nós? O CDS-PP e o Paulo Portas? É que nem pensar! O PCP, que nunca foi o maior apologista da democracia (se eles levassem a deles avante depois do 25 de Abril, tinhamos uma ditadura comunista). Ou o Bloco de Esquerda, que não tem, sinceramente, gabarito para ocupar o poder? Para já não falar dos pequenos partidos ultra-conservadores ou de extrema direita e os defensores da monarquia. Até parece que temos muita escolha...

Penso que a solução passaria, não por designar um novo partido para o poder, mas sim por diminuir o número de deputados dos partidos no poder... para que a oposição possa ser mais activa.  :?


Isso é porque infelizmente votamos em partidos e não em pessoas.
Há uma lista, mas ou porque vão para o governo, ou porque vão para a Europa, ou porque os próprios partidos gostam de rodar as cadeiras ... a verdade é que muitas vezes quem acaba no parlamento não são aqueles que compunham a lista em quem votámos.
Depois existe aquela coisa da disciplina de voto, que faz com que o que interessa no parlamento é o número de deputados de cada partido, e as votações uma mera formalidade, porque é muito fácil ao ler cada proposta perceber qual vai ser o resultado final da votação.

Se cada deputado fosse o representante eleito de uma região, com ciclos uninominais, aí cada deputado era responsável pelas suas decisões, e os habitantes da região tinham o seu representante, aquele com a obrigação de fazer ouvir os seus problemas no parlamento.

Cumprimentos
- Aquele é Skilgannon, o Maldito. Não queiras ter nada a ver com ele.
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Offline Cerridwen

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« Responder #41 em: Julho 02, 2008, 20:52:08 pm »
Citação de: "Ravhin"

Certíssimo, mas sabes bem e tenho a certeza que estão noutros pontos desses artigos algumas ressalvas, pois não pode cada um de nós escrever uma petição ou pedir um referendo à assembleia da republica e esperar que eles sequer leiam. Estas coisas só funcionam quando estão bem organizadas por um grupo grande de pessoas de preferência com alguns "notáveis" lá pelo meio a dar peso.

Posso te dar um exemplo. Uma arte marcial que pratico foi directamente afectada por uma mudança na lei de porte de arma à coisa de uns dois anos, desde então a federação que nos representa tem tentado pelo menos falar com o secretário de estado e entre petições, cartas e tudo aquilo a que temos direito ainda nada aconteceu e estamos a ser ignorados por completo.

Infelizmente estes mecanismos só funcionam se for do interesse do governo, se o número de pessoas for grande (umas boas dezenas de milhares) ou houverem alguns notáveis, partidos da oposição ou comunicação social a dar-lhes peso.

Não há grandes restrições ao uso destes direitos. Mas também são poucas as situações em que a Assembleia da República fica vinculada a acções no âmbito desses direitos. Mesmo o último referendo sobre a IVG não deu resultado vinculativo, legislou-se naquele sentido porque ainda foi um número considerável o de pessoas que manifestaram a sua posição através do voto positivo.

É como dizes: «não pode cada um de nós escrever uma petição ou pedir um referendo à assembleia da republica e esperar que eles sequer leiam. Estas coisas só funcionam quando estão bem organizadas por um grupo grande de pessoas de preferência com alguns "notáveis" lá pelo meio a dar peso».

E é aí que está o problema da democracia portuguesa. Geralmente não há organização da parte do povo. E quando há organização são poucos os que fazem uso dos mecanismos disponíveis. Mesmo quanto ao exercício do direito de sufágio, veja-se o número de abstenções, tanto em várias das últimas eleições, como no último referendo sobre a IVG.

Não tenho muitas dúvidas de que grande parte do «sucesso» que o «Manifesto em defesa da língua portuguesa, contra o acordo ortográfico» alcançou se deve aos nomes que estão no fim do texto da petição (signatários). Outras petições com objectivos semelhantes foram remetidas para o esquecimento.

Offline Ghenris

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #42 em: Julho 17, 2008, 17:03:29 pm »
Eu sou a favor do Acordo, mas perdoem-me que diga que estou tão saturado de ver argumentos que só podem ser taxados de, passe a expressão, imbecis, tanto contra como a favor, que não me dei ao trabalho de ler tudo o que por aqui já foi escrito.

Estou, contudo, disposto a esgrimir argumentos propostos deste ponto em diante (não me vou pôr a discutir coisas que já vão com três páginas de debate por trás).

Offline Faria

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« Responder #43 em: Julho 17, 2008, 22:39:08 pm »
visto que es a favor do acordo nao te vais entao importar de começar a escrever "a rapariga foi ratada pelo rator enquanto ia para casa"
"E em poucas palavras Maldoror foi bom, nos seus primeiros anos, em que viveu feliz. Está dito"

Where shadows meet art:
http://coxixocorner.deviantart.com/
http://fariacorner.daportfolio.com/

Offline Ghenris

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Novo Acordo Ortográfico - contra ou a favor
« Responder #44 em: Julho 17, 2008, 22:52:47 pm »
Ah, vou vou. Porque isso seria um erro ortográfico. Olha lá, alguma vez disseste «ratar»?

Gente: só desaparecem as consoantes que não são pronunciadas, como em «actual», cujo «c» ninguém pronuncia (excepto em casos de hipercorrecção*). Um rapto continua a ser um rapto, e ponto final, que diabo.

Outro motivo pelo qual me importo de escrever essa frase é que tem aí um horrível pleonasmo, mas isso já foge ao âmbito do acordo.

*hipercorrecção é cometer um erro na tentativa de corrigir um falso erro. Por exemplo: a pronúncia correcta é «atual», mas, ao ver um «c» lá escrito, o falante naïve pode incorrer no erro de pensar que se deve ler «aktual» e que isso é que está certo. A hipercorrecção é outro problema que o Acordo elimina, pelo menos em parte.