Autor Tópico: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas  (Lida 19029 vezes)

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Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #15 em: Novembro 24, 2010, 20:28:21 pm »
Matraquilho, mas porque motivo é que a fantasia tem de se prender aos cenários medievais? E porque motivo é que os escritores que descrevem sociedades semelhantes às modernas mas com espadas no punho são classificados como ignorantes e de segunda categoria? Já pensaste que eles podem fazer de propósito?

Concordo plenamente contigo Smirlah. Estar a espartilhar a Fantasia ao imaginário medieval europeu é no mínimo castrador.

Tal como é castrador espartilhar a FC ao conhecimento científico actual ou especulativo .

Se limitas muito a imaginação ao expectável nunca serás capaz de oferecer novidade.

A imaginação precisa de correr solta e livre que depois da enchente inicial acaba por encaminhar seguir por algum curso até a um mar nunca dantes navegado.

Por vezes uma palavra basta para despoletar toda uma reacção em cadeia. É só deixar a imaginação fazer o seu papel, daí esta ser mais importante que uma cultura muito vasta, que conhecimentos enciclopédicos exaustivos ou que uma experiência pessoal enriquecedora ou traumatizante.

Para mim imaginação e liberdade são a chave, tudo o resto é importante, mas secundário.

Depois cabe ao autor saber equilibrar muito bem o que é fundamental para a sua história e o que é palha e dispensável.

Matraquilho

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #16 em: Novembro 27, 2010, 07:04:37 am »
Primeiro que tudo, eu nunca estive no Fórum de Fantasia, nunca tirei nenhum curso/ formação de escrita criativa. Nem nunca perdi muito tempo a procurar saber o que os outros escritores pensam da escrita. Sem me querer gabar, digo que tudo o que aprendi, foi e passo a utilizar o termo que referi, pelo "conhecimento prático". Já li bastante (creio que todos nós) e não escrevi bastante, mas já escrevi muito.

Citação de: ruiramos
Concordo contigo Matraquilho: a experiência pessoal é fundamental para enriquecer as nossas histórias mas não é preciso combater numa guerra ou levar um tiro para escrever sobre estas coisas. Basta ter uma imaginação fértil e uma tarde de jardinagem a cortar silvas com uma foice pode ser transformada num campo de batalha passado num planeta distante, onde legiões imperiais lutam demónios com tentáculos espinhosos. Uma dor nas costas resultante de uma má postura, pode muito bem servir de inspiração para descrever um herói a carregar uma cruz a caminho do calvário, por exemplo. Uma parede com musgo para mim pode ser uma floresta equatorial noutro planeta, por exemplo. Uma partícula de pó vista o microscópio um mundo fantástico cheio de potencialidades. Transpor pequenas coisas do nosso quotidiano para as histórias é a coisa mais banal que um escritor pode fazer, mas para isso é fundamental ter o músculo da imaginação bem trabalhado.
Não é preciso combater numa guerra para escrver sobre ela, obviamente que não. Não é preciso matar para saber matar personagens no papel. Obviamente, conforme vamosd vivendo somos confrontados com certas experiencias emocionais, sentimentais, fisicas, etc que com um bocadinho de imaginação vão moldar ideias sobre como os nossos personagens reagirão perante esta ou aquela situação - mas para o que nos é vedado pela experiencia, temos relatos escritos, ou recentemente orais (através dos media) que nos confrontam com os sentimentos de homens e mulheres que já passaram por esse tipo de situações. Quantos homens que lutaram em pelo menos uma das Grandes Guerras, não deixaram diários, muitos deles posteriormente publicados? Ou mesmo destas ultimas guerras mais recentes... ou mesmo de guerras antigas - há um relato na primeira pessoa de um cavaleiro que participou numa das cruzadas (creio que a 2ª) e eu quero ver se lhe lanço a mão -, vários sobre outras batalhas medievais e um porradão de escritos de soldados romanos, gregos, etc que foram para a guerra. É uma questão de procurar todo esse material e usá-lo bem com a nossa imaginação para criar um trabalho bastante original.

Citação de: ruiramos
"Não preciso saber quantos planetas existem no sistema solar para resolver os crimes que investigo."
(...)
Que interessa saber quem escreveu determinado livro, ou pintou determinado quadro ou ainda entender todas as ramificações da teoria da relatividade para escrever um livro?
Dou-te razão em certo ponto, não interessa decorar datas, nomes, cidades, etc., no meu conceito de cultura. Não menosprezemos o conceito de "decorar" que também é importante, mas para sermos verdadeiramente cultos precisamos de "compreender".
Dou-te um exemplo: Tú que és geólogo, pergunto-te de que interessa "decorar" que a Serra da Estrela foi formada no periodo geológico X devido a acontecimentos de ordem Y, que depois levou uma camada de sedimentos no periodo Z e que faz parte da Coordilheira Central Ibérica, tem perto de 1200 m de altitude e tudo por aí além; se por outro lado sabe dizer isto "de cor" porque fixou, mas se isso não lhe serve para mais nada. Por outro lado uma pessoa que "compreenda" o processo, sabe explicar porque tudo isto aconteceu pela lógica, pois se vir outro exemplo que não a Serra da Estrela sabe pelo menos apontar uma possivel teoria sobre isso.
E isso pode ser usado na literatura em geral para enriquecê-la (fantasia em particular).
Se não me fiz entender com o exemplo anterior dou outros: "saber de cor" que Portugal apareceu como país independente em 1143 pode parecer que não serve para nada, mas "compreender" o processo que o formou é outra questão que pode enriquecer um conto de fantasia; saber que o Picasso pintou o Guernica, é uma questão que até pode ser fulcral para um concurso, mas de certo não ajudará assim muito a literatura. Agora compreender o enquadramento histórico do cubismo como corrente artistica e as suas ramificações, pode ajudar de algum modo a imaginação, se isto for bem usado. Tudo servirá de exemplo para isto.
Espero que tenhas compreendido o meu ponto de vista.

Citação de: Smirlah
Eu cá admiro bastante alguns dos autores que conseguem afastar-se desse preconceito; porque este é isso mesmo, um preconceito. Então não houveram sociedades durante e antes da nossa (europeus) época medieval que eram mais avançadas do que a nossa? Sejam eles gregos, romanos, chineses, japoneses ou outros. Porque motivo é que a fantasia tem de se prender à nossa época medieval? Então não pode haver uma sociedade com um comportamento ''avançado'' mas tecnologia 0? Ou uma sociedade com comportamento 0 e tecnologia avançada?
É um processo sui generis. Não sou nenhum doutor de história das mentalidades, mas uma coisa te posso dizer: mentalidade e tecnologia andam agarradissimas. Pensa por exemplo no caso dos direitos humanos, que não é um conceito (digamos assim) recente, mas que só muito recentemente se tem levado à pratica: já imaginaste uma civilização sem industrialização e ao mesmo tempo anti-esclavagista? Na fantasia pode haver, na realidade tal coisa é impossivel. Não é que os antigos não se preocupassem com isso, é mais o facto de tal coisa não se poder enquadrar no paradigma da época. Para corroborar a ideia de que os direitos humanos sempre existiram em teoria, peguemos no exemplo da Igreja que sempre falou na "Paz de Deus", sempre considerando na sua génese filosófica que todos os humanos eram iguais perante Deus. Contudo, todos sabemos que durante certos periodos teve que colocar uma pedra sobre a sua filosofia e recorrer a métodos brutais como as Cruzadas ou a Santa Inquisição. Não a tomemos por contraditória ao tê-lo feito, tudo isso surgiu como resposta a realidades especificas.
Então e a lei do morgadio: porque existiu e porque já não existe? Porque a sociedade necessitou dela para não perder o seu protagonismo, mas actualmente já não precisa. Da lei sálica poderemos dizer o mesmo.
Mas onde quero eu chegar: a fantasia na sua génese criacionista não se deve afastar daquilo que a realidade nos mostrou ou mostra. Não é para mim comestivel se assim for. Se pretendo criar um cenário pseudo-medieval, posso inventar muito muito muito muito, posso por dragoes, duendes, coisas bizarras e em certos aspectos desenquadradas etc, mas convém que em contrapartida também crie uma "sociedade credivel" onde possam morar os meus herois, tendo ao mesmo tempo uma boa interacção com a mesma.
Assim penso eu.

Citação de: ruiramos
Epá então para ti Shkespeare é uma nódoa de escritor, uma vez que toda a informação que recebemos, nas suas obras, resulta dos diálogos e não das descrições. Quem fala deste autor fala de muitos outros. Aconselho-te a alargares os teus horizontes literários antes de proferires afirmações tão assertivas.
Tens razão ao poderes afirmar isso. Eu fui demasiado vago na minha reflexão, podendo suscitar certas dúvidas. Não conheço Shakespeare, mas dei o próprio exemplo do Tolkien que se enquadra na perfeição na frase que eu joguei para o ar.
Há escritores e escritores, alguns bons e otros maus, outros que nem vale a pena referir. Tolkien por vezes cria diálogos extensos, onde os próprios personagens tomam o lugar do narrador, descrevendo as façanhas porque passaram, os cenários que viram, etc. Contudo, o Tolkien não tende a ser realista nem plausivel, os seus personagens vivem num mundo mistico e lendário e absorvem eles próprios a dimensão de lenda em certos aspectos. Basicamente a forma de como faz jus esta artimanha, é bastante criativa, definindo-lhe um modelo bastante próprio.
Nada tem que ver com um escritorzeco de meia tijela (perdoem-me o termo) que, ao não saber fazer descrições satisfatórias, coloca nos dialogos dos personagens mais informação que aquilo que deveria - só para o burro do leitor compreender logo aquilo que ele quer "mostrar" mas não consegue.
Nunca li Shakespeare, mas duvido que este se possa enquadrar no exemplo anterior.

Citação de: ruiramos
Onde achas que os antepassados iam buscar inspiração para as suas sagas? Aos sonhos e às alucinações induzidas por meditação durante os seus ritos secretos em locais especiais.
Também, mas não só. De facto pouco ou nada sabemos sobre a origem dos mitos, mas a verdade é que na sua maioria procedem de uma necessidade de explicação daquilo que parece inexplicável, outras vezes da necessidade de explicação de hábitos quotidianos cujas origens se perderam no tempo. São "povos sem história, que vivem num eterno presente" parafraseando o que me lembro dum historiador que li. Se perdessemos os registos da nossa história e não tivessemos acesso a uma sociedade tecnologica, iriamos ter que especular bastante sobre o estranhissimo facto do Sol nascer e "morrer" todos os dias, ou das plantas nascerem da terra, ou de como é que os nossos antepassados tinham inventado o simples acto de pescar (foi o deus X que desceu à Terra e ensinou o primeiro homem a fazer tudo isso. Não se vê logo!? ;D)
Contudo não te tiro a razão: os sonhos sempre foram vistos, entre quase todas estas culturas, como mensagens do Além e as drogas como elementos de mediação entre o sagrado e o profano (portanto se bebes muito vinho, ficas sobre o dominio de Dionisio, que como deus espirituoso e inconsequente que é, te rouba a sensatez).

Se gostas de religioes misticas, posso-te indicar alguns livros que li - nada de especulações nem nada do género, estou a falar mesmo de estudiosos que se dedicam a estudar estes cultos.

Um Abraço
« Última modificação: Novembro 27, 2010, 07:09:47 am por Matraquilho »

Offline Smirlah

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #17 em: Novembro 27, 2010, 07:59:17 am »
Citação de: Smirlah
Eu cá admiro bastante alguns dos autores que conseguem afastar-se desse preconceito; porque este é isso mesmo, um preconceito. Então não houveram sociedades durante e antes da nossa (europeus) época medieval que eram mais avançadas do que a nossa? Sejam eles gregos, romanos, chineses, japoneses ou outros. Porque motivo é que a fantasia tem de se prender à nossa época medieval? Então não pode haver uma sociedade com um comportamento ''avançado'' mas tecnologia 0? Ou uma sociedade com comportamento 0 e tecnologia avançada?
É um processo sui generis. Não sou nenhum doutor de história das mentalidades, mas uma coisa te posso dizer: mentalidade e tecnologia andam agarradissimas. Pensa por exemplo no caso dos direitos humanos, que não é um conceito (digamos assim) recente, mas que só muito recentemente se tem levado à pratica: já imaginaste uma civilização sem industrialização e ao mesmo tempo anti-esclavagista? Na fantasia pode haver, na realidade tal coisa é impossivel. Não é que os antigos não se preocupassem com isso, é mais o facto de tal coisa não se poder enquadrar no paradigma da época. Para corroborar a ideia de que os direitos humanos sempre existiram em teoria, peguemos no exemplo da Igreja que sempre falou na "Paz de Deus", sempre considerando na sua génese filosófica que todos os humanos eram iguais perante Deus. Contudo, todos sabemos que durante certos periodos teve que colocar uma pedra sobre a sua filosofia e recorrer a métodos brutais como as Cruzadas ou a Santa Inquisição. Não a tomemos por contraditória ao tê-lo feito, tudo isso surgiu como resposta a realidades especificas.
Então e a lei do morgadio: porque existiu e porque já não existe? Porque a sociedade necessitou dela para não perder o seu protagonismo, mas actualmente já não precisa. Da lei sálica poderemos dizer o mesmo.
Mas onde quero eu chegar: a fantasia na sua génese criacionista não se deve afastar daquilo que a realidade nos mostrou ou mostra. Não é para mim comestivel se assim for. Se pretendo criar um cenário pseudo-medieval, posso inventar muito muito muito muito, posso por dragoes, duendes, coisas bizarras e em certos aspectos desenquadradas etc, mas convém que em contrapartida também crie uma "sociedade credivel" onde possam morar os meus herois, tendo ao mesmo tempo uma boa interacção com a mesma.
Assim penso eu.

Mas a questão é que o cenário não precisa de ser pseudo-medieval.

Nem precisa de seguir a mesma história que a nossa humanidade.

E quanto à mentalidade e a tecnologia... volto a dar o exemplo dos gregos e romanos.

E todos sabemos que o período medieval foi precisamente um ''retrocesso'' na mentalidade humana para aquilo pelo qual a Europa já tinha passado; e creio que mesmo nesse tempo, antes da expansão, os escravos não eram assim tão comuns.

Mas o ponto nem é se têm ou não escravos e não é isso que define mentalidade ''evoluída''.

A questão é parece-me perfeitamente possível que se crie um mundo que seja evoluído em certos pontos e noutros não, ou com outras coisas que compensem tal. O que é preciso é que se faça tal de uma forma consensual e racional.
A Fantasia é precisamente o género que nos vai permitir deitar a mão à imaginação e daí extrair algo novo, original e consensual em todos os sentidos. Limitar a Fantasia à época medieval ou pelo menos ao seu modo de vida e conceitos é, como creio que o rui já disse, pura e simplesmente confinante.

Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #18 em: Novembro 27, 2010, 19:42:48 pm »
Matraquilho, compreendo perfeitamente a tua posição e há uns tempos atrás até concordava com ela:

Quanto maiores forem os teus conhecimentos mais apto te podes tornar para contar histórias.

No passado os contadores de histórias eram os homens sábios da aldeia. Aqueles que falavam com os deuses, percebiam os fenómenos da natureza (os ciclos das estações, da fertilidade, etc), preservavam a memória e tradições da sua cultura.

Actualmente, os escritores são descendentes (por vezes, degenerados) desses homens sábios.

Os conhecimentos que se adquirirem através de pesquisa e experiência pessoal, vão com certeza enriquecer bastante uma obra literária, contudo, existem outras, muito boas, onde conhecimentos detalhados científicos, históricos, político-sociais, culturais, não interessam, só atrapalham.

Uma história pode muito bem ser a narração de alguma coisa digna de registo que te aconteceu (um prémio que ganhaste, um sonho maluco, um filho que fizeste, uma experiência alucinogéna depois de teres fumado umas boas brocas, o que seja) sem que para isso necessites de falar da crise sócio-económica que atormenta o mundo Ocidental ou precisares de fazer um enquadramento histórico do país onde a acção vai decorrer, ou ainda, que detalhes os hábitos culturais da sociedade.

Se vais falar de um período histórico concreto, é bom que faças pesquisa histórica. Agora se estás no domínio da Fantasia, podes adaptar essa pesquisa ao teu universo, claro, mas não faz sentido estares a exigir que todos os autores de fantasia façam o mesmo que tu.

Eu por exemplo, fujo da fantasia medieval como o diabo da cruz, as fantasias que mais gosto actualmente giram à volta do surrealismo: Shaun Tan, Afonso Cruz, por exemplo. O Grande Peixe, de Tim Burton, é o filme que me define (eu revejo-me totalmente naquele pai moribundo que criou toda uma mitologia à volta do nascimento do seu filho, genial). É tudo fantasia e nada têm haver com a época medieval.

A imaginação não tem limites, não a espartilhes com ideias feitas. Aprendi isto com um mestre contador de histórias peruano. Ele ensinou-me um truque que me fez saltar a tampa. Daí defender tão fervorosamente as maravilhas da imaginação sobre os conhecimentos enciclopédicos no que toca à narração de uma história ficcional.

Conta o que quiseres da forma como quiseres, só não sejas tão rápido a julgar o trabalho dos outros autores por terem prioridades diferentes.

Cabe a cada um encontrar a forma que mais lhe agrada para contar as suas histórias.

E já agora, não vejo como uma menor valia, recorrer a diálogos para contar as aventuras da personagens. Até é uma forma bastante engenhosa de o fazer, se for bem feito claro. Até me deste uma ideia para um conto. ;)

Para terminar. Lê Shakespeare: Hamlet (intriga e conspiração palaciana), Otelo (intriga, ciúme), Rei Lear (ainda não li), a Tempestade (feitiçaria mais intriga), Macbeth (feitiçaria, traição, conspiração, usurpação, assassínio), Henrique V (épico, bélico, glorificação da batalha), tanto faz, mas lê. Para além de ser uma obra literária de excepção e te cultivares como pessoa, despertas a imaginação para mundos sem fim. Macbeth por exemplo, inspirou-me para uma BD que tenho na gaveta à espera de vez para arrancar.

Offline DreamGazer

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #19 em: Dezembro 17, 2010, 20:19:12 pm »
O Magnus realmente reuniu listas diversas e interessantes, e embora não concorde com algumas dicas, respeito-as e percebo que a mesma coisa não funciona para todos os escritores. Maioritariamente estou em sintonia com o Jorge Candeias.

Noutra nota, tenho de concordar com o Matraquilho quando menciona os diálogos que não são mais que info-dump. Um bom escritor consegue dar as informações sem a necessidade de diálogos longos e pouco naturais, que mais parecem narrações do que diálogos.
Em muitos clássicos faziam isso,e  se bem empregue, pode funcionar (lembro-me do Sherlock Holmes), mas na maioria dos casos deteriora o nível dos textos e torna os diálogos pouco credíveis.
Se bem que, enquanto escritora (amadora), já me deparei com situações em que não havia mesmo maneira de contornar isso. Nesses casos, acho que a moderação é a palavra de ordem. Desde que não seja tipo "cassete" (blá, blá, blá e mais blá), as coisas podem funcionar, mas grande parte dos casos que conheço, não resultam bem.

Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #20 em: Dezembro 17, 2010, 22:18:42 pm »
  se bem empregue, pode funcionar

Agora disseste tudo.

Se bem empregue, qualquer coisa pode funcionar e normalmente é assim que os bons se destacam dos medianos.

Lá porque conheces muitos maus exemplos da utilização de determinada técnica, não quer dizer que esta seja má, apenas indica que conheces exemplos pouco talentosos.




Offline DreamGazer

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #21 em: Dezembro 17, 2010, 23:46:47 pm »
  se bem empregue, pode funcionar

Agora disseste tudo.

Se bem empregue, qualquer coisa pode funcionar e normalmente é assim que os bons se destacam dos medianos.

Lá porque conheces muitos maus exemplos da utilização de determinada técnica, não quer dizer que esta seja má, apenas indica que conheces exemplos pouco talentosos.

Nota que eu disse que "pode funcionar" e não que acho que seja a melhor forma.
Convenhamos, nenhuma pessoa normal (ou sequer anormal) tem um diálogo (quase monólogo) em que narra as coisas como se fosse um livro. Os diálogos, para mim, têm de parecer naturais (de acordo com cada personagem).
A verdade é que se aguenta alguns diálogos desses, mas isso não quer dizer que ache uma boa prática. É de evitar, pois por mais que funcione, não se torna  natural e assim é de evitar.

Mas bem, opiniões são válidas, e se há quem goste, então muito bem. Mas. para mim, diálogos têm que parecer naturais e ajustados, e não estarem lá simplesmente para substituir o narrador.

Offline Madahtahi

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #22 em: Dezembro 18, 2010, 01:03:39 am »
Convenhamos, nenhuma pessoa normal (ou sequer anormal) tem um diálogo (quase monólogo) em que narra as coisas como se fosse um livro.

já leste o The Fall do Camus?
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Matraquilho

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #23 em: Dezembro 18, 2010, 03:07:35 am »
Se bem que, enquanto escritora (amadora), já me deparei com situações em que não havia mesmo maneira de contornar isso. Nesses casos, acho que a moderação é a palavra de ordem. Desde que não seja tipo "cassete" (blá, blá, blá e mais blá), as coisas podem funcionar, mas grande parte dos casos que conheço, não resultam bem.
Também eu muitas vezes me deparo com situações identicas, situações como por exemplo uma determinada informação ser necessária para despoletar um certo diálogo. Nesses casos eu tento sempre voltar a trás e procurar um bom local para colocar essa informação, ou mesmo colocá-la na voz do narrador - se a informação for longa e nem toda ela necessaria, talvez seja boa hipótese subdividi-la e espalhá-la tanto pelo diálogo, como pelo narrador e ainda deixar alguma de fora que pode ser colocada tanto antes da situação de diálogo como depois (se a informação não for necessária à comprensão isso não fará mal nenhum, o leitor até gosta de criar um puzzle mental). Por ex:

O João vem da escola, a ultima aula que teve foi de História de Arte, e depois da escola foi jogar snooker com os amigos - mas para a situação X basta apenas que se saiba que ele vem da escola e a aula que teve, de modo a despoletar um diálogo.

R: Facilmente se introduz a informação que ele veio da escola na voz do narrador e um comentário do personagem do género "Raios partam aquel professor de História de Arte, que não percebe nada daquilo!" - o tipico comentário de adolescente a dizer mal dos profes.

Se entertanto aparecer por exemplo uma situação em que a mãe o chateia por ter chegado tarde e em que é necessário explicar onde ele passou esse tempo, facilmente se pode explicar através de um diálogo anterior ou uma resposta de que esteve a jogar snooker.

Foi um exemplo dado à pressa, espero que ajude.
 ;)

Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #24 em: Dezembro 18, 2010, 04:01:20 am »
  se bem empregue, pode funcionar

Agora disseste tudo.

Se bem empregue, qualquer coisa pode funcionar e normalmente é assim que os bons se destacam dos medianos.

Lá porque conheces muitos maus exemplos da utilização de determinada técnica, não quer dizer que esta seja má, apenas indica que conheces exemplos pouco talentosos.

Nota que eu disse que "pode funcionar" e não que acho que seja a melhor forma.

Eu sei o que disseste e usei as tuas palavras para te dizer que, apesar de seres reticente, existem muitos bons exemplos de autores que fazem maravilhas com aquilo a que chamas defeito ;)

Acho que devias dar uma olhadela ao conselho do Madahtahi, é um bom exemplo de um livro que consiste em monólogos.

Existem outros que mais não passam de diálogos, monólogos ou discursos.

Tudo o que estou a tentar dizer-te é que não te constranjas a preconceitos. Não te limites. Existe muita literatura para descobrir, muitas maneiras de contar histórias.

Citar
Convenhamos, nenhuma pessoa normal (ou sequer anormal) tem um diálogo (quase monólogo) em que narra as coisas como se fosse um livro.

Sinceramente, não sei a que livro em particular estás a referir-te, pois vejo que te causou má impressão.

Mas posso garantir-te que é possível ter um monólogo ou diálogo na vida real em que uma pessoa conta aquilo que lhe aconteceu a si ou a outros, ou eu não fosse um narrador oral habituado a uma plateia (tens que assistir a uma das minhas sessões de contos ;) sim é um convite).

Nunca ouviste a narração de um acontecimento qualquer de um amigo teu? Um acidente, uma operação, uma vitória ou derrota? Porque motivo não se hão de escrever livros apenas baseados em diálogos de café? Em que o narrador vai mudando conforme o orador?

Se a história merece ser contada, não importa a forma, nem quem o narrador.

Citar
Mas bem, opiniões são válidas, e se há quem goste, então muito bem. Mas. para mim, diálogos têm que parecer naturais e ajustados, e não estarem lá simplesmente para substituir o narrador.

Compreendo o que dizes, tiveste acesso a maus exemplos mas gostava que não te deixasses toldar por preconceitos formados a partir de más experiências.

Offline DreamGazer

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #25 em: Dezembro 18, 2010, 05:15:45 am »
Madahtahi, não li, mas já ouvi falar. Talvez um dia o leia.

ruiramos, tive maus exemplos sim, mas nem é só por aí. Deste um exemplo de um amigo me estar a narrar um episódio qualquer, e sim, isso é natural, o que não é natural é estarem a narrar aquilo como se fosse uma narrativa tipo novela. Ou seja, vou dar dois exemplos (podem ser maus, mas tenta seguir a minha lógica):
- "Não vais acreditar no que me aconteceu hoje? Encontrei o Pedro na rua, e acreditas que ele andava outra vez com a sonsa da Rita? E ela ainda teve a lata de me dizer que eu estava mais gorda. Grande besta!"
- "Vou-te contar o que aconteceu hoje. Estava a passear pela cidade, perto da fonte romana, esculpida em mármore branco, manchada pela água corrente e cagada pelos pombos citadinos, quando do outro lado vi o Pedro, a passear de mão dada com a sua ex-namorada. Uma cabra do pior! Aproximei-me, para os cumprimentar e ele sorriu e abraçou-me assim que me viu. Senti borboletas no estômago, mas a cabra estragou logo o momento quando abriu a boca e disse: 'Engordaste, Camila?'. Corei, e só tive vontade de lhe plantar um estalo na cara."

São exemplos feitos à presa, por isso não repares na qualidade, mas acho que a mensagem passa.
O primeiro foi conciso e natural, enquanto que o segundo foi demasiado descritivo e não pareceu ser diálogo. Claro que também depende do cenário, e é óbvio que este tipo de diálogo não faria sentido numa conversa séria, mas o segundo exemplo, parece-me, não funcionaria bem em nenhum caso.

Por exemplo, gostei das poucas aventuras que li do Sherlock Holmes, que faz muito uso do diálogo para narrar certos acontecimentos, e aí confesso que foi uma das poucas vezes em que "suportei" a técnica, mas mesmo assim não gostei. Ou seja, li e desfrutei igualmente dos contos, mas essa forma e contar a história impediu-me, de certa forma, de desfrutar ainda mais do conto. Entende?

Mas bem, não me quero estar a repetir, e é como digo, há quem goste de diálogos filosofais, de duas páginas, e que nunca pudessem ter lugar numa conversa normal. Mas eu não gosto. São gostos, que se há de fazer.

Offline ruiramos

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #26 em: Dezembro 18, 2010, 20:48:50 pm »
Confesso que nunca li nenhum livro que se assemelhasse ao teu 2º exemplo. Se alguma vez cruzaste com um texto assim, só posso dar-te os meus pêsames.

Pela forma como atacaste esta técnica (recurso do diálogo) era óbvio que tinhas realmente sofrido algum "trauma literário".

Por isso te disse desde logo, que há muitos outros bons exemplos.

Lê Shakespeare (a Tempestade, Macbeth, Otelo, Hamlet, Rei Lear). Tudo não passa de diálogos, escritos com mestria.

Offline Martin Braun

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #27 em: Dezembro 19, 2010, 03:01:35 am »
Madahtahi, não li, mas já ouvi falar. Talvez um dia o leia.

ruiramos, tive maus exemplos sim, mas nem é só por aí. Deste um exemplo de um amigo me estar a narrar um episódio qualquer, e sim, isso é natural, o que não é natural é estarem a narrar aquilo como se fosse uma narrativa tipo novela. Ou seja, vou dar dois exemplos (podem ser maus, mas tenta seguir a minha lógica):
- "Não vais acreditar no que me aconteceu hoje? Encontrei o Pedro na rua, e acreditas que ele andava outra vez com a sonsa da Rita? E ela ainda teve a lata de me dizer que eu estava mais gorda. Grande besta!"
- "Vou-te contar o que aconteceu hoje. Estava a passear pela cidade, perto da fonte romana, esculpida em mármore branco, manchada pela água corrente e cagada pelos pombos citadinos, quando do outro lado vi o Pedro, a passear de mão dada com a sua ex-namorada. Uma cabra do pior! Aproximei-me, para os cumprimentar e ele sorriu e abraçou-me assim que me viu. Senti borboletas no estômago, mas a cabra estragou logo o momento quando abriu a boca e disse: 'Engordaste, Camila?'. Corei, e só tive vontade de lhe plantar um estalo na cara."

São exemplos feitos à presa, por isso não repares na qualidade, mas acho que a mensagem passa.
O primeiro foi conciso e natural, enquanto que o segundo foi demasiado descritivo e não pareceu ser diálogo. Claro que também depende do cenário, e é óbvio que este tipo de diálogo não faria sentido numa conversa séria, mas o segundo exemplo, parece-me, não funcionaria bem em nenhum caso.

Por exemplo, gostei das poucas aventuras que li do Sherlock Holmes, que faz muito uso do diálogo para narrar certos acontecimentos, e aí confesso que foi uma das poucas vezes em que "suportei" a técnica, mas mesmo assim não gostei. Ou seja, li e desfrutei igualmente dos contos, mas essa forma e contar a história impediu-me, de certa forma, de desfrutar ainda mais do conto. Entende?

Mas bem, não me quero estar a repetir, e é como digo, há quem goste de diálogos filosofais, de duas páginas, e que nunca pudessem ter lugar numa conversa normal. Mas eu não gosto. São gostos, que se há de fazer.

Se queres que te diga, esse segundo exemplo não me desagradou de todo ;) Adorava escrever sobre uma personagem que falasse assim! ;D
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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #28 em: Dezembro 19, 2010, 07:05:31 am »
Já há algum tempo que não passava por aqui. Resolvi fazer uma pausa (nos meus planos de domínio mundial) e ler as várias opiniões dos intervenientes de tão animado (divertido, e isso) debate.

Em relação aos conselhos para se escrever (escrever, porque quem dá conselhos acerca de como se deve "escrever bem", à partida, é possuidor de uma certa presunção que talvez deva ser analisada... por um profissional entendido em demências), bem... em relação a isso, direi apenas três coisas no fim.

Para não ser maçador, só vou mencionar por alto algumas partes do debate que achei particularmente interessantes (sinónimo intelectual para "divertidas").

(foi o deus X que desceu à Terra e ensinou o primeiro homem a fazer tudo isso. Não se vê logo!? ;D)

Certo. A existência de uma certa devoção até me afaga o ego, mas eu não sou um deus (sou apenas genial, com o bónus de também ser giro).


Ou seja, vou dar dois exemplos (podem ser maus, mas tenta seguir a minha lógica):
- "Não vais acreditar no que me aconteceu hoje? Encontrei o Pedro na rua, e acreditas que ele andava outra vez com a sonsa da Rita? E ela ainda teve a lata de me dizer que eu estava mais gorda. Grande besta!"
- "Vou-te contar o que aconteceu hoje. Estava a passear pela cidade, perto da fonte romana, esculpida em mármore branco, manchada pela água corrente e cagada pelos pombos citadinos, quando do outro lado vi o Pedro, a passear de mão dada com a sua ex-namorada. Uma cabra do pior! Aproximei-me, para os cumprimentar e ele sorriu e abraçou-me assim que me viu. Senti borboletas no estômago, mas a cabra estragou logo o momento quando abriu a boca e disse: 'Engordaste, Camila?'. Corei, e só tive vontade de lhe plantar um estalo na cara."

São exemplos feitos à presa, por isso não repares na qualidade, mas acho que a mensagem passa.
O primeiro foi conciso e natural, enquanto que o segundo foi demasiado descritivo e não pareceu ser diálogo. Claro que também depende do cenário, e é óbvio que este tipo de diálogo não faria sentido numa conversa séria, mas o segundo exemplo, parece-me, não funcionaria bem em nenhum caso.

Ahah! Aqui tenho mesmo de ser ligeiramente parcial e concordar com... o Martin Braun.
Mantendo o mesmo registo de escrita, as poucas linhas do segundo exemplo descreveram a personagem muito melhor do que, provavelmente, seria possível descrever a personagem do primeiro exemplo num capítulo inteiro. Eu considerei que as personagens dos dois exemplos são diferentes, porque a minha percepção (sinónimo disfarçadamente modesto para "genialidade literária") as identifica como claramente distintas. Numa radiografia breve:
Primeiro exemplo: personagem superficial, sem grande profundidade psicológica nem interesse aparente (plana mesmo).
Segundo exemplo: personagem nitidamente mais profunda, apesar da trivialidade do assunto, provavelmente obsessiva-compulsiva (a descrição de pormenores do cenário serve mais para identificar a desordem da sua personalidade do que propriamente para identificar a ordem do cenário), completamente esganada de nervos perante a situação que presenciou.
Além disso, já que falamos de "sugestões" de escrita, estes dois exemplos servem perfeitamente para demonstrar a velha máxima "show, don't tell" (eu podia dizer em português, mas em inglês é simplesmente mais fixe). Fazendo a devida distinção, o primeiro exemplo é mais tell, e o segundo é mais show.

Pronto, não me vou alongar em mais citações (porque ainda tenho de ir ali ordenar que o meu Igor accione a alavanca do temível mecanismo do apocal... ops!... é para ser surpresa).

Mas, antes de me sumir por via de artes estranhas (portanto, fechar a página do fórum), ainda considero apropriado fazer notar que me parece haver alguma confusão entre duas coisas bastante distintas; uma coisa é tornar a escrita legível, e outra é tornar as personagens compreensíveis. É possível pegar numa personagem simples e torná-la de compreensão atroz por via de uma escrita mal estruturada (ilegível). Do mesmo modo, é possível pegar numa personagem complicada e fazer o leitor esquecer-se da necessidade de a "compreender", através de uma linguagem que possua a poesia límpida das coisas simples.

Na escrita, como na vida, é necessário ter presente uma ideia bastante útil: apesar de genericamente iguais, as pessoas possuem subtilezas que as tornam efectivamente diferentes. Nesse sentido, a mensagem de um texto literário imaginado por um escritor é muito semelhante à mensagem que se encontra na fala de uma pessoa real, pois a transmissão da ideia depende, em grande parte, da capacidade do transmissor, pois não se pode partir do princípio que todos os receptores são bons entendedores, e que meia palavra basta.

Para terminar, as três coisas que prometi dizer no que respeita a conselhos para escrever. É o seguinte:

...
« Última modificação: Dezembro 19, 2010, 07:12:26 am por x »
assinatura: X (que foi? já num se pode ser analfaberto, é?)

Offline DreamGazer

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Re: Escrita Criativa – Conselhos e Dicas
« Responder #29 em: Dezembro 19, 2010, 19:24:08 pm »
X,
Tenho que discordar numa coisa, se me permites. Claramente, o meu segundo exemplo é que é "tell" e não "show" como mencionas. Aliás, dificilmente poderia ser mais "tell" do que isso.
Um claro "show" seria o narrador dizer, por exemplo, que a personagem estava abatida depois de dizer a primeira frase, e parecia perdida em pensamentos. Isso transmitiria igualmente a mensagem e não estaríamos "descaradamente" a dizê-lo ao leitor por meio de diálogos pouco naturais.

E embora perceba o teu raciocínio, a minha ideia mantém-se que, o segundo tem pormenores absolutamente irrelevantes (além de que ninguém fala assim).


Concordo com a tua parte final (quando falas de personagens), mas acho que te esqueceste de colocar os três conselhos.  ;D