Autor Tópico: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas  (Lida 18084 vezes)

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Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« em: Novembro 01, 2010, 22:04:30 pm »

Pode ensinar-se a escrever romances? A pergunta é feita muitas vezes, mas entre os “especialistas” a resposta que tenho visto parece ser consensual: não! Mas isso não quer dizer que não se possa aconselhar, seguir algumas dicas, ou mesmo ensinar alguns “truques” aos futuros escritores. Tendo isso em mente elaborei este texto, que pretende compilar algumas desse conselhos, dicas e  “truques”. Alguns são básicos, mas convêm sempre tê-los em mente, outros são indirectamente ligados, mas igualmente importantes. Para facilitar a sua leitura, dividi o texto em três partes, e também porque não deixava colocar o texto completo.
 
Na primeira parte coloquei as dicas (apenas o link a pedido do seu autor) de um nome bem conhecido aqui do fórum (autor, e tradutor): David Soares.
Segue-se outro nome bem conhecido: Jorge Candeias (autor e tradutor), que dá o seu ponto de vista sobre as dicas que o David escreveu. Ora concordando ora discordando, (maioritariamente concordando), mas sempre de um modo fundamentado. Quero também agradecer ao David Soares e Jorge Candeias por terem disponibilizado os seus textos e os seus conselhos.
Irão encontrar também as dicas de outros sites e blogs, assim como os devidos links.

Na segunda parte está a minha compilação, algumas já lidas na primeira parte, mas isso acontece por feitio e não por defeito, pois são como os elos numa corrente, sobrepondo-se para se unir e fortalecer

Na terceira parte, à laia de sobremesa, vão encontrar três links para vídeos de Alice Vieira, José Jorge Letria e claro David Soares sobre esta temática.

Espero que gostem e que ajude os futuros escritores, e claro espero espandir as dicas com a ajuda de todos.
Por ultimo gostaria de dar enfase ao facto de isto serem “apenas” dicas e conselhos e não regras, cada um pode e deve adapta-las de modo a sentir-se o mais confortavel possivel na sua escrita.
E agora as dicas e conselhos:

Citação de:  David Soares

Cadernos de Daath - Dez dicas sobre escrita

http://cadernosdedaath.blogspot.com/2010/08/dez-dicas-sobre-escrita.html


Citação de: Candeias

Jorge Candeias

Sobre as dicas de escrita do David

O David Soares publicou há bocado no blogue um conjunto de dez dicas sobre escrita, e eu assim que li a primeira pensei cá com os meus botões "diabo, que isto vai ser mau". Quando acabei, achei que tinha de comentar aquilo, e aqui está o meu comentário. A negrito estão as dicas do David mas não as explicações que dá para elas. Por baixo de cada dica estão os comentários que dica e explicação me provocam. Portanto para lerem este post é imprescindível que, antes de mais,  vão lá ler as dicas dele. Depois, se quiserem, podem voltar cá. Mas só depois.

Está lido? Então vamos lá.

1- Não escrever como se fala.
Dificilmente se podia começar pior uma lista de dicas sobre escrita, francamente. E a explicação não é melhor, porque aquilo que realmente denuncia falta de talento nos escritores não é a coloquialidade, não é o "escrever-se como se fala", mas sim não saber utilizar a coloquialidade e o texto erudito nos locais que lhes são próprios. Não há coisa mais triste do que ler os diálogos forçadíssimos dos escritores suficientemente medíocres para não serem capazes de usar corretamente a linguagem coloquial. Nem o uso de coloquialismos em locais em que ficaria melhor uma escrita mais elaborada é pior do que isso. E posso mesmo dizer que há magníficas obras de literatura que fazem uso quase exclusivo da linguagem oral e coloquial. Quem quiser um bom exemplo leia Quantas Madrugadas tem a Noite, de Ondjaki. A verdade é que querer amputar o coloquialismo da literatura é equivalente a serrar uma perna duma mesa ou duma cadeira. A verdade é que tudo o que faz parte do fenómeno linguístico pode e deve servir de matéria-prima para a literatura.  Tudo.

2- Aprender a gramática.
Não me oponho a esta, pelo contrário, mas tenho de fazer uma ressalva. Aprender gramática é, antes de mais, aprender a usar a língua. O António Aleixo, analfabeto como era, nada sabia das formalidades gramaticais, do que era um complemento indireto ou uma voz passiva, mas usava magnífica, e corretamente, a sua língua. Aprender gramática, no sentido prescritivo da expressão, no abstrato, é pouco menos que inútil. É o conhecimento prático que é importante para quem escreve (e para quem traduz, já agora), ainda que o outro muitas vezes dê uma ajuda importante.

3- Apesar de aprender a gramática, escrever como um escritor e não como um linguista.
Esta subscreve. Integralmente.

4- Escrever um livro e não um guião de cinema.
Aqui também tendo a concordar, mas sou muito menos radical. Já li livros excelentes baseados em diálogos e descrições de ação, praticamente sem descrições, e já li livros muito maus quase exclusivamente descritivos. Um dos piores livros que li na vida, na verdade, tinha uma única linha de diálogo nas suas cento e tal páginas. Uma. E era horrendo. O que quero dizer com isto é que há e deve haver lugar para as duas coisas, e que nenhuma é superior à outra, desde que as pessoas saibam o que estão a fazer e porque o fazem. Ah, sim, e não é questão de género, é de abordagem. O Hemingway não era um escritor de género.

5- Ser erudito.
O David aqui faz alguma confusão entre dois conceitos muito diferentes. O "ser erudito" que põe na dica não tem grande coisa a ver com o "sejam inteligentes a escrever" com que começa a explicação. O que não falta por aí é gente muito erudita mas completamente idiota (e consequentemente incapaz de transpor a erudição para uma escrita inteligente) e gente com grandes lacunas no conhecimento que no entanto é capaz de transpor para o papel um nível de subtileza e inteligência que está ao alcance de poucos. Dito isto, concordo que a busca de informação é importante, desde que não funcione como bloqueio. E mais: muitas das melhores obras são aquelas em que o escritor sabe mais sobre os temas em causa do que aquilo que transparece na obra. Muitos dos melhores escritores evitam o show-off. Mas sabem. Por outro lado, conheço vários candidatos a escritores que andam há anos em worldbuilding sem conseguirem escrever uma linha, porque quando tentam são tolhidos por aquilo que ainda não sabem, pelos bocadinhos de mundo que ainda não construíram. Aqui, como na maior parte das coisas, o que é realmente importante é ter a capacidade de encontrar um equilíbrio, que será diferente para cada autor.

6- Ler os clássicos.
Não faz mal nenhum, pelo contrário. Não me parece que tenha tanta importância como o David lhe dá, mas não faz mal nenhum.

7- Ler os melhores autores que escrevem no género de literatura em que se quer singrar.
Meh. Com toda a franqueza, acho tristíssimo que um escritor aceite, acate e contribua para a ditadura dos géneros, que é uma questão mais comercial do que outra coisa. Um escritor deve querer escrever as histórias que o inspiram, não perder tempo a pensar "mas 'pera lá, isto não é do meu género, não pode ser". Escritor que aceite isso é escritor que até pode chegar aos pináculos do género que escolheu mas no grande esquema das coisas nunca passará da mediocridade porque se condenará a ser músico de uma nota só. Um escritor que almeje passar da cepa torta deve ler de tudo um pouco. Deve ler fora do género e deve ler fora de géneros. Além disso, também não me parece que colocar o fulcro da coisa nos "melhores" seja correto. É conveniente ler-se os maisinfluentes, isso sim, para se saber onde e como se encaixam as histórias que se quer contar. Os mais influentes não são necessariamente os melhores.

8- Ser perseverante.
Subscrevo, por inteiro. Dica e explicação.

9- Sacrificar-se.
Também subscrevo. Mas há que saber encontrar a fronteira entre sacrificar-se e crucificar-se. E não a transpor.

10- Ser sério.
E o David acaba quase tão mal como começou. Os piores livros que li na vida eram, todos eles, insuportavelmente sérios. Mas umas merdas quase ilegíveis. Também li livros que pretendiam ser humorísticos mas que na realidade eram muito maus, ainda que não chegassem a sê-lo tanto como as tais estuchas seriíssimas. Porquê? Porque não há coisa mais difícil de fazer bem do que o humor. E também não há coisa mais importante do que o humor. O humor é a coisa mais séria do universo, a única que torna suportável a existência. Escritor (ou qualquer pessoa, na verdade) que se leve demasiado a sério tem em si os esporos da mediocridade presunçosa prontinhos a germinar à primeira distração. E uma vez brotado esse horrendo fungo dos seus esporos é preciso um tratamento duro e persistente para que a vítima se cure, pois o raio dos fungos são umas bichezas notoriamente difíceis de erradicar. Um tratamento, lá está, composto da dose correta de humor e q.b. de excipiente. Os melhores livros que li na vida, já agora, tinham quase todos seriedade e humor em doses equilibradas. Aqui, como em quase tudo, o que é realmente importante é encontrar um equilíbrio e fazerbem seja o que for que se pretenda fazer. E se for rir, será rir. Fazer rir é precisamente tão nobre como fazer pensar... e há poucas formas melhores de levar as pessoas a pensar do que fazendo-as rir.

http://lampadamagica.blogspot.com/2010_08_01_archive.html


Citação de: Pedro Sena-Lino

DICAS PARA ESCREVER #1: EXPECTATIVAS E MUDANÇAS
Posted on | Setembro 11, 2009 |
Se está bloqueada/o a escrever, há muito tempo, comece por pensar que o problema é das demasiadas expectativas. Afinal escrever é uma coisa que se deve fazer antes de mais para si, e que o objectivo prévio tem de ser sempre esse.
Depois, mude os hábitos e os ambientes: se escreve a computador, vá buscar um bloco; se escreve a caneta, troque-a por um lápis. Se escreve em casa à janela, mude de lugar. Se nunca escreveu num café, sente-se e escreva. Se escreve sempre a ouvir música, mude de música. Já pensou que uma banda sonora ajustada ao que está a escrever pode ajudar? Se nunca escreveu a ouvir jazz ou música clássica, força.
E, mais importante do que tudo isso: se fica horas a pensar na primeira frase ideal ou estilosa, que vai parar o mundo depois de a ler, esqueça. Comece pelo mais simples, pela ideia em si, em bruto. Tem muito tempo para rever depois.
Mude de hábitos consigo mesma/o, e comece a escrever de uma forma descontraída e natural como nunca se deixou fazer

DICAS PARA ESCREVER #2: A IDEIA, NÃO OS ARREDORES
Posted on | Setembro 21, 2009 |
Um dos problemas ao escrever, depois de ter uma ideia, é em vez de escrevermos a ideia logo, fazermos tudo menos isso: escrevemos o percurso até à ideia, explicamos a ideia, desmembramos a ideia.
A primeira coisa a fazer quando se tem algo para escrever que nos parece ter interesse, é escrever isso directamente. Há tempo para explicar e melhorar depois.
Um dos truques pode ser também escrever a ideia de três formas diferentes. Uma mais directa, uma mais preocupada com o estilo, outra que aponta para o final. Escreva as três. E depois siga a que lhe parecer que lhe abre mais caminhos

DICAS PARA ESCREVER #3: O FIM, NÃO O PRINCÍPIO
Posted on | Outubro 19, 2009 |
E se em vez de escrever o princípio da ideia que tem em mente, escrevesse o fim?
É excelente estar a escrever sem se saber para onde vai, levados pela emoção, pela imaginação, mas há alturas em que é preciso tomar opções. E o problema, a meio de um texto que foi escrito como uma paixão, é pensar: para onde é que isto vai? Nessas alturas, crie um fim.
Dou sempre esta imagem: é como se tivesse de desenhar um arco, e para isso precisa de um fim, para que o meio possa funcionar. Tente escrever o princípio e o fim, e verá a liberdade que isto lhe traz para criar melhor. Até porque o fim e o início são em geral as partes mais trabalhadas e reescritas

DICAS PARA ESCREVER #4: NÃO SOU EU QUE FAÇO FALTA?
Posted on | Janeiro 6, 2010 |
Temos a tendência para programar o enredo, criar personagens fortes, e tentar o mais possível afastar o texto da nossa biografia e das nossas experiências. Porém, quando sentimos que o texto não funciona, porque está demasiado afastado, seco, mental, construído, podemos aproximá-lo antes de mais de nós. Colocar uma experiência pessoal, na boca do narrador, na vivência de uma das personagens, pode imediatamente criar uma relação que vai contagiar todo o texto. E uma mais valia para trabalharmos até essa experiência pessoal a vários níveis, podendo até ajudar a abrir portas no texto.

http://escritacriativa.portoeditora.pt/category/dicas/


Citação de: site escritacriativa.net

Onze regras para quem quer escrever um romance
1. Levante a questão central imediatamente, e torça para que o leitor morda a isca logo nas primeiras cenas.
2. Lembre-se sempre que conflito e suspense são o que fazem a sua estória.
3. Comece com a estória que você está contando, e não informando o leitor de coisas que aconteceram no passado.
4. Mostre os seus personagens através de suas ações.
5. Seja econômico em suas descrições. Forneça somente as necessárias, e mesmo assim diluídas dentro da ação.
6. Evite explicar demais e cedo demais. Confie em seu leitor. Confie em seus personagens. Se você sentir que sua estória necessita de longas explicações, volte atrás e a reescreva, até que a estória explique a si mesma.
7. Enriqueça a sua estória compondo conflito externos com conflitos internos. Se o protagonista tiver que enfrentar, além de seus antagonistas, algum conflito interno, adquirirá riqueza e complexidade, com a decorrente aproximação e identificação do leitor.
8. Trabalhe os seus diálogos. Leia-os em voz alta. Quando estiver fazendo a revisão de seu texto, questione-se sobre a autenticidade da voz de cada um dos personagens.
9. Economize nos adjetivos e advérbios. Em literatura, menos é mais.
10. Questione a validade e a necessidade de cada cena. Tenha em mente que uma cena só é necessária quando desenvolve a trama, ou revela mais alguma característica dos personagens.

http://www.escritacriativa.net/escrita/index.php


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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #1 em: Novembro 01, 2010, 22:05:10 pm »
O Inicio
O primeiro parágrafo, quiçá a primeira frase, é por ventura (a par do fim) a mais importante do texto, é com ela que irão agarrar o leitor, é o vosso isco, e com um bom isco pescam melhor do que com um mau, portanto pensem bem como irão escreve-lo, atenção não é preciso ser feito logo podem começar o texto e depois voltar e reformular se entretanto acharem que pode precisar de melhorias.

O Fim
Do final da história depende muitas vezes uma opinião mais positiva ou negativa do livro inteiro, é portanto natural que esta seja uma parte muito importante e que deva ser trabalhada com cuidado, tal como no inicio não se apressem.

Introdução, Desenvolvimento, Conclusão
Este é um dos pilares da construção de uma história, e deve ser sempre observado.

Sejam Objectivos
Nunca percam de vista o enredo da história, nada chateia mais que “palha” que nada acrescente à história ou “apêndices” que não levam a lado nenhum. É provável que seja uma boa ideia fazer um resumo da história, se possível alargado, claro que com isto não quer dizer que não façam alterações se assim acharem que vão melhor a história.

Evitar Superficialidades
Se está a mais e pode ser cortado é porque deve ser cortado, muitas vezes menos é mais.

Quem, Onde, Quando, Como e Porquê
Estas são as perguntas que devem “fazer” aos leitores e que quem está a ler quer ver respondidas, mas à que saber dar as respostas…

Os Cinco Sentidos
Nós temos cinco sentidos, então porque ficar apenas por um ou dois? Façam uso de todos, irão enriquecer o texto, mas claro sempre com bom senso.

Emoções
As emoções são outro pilar da escrita, aprendam a “brincar” com elas, quer com os vossos personagens, quer com o leitor, por exemplo o que seriam os policiais sem acção e suspense que prendem o leitor até à última página?

Diálogos
Treinem os diálogos das vossas personagens, leiam-nos em voz alta, se preciso peçam a ajuda de alguém, lembrem-se sempre que as pessoas são diferentes e as personagens também.

Descrições
Outro aspecto que pode e deve ser treinado até à exaustão. Lembrem-se que menos é mais e que muitas vezes o que não é dito é tão ou mais importante do que aquilo que é dito.

Personagens e Personalidades
Saber construir bem as personagens e as suas personalidades é meio caminho andado para ter uma boa história.

Conhecer bem a língua Portuguesa
Este é um daqueles conselhos básicos, mas sempre importante manter em mente, se não conhecem a língua isso vai notar-se e isso não é propriamente um bom cartão-de-visita.

Perseverança
Não se deixem intimidar pelos obstáculos que irão enfrentar, e que certamente serão muitos. Em vez de se lamentarem com os vossos erros, aprendam com eles.

Descubram o vosso ritmo
Escrever é uma actividade solitária (tirando alguns casos), convêm saber qual é o vosso melhor horário, aquele em que o vosso rendimento é mais elevado, portanto se não sabem qual é experimentem, e vejam qual é o melhor.

Disciplina
Ser escritor tem muito pouco, ou mesmo nada, a ver com a imagem romântica que circula por ai. Para ser escritor é preciso muita auto-disciplina, é preciso impor a si próprio horários muitas vezes rígidos e fazer escolhas nada fáceis.

A companhia de um caderno (e claro uma caneta)
Algo que vos deve acompanhar sempre é um caderno e uma caneta, não necessita ser algo grande ou caro, deve ser de preferência algo em formato A5 ou mesmo A6, e com capa dura. Isto porque nunca se sabe quando a inspiração pode bater à porta e a prevenção é a palavra de ordem, isto apesar de os novos telemóveis já virem equipados com folhas de texto, mas os cadernos nunca ficam sem bateria e dificilmente alguém os rouba.

Livros: saber ler
Aprendam a ler os livros como escritores e não apenas como leitores, os mestres tem muito a ensinar, mas é preciso saber “ouvir”.

Livros sobre Escrita Criativa
Existem muitos livros sobre o tema, contendo não só muitas destas dicas, mas também exercícios práticos. Uma rápida procura numa qualquer livraria on-line usando apenas as palavras Escrita Criativa, revelam bem mais que duas mãos cheias, escolha portanto não falta.

Workshops
Existem muitos workshops, a maioria é a pagar, mas se puderam vão, será concerteza uma actividade recompensadora, em que terão uma pessoa imparcial a avaliar o vosso trabalho.

Desafiem-se a vocês próprios
Isto é algo que deve acompanhar-vos a vida toda, mas principalmente no inicio da carreira quando o desenvolvimento das vossas aptidões é ainda mais importante. A execução de (pequenos) exercícios ajudará a desenvolver as vossas capacidades.

O Editor
Numa fase avançada é provavél que queiram submeter os vossos manuscritos para edição, nessa altura irão deparar-se com a figura do Editor. Lembrem-se, sempre, que ele conhece o meio muito melhor que voçês e que todos os conselhos que vos dará serão para  o vosso bem.



Citação de: Vídeos

Alice Vieira
http://www.youtube.com/watch?v=lI5PxVFh31M

José Jorge Letria
http://www.youtube.com/watch?v=C0sh_FRBCzU&feature=related

David Soares
http://www.youtube.com/watch?v=eTM8e2u3BVg&feature=related

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Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #2 em: Novembro 02, 2010, 03:06:03 am »
Grande trabalhão que tiveste Magnus! Obrigado pela pesquisa e pela partilha.

Deixo aqui uma revista que também pode trazer umas dicas interessantes a quem estiver interessado.

Comprei um ou dois exemplares, sempre que a temática me interessava.

http://www.writermag.com/

Offline Fiacha

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #3 em: Novembro 02, 2010, 05:30:09 am »
Tenho mesmo que ler este tópico para ver se aprendo umas dicas ;D
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline miah

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #4 em: Novembro 02, 2010, 05:35:53 am »
Realmente deves ter tido um trabalhão a realizar este tópico mas gostei bastante de o ler. :)

Irei tentar colocar em prática as dicas aqui colocadas, pois falam de vários temas e de pontos que provavelmente nos passam despercebidos.

Foi uma excelente iniciativa Magnus. Obrigado. :)

Offline Fiacha

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #5 em: Novembro 02, 2010, 05:37:28 am »
(...)
Foi uma excelente iniciativa Magnus. Obrigado. :)

Gostei tanto que ficará sempre no topo desta Board, espero que concordem ;)
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline miah

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #6 em: Novembro 02, 2010, 05:45:21 am »
Gostei tanto que ficará sempre no topo desta Board, espero que concordem ;)
Claro que sim.  Diminui o risco de passar despercebido... :)

Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #7 em: Novembro 02, 2010, 07:19:44 am »
(...)
Foi uma excelente iniciativa Magnus. Obrigado. :)

Gostei tanto que ficará sempre no topo desta Board, espero que concordem ;)

Aprovadíssimo. Uma mais valia sem dúvida.

O que mais me agradou foi a variada amostra de fontes, o Magnus não se limitou apenas a apresentar dicas de um ou outro autor da sua preferência, mas de vários e alguns deles até discordantes entre si.

Gostei bastante da lucidez do Candeias. Não devemos limitar-nos a géneros, ou estados de espírito (seriedade, etc)... o segredo está no equilíbrio.

Offline Magnus

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #8 em: Novembro 02, 2010, 20:53:34 pm »
O meu obrigado a todos pelo incentivo e pelos elogios, admito que a dada altura estava com algum medo, mas afinal era infundado, obrigado  :).
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Offline rainfreak

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #9 em: Novembro 04, 2010, 21:49:46 pm »
Algumas interessantes. Gostei particularmente da 1- Não escrever como se fala.
É das maiores estupidezes que se ouve e sinto-me farta de aconselhar nisso. Nos autores portugueses continuo a esbarrar-me com isso. ^Vá-se lá saber porquê...
Interessante o facto de sublinhares o forçar a coloquialidade. Talvez te faça um quote ;)

Offline Magnus

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #10 em: Novembro 05, 2010, 20:22:30 pm »
Algumas interessantes. Gostei particularmente da 1- Não escrever como se fala.
É das maiores estupidezes que se ouve e sinto-me farta de aconselhar nisso. Nos autores portugueses continuo a esbarrar-me com isso. ^Vá-se lá saber porquê...
Interessante o facto de sublinhares o forçar a coloquialidade. Talvez te faça um quote ;)

Peço desculpas, mas referes-te à dica do David Soares ou à do Jorge Candeias?
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Offline rainfreak

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #11 em: Novembro 09, 2010, 01:26:14 am »

Peço desculpas, mas referes-te à dica do David Soares ou à do Jorge Candeias?
Candeias

Matraquilho

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #12 em: Novembro 22, 2010, 07:24:40 am »
O que eu também acho importante!
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Não sou nenhum especialista, mas já escrevi vários textos. Guardo-os, porque não sou precipitado, mais vale estes apanharem pó, até que apareça algum que valha a pena publicar!

E o que tenho visto é o seguinte:

Hoje em dia preza-se muito num escritor que leia bastantes livros, que investigue novas formas de escrever, que "aprenda" com os profissionais, mas esquece-se de uma grande questão: o conhecimento pratico, que alías, deve andar sempre muito agarrado ao conhecimento empirico.
Não posso fazer a descrição de um jogo de futebol, se isso é um desporto que me passa bastante ao lado e raramente assisto aos jogos - a descrição tornar-se-ia bastante oca, com falta de promenores e quiçá com algumas incongruencias; não posso fazer a descrição de uma bela paisagem natural, levando um tipo de vida sobretudo urbano e não fazendo umas voltas frequentes pelo campo (limitar-me a dizer que tem arvóres, flores, ervas e montes não é o que eu considero uma descrição); também não posso descrever um ambiente caracteristico de uma tasca rude de aldeia ou da zona histórica de uma cidade, ficando-me exclusivamente pelos cafés e bares bonitinhos onde se juntam os meninos bem comportados. Ficaria, também, bastante aquém das expectativas se fosse descrever uma aventura de bicicleta, sendo eu um gajo que na realidade nunca participou em nenhuma.
E os exemplos multiplicam-se, qualquer pequeno acontecimento terá um maior valor descritivo, se for algo que nos seja familiar e não mera expeculação da nossa imaginação.

A imaginação funciona bem com o conhecimento pratico - aliás, eu sou grande apologista, que ambos funcionam bem interligados!

Outro assunto prende-se com aquilo que pretendemos descrever. Se pretendo escrever um romance histórico sobre um determinado periodo, tenho de investigar o máximo possivel sobre o mesmo (desde culturas, espaços, protagonistas, crenças gerais e tanto melhor locais, hábitos de vida, etc, etc, etc) e não simplesmente ler outros escritores e romancistas (alguns deles duvidosos) e pôr-me simplesmente a escrever.
No caso da fantasia, esta sobretudo prende-se com cenários pseudo-medievais (tomemos esta via), contudo, a maioria dos escritores que tenho visto, não terão a minima ideia de como funcionava este periodo e o que raletam na maioria dos casos são sociedades pós-modernas, camofladas por heróis de espada em punho, e onde (por desconhecimento) aplicam a magia no lugar da nossa tecnologia. São o que eu chamo escritores de segunda e terceira geração, cuja sua fantasia é assente em nada mais que pura fantasia, nada indo buscar à realidade, que é a melhor fonte para um escritor. E que tal mudar esse paradigma e inspirarem-se, como os grandes como Tolkien, em ler mais história (não apenas romances históricos, digo mesmo história), saber como era feita a politica noutros tempos, como era feita economia e como viviam as pessoas nas suas casas? E claro, dado que é fantasia e que esta não tem outra influencia senão os mitos, porque não procurar livros de mitologia, antologias de lendas e por aí adiante? Porque não, antes de escrever um épico, ler épicos de outros tempos como o Beowulf (facilmente o encontram em inglês) ou por exemplo a Canção de Rolando (que está em português)?
No caso da Ficção Cientifica, tenho poucos conselhos para dar, mas porque não uma leitura na história contemporanea e nas previsões feitas por alguns autores credenciados, assim como também em livros de ciencia e claro nas especulações futuristas?
Enfim, segundo o que está escrito no inicio deste tópico, o David Soares argumenta que um autor tem de ser erudito, posição que é contestada pelo Candeias que diz que nenhum escritor precisa de ser culto para ser bom escritor. Discordo e ao mesmo tempo concordo com ambos: um erudito não é necessáriamente um escritor, saber muito não é a mesma coisa que saber escrever e muito menos é o mesmo que saber canalizar toda essa informação para a elaboração de um romance (se fosse assim teriamos muitos professores universitários a escrever como o Tolkien), mas contudo, também duvido que uma pessoa pouco culta (em especial nos assuntos que quer retratar) consiga ganhar um prémio literário.

Por fim, prendo-me com os diálogos que no meu caso são a pior parte. Corroboro a posição que devam de ser lidos em voz alta e várias vezes repensados antes de serem dados por acabados. Se há coisa que me irrita é ver diálogos extensos, em que um personagem ofereçe informações gratuitamente (muitas vezes para poupar nas descrições e entrando na parte que toca ao narrador) só para simplicar bastante as coisas. Um escritor que recorra a isto é sem duvida um mau escritor. Por outro lado concordo que de vez em quando apareçam conversas que não vêm a propósito, transmitindo inconscientemente o estado de espirito do personagem que as pronunciou, ou comentários irónicos face a certo tipo de situações.
Se repararem, nós não caminhamos linearmente para cumprir um objectivo, por vezes paramos, distraimo-nos e rimo-nos um pouco. Por que razão, os nossos personagens não hão-de fazer o mesmo?

E o melhor conselho que tenho a dar é o seguinte: se tiverem algo escrito, olhem bem para o manuscrito e releiam-no e não pensem logo em publicá-lo. Vejam se gostam das descrições, dos personagens do ambiente... e se estes podem ser comparados com os dos mestres que já leram. Se está apenas naquela fase do "razoável", então meus caros, ganhem coragem e reescrevam-no, ou então deitem-no fora e escrevam outro - nada se faz sem trabalho.

É apenas a minha opinião...
Um Abraço
« Última modificação: Novembro 22, 2010, 07:27:32 am por Matraquilho »

Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #13 em: Novembro 23, 2010, 19:46:56 pm »
Uma opinião a ter em conta claro e que traz a este tópico mais ideias importantes para a criação de um obra literária.

Não sei se tiveste oportunidade de estar presente no Fórum Fantástico deste ano. Estiveram por lá vários autores como João Barreiros, Ricardo Pinto, David Soares, Stephen Hunt, Peter V. Brett, Inês Botelho, Susana Almeida, Martin S. Braun entre outros que não tive hipótese de ouvir e todos eles falaram das suas experiências como escritores. Todos eles partilharam o seu processo criativo e todos eles eram diferentes naquilo que defendiam (pelo menos em algum ponto).

Ou seja, não há regras, apenas opiniões, ou melhor partilha de experiências. O que faz sentido para um pode não fazer para outro.

O que defendes, tal como o Candeias, David Soares ou outro qualquer, não está errado, mas é sempre discutível.

Como o David Soares disse e muito bem no FF: "Não digo que não haja outras formas válidas de escrever, mas esta é a minha maneira." (disse mais ou menos assim). E não podia estar mais certo. Cada um escreve como a sua natureza dita. Uns são mais intelectuais outros mais instintivos, outros mais frios outros mais apaixonados.

Cada um deve procurar as suas regras pessoais.

Quanto mais ouço os autores a falar mais me convenço disso.

Para mim só precisas de três coisas: saber escrever, ter clareza de espírito de modo a conseguir transmitir aos leitores aquilo que se quer contar e acima de tudo, ter imaginação fértil.

Quando digo clareza de espírito englobo várias coisas: saber do que se está a falar sem parecer uma enciclopédia; conseguir estruturar ideias de forma precisa sem grandes rodeios; saber cativar a atenção.

Concordo contigo Matraquilho: a experiência pessoal é fundamental para enriquecer as nossas histórias mas não é preciso combater numa guerra ou levar um tiro para escrever sobre estas coisas. Basta ter uma imaginação fértil e uma tarde de jardinagem a cortar silvas com uma foice pode ser transformada num campo de batalha passado num planeta distante, onde legiões imperiais lutam demónios com tentáculos espinhosos. Uma dor nas costas resultante de uma má postura, pode muito bem servir de inspiração para descrever um herói a carregar uma cruz a caminho do calvário, por exemplo. Uma parede com musgo para mim pode ser uma floresta equatorial noutro planeta, por exemplo. Uma partícula de pó vista o microscópio um mundo fantástico cheio de potencialidades. Transpor pequenas coisas do nosso quotidiano para as histórias é a coisa mais banal que um escritor pode fazer, mas para isso é fundamental ter o músculo da imaginação bem trabalhado.

A imaginação, para mim, é a melhor ferramenta de um escritor, especialmente se pretende escrever Fantasia ou FC. E não há melhor sítio para ir alimentar a imaginação que nos sonhos. Onde achas que os antepassados iam buscar inspiração para as suas sagas? Aos sonhos e às alucinações induzidas por meditação durante os seus ritos secretos em locais especiais.

Louvo o teu conselho de procurar nas fontes, nas lendas antigas, estudar a História da Humanidade, Ciências, etc, etc, inspiração para os nossos escritos.

Mas, para mim, melhor que andar a ler a imaginação dos outros é explorar a nossa pessoal. As nossas fantasias pessoais são muito ricas e merecem ser exploradas. Mas cuidado, não é aconselhado a pessoas com graves problemas psicológicos, demónios interiores demasiado assustadores, fraca confiança ou auto-estima e com pobre base emocional. se é este o vosso caso, não se aventurem sozinhos, por favor.

Vejam o que aconteceu ao Fernando Pessoa, por exemplo. As suas fantasias são fenomenais, mas o homem ficou avariado e não teve uma vida muito risonha. Outros exemplos famosos no campo do fantástico: Lovecraft e Robert E. Howard.

Adiante, como seria possível descrever aventuras passadas noutras épocas, noutros planetas ou universos, sem a imaginação? Por isso, a imaginação é mais importante que a experiência pessoal.

Mas não me interpretem mal, a experiência pessoal é muito importante também: viajar, conhecer outras realidades que não a nossa e acima de tudo, saber ouvir aqueles que nos rodeiam. As suas experiências pessoais são muitas vezes bem mais interessantes que as nossas e até mais inspiradoras. Por isso, meus amigos antes de saírem de casa abram bem os vossos sentidos para o mundo e deixem-se inundar por tudo o que ele tem para oferecer. Aprendam a absorvê-lo com os olhos, ouvidos, nariz, tacto e paladar e depois liguem a imaginação para cozinhar tudo muito bem cozinhadinho (o Matraquilho está de acordo comigo neste ponto).

A imaginação funciona bem com o conhecimento pratico - aliás, eu sou grande apologista, que ambos funcionam bem interligados!

Apenas discordamos no grau de importância atribuída aos dois (se calhar).

Enfim, segundo o que está escrito no inicio deste tópico, o David Soares argumenta que um autor tem de ser erudito, posição que é contestada pelo Candeias que diz que nenhum escritor precisa de ser culto para ser bom escritor.

A este pensamento respondo com uma frase do Sherlock Holmes que me inspira bastante:

"Não preciso saber quantos planetas existem no sistema solar para resolver os crimes que investigo."

Ou seja, será que é fundamental saber coisas a mais para contar uma história? Interessa saber a História de Portugal e as suas dinastias reais para contar a história do capuchinho vermelho?

Que interessa saber quem escreveu determinado livro, ou pintou determinado quadro ou ainda entender todas as ramificações da teoria da relatividade para escrever um livro?

Que interessa ter lido todos os livros que há sobre fantasia ou FC, é isso que irá fazer de mim um melhor autor?

Não creio.

Se não sabes escrever, pensar pela tua cabeça ou não tens a tua própria imaginação, não te adiante de nada toda a cultura que possas ter. Tudo não passará de excesso de informação, peso morto que em nada irá contribuir para a tua criação artística.

É claro que ser culto, não te faz mal nenhum, mas não é imprescindível.

E já agora o que se entende por culto? Pode uma pessoa que só ouve música erudita considerar-se culto, desconhecendo por completo aquilo que se produz no domínio do house ou metal e vice-versa? Pode alguém considerar-se culto só lendo os clássicos da literatura e ignorar o que se produz no domínio da fantasia e FC e vice-versa?

Por isso, em vez de culto é preferível ter-se um espírito flexível e capaz de navegar nos vários "cultos"  que existem à disposição.

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Se há coisa que me irrita é ver diálogos extensos, em que um personagem ofereçe informações gratuitamente (muitas vezes para poupar nas descrições e entrando na parte que toca ao narrador) só para simplicar bastante as coisas. Um escritor que recorra a isto é sem duvida um mau escritor.

Epá então para ti Shkespeare é uma nódoa de escritor, uma vez que toda a informação que recebemos, nas suas obras, resulta dos diálogos e não das descrições. Quem fala deste autor fala de muitos outros. Aconselho-te a alargares os teus horizontes literários antes de proferires afirmações tão assertivas.

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E o melhor conselho que tenho a dar é o seguinte: se tiverem algo escrito, olhem bem para o manuscrito e releiam-no e não pensem logo em publicá-lo. Vejam se gostam das descrições, dos personagens do ambiente... e se estes podem ser comparados com os dos mestres que já leram. Se está apenas naquela fase do "razoável", então meus caros, ganhem coragem e reescrevam-no, ou então deitem-no fora e escrevam outro - nada se faz sem trabalho.

Um excelente conselho meu caro e ainda acrescento um conselho que um professor de escrita criativa me deu:

"depois de escreverem um texto guardem-no no fundo da gaveta. Passados dois anos, voltem a lê-lo e vejam se ainda vos agrada, se sim, publiquem-no."


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É apenas a minha opinião...
Um Abraço

Como já disse, uma opinião muito válida e a ter em conta.

Um abraço para ti também.

Offline Smirlah

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #14 em: Novembro 23, 2010, 22:57:19 pm »
Matraquilho, mas porque motivo é que a fantasia tem de se prender aos cenários medievais? E porque motivo é que os escritores que descrevem sociedades semelhantes às modernas mas com espadas no punho são classificados como ignorantes e de segunda categoria? Já pensaste que eles podem fazer de propósito?

Eu cá admiro bastante alguns dos autores que conseguem afastar-se desse preconceito; porque este é isso mesmo, um preconceito. Então não houveram sociedades durante e antes da nossa (europeus) época medieval que eram mais avançadas do que a nossa? Sejam eles gregos, romanos, chineses, japoneses ou outros. Porque motivo é que a fantasia tem de se prender à nossa época medieval? Então não pode haver uma sociedade com um comportamento ''avançado'' mas tecnologia 0? Ou uma sociedade com comportamento 0 e tecnologia avançada?

As circunstâncias fazem a história e duvido muito que todas as circunstâncias possíveis sejam as mesmas que as da nossa época medieval.

Aprecio quando um autor consegue criar uma sociedade com visões futuristas sem a necessidade da tecnologia.

Já agora, em relação ao facto em que mencionaste a substituição da tecnologia por magia, Se toda a tua vida (e a dos teus pais e avós já agora) tivesses acesso a magia para ter luz, em vez de electricidade, à noite, quanto tempo irias demorar para te lembrares de criar outro método para ter luz à noite? Ou mesmo quanto tempo irias demorar até tropeçares num método que serviria esse propósito. O homem avança na tecnologia principalmente porque procura métodos para responder às suas necessidades. Se essas necessidades estiverem satisfeitas, o homem não tem preocupação em procurar resposta para elas.