Autor Tópico: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada  (Lida 5274 vezes)

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Offline Ammar Ibn Khairin

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É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« em: Outubro 10, 2011, 02:14:41 am »


É de Noite que Faço as Perguntas é, em simultâneo, o fresco poético de época, um ensaio filosófico pungente e uma banda desenhada ímpar

É de Noite Que Faço as Perguntas é uma história que parte da cronologia e dos factos históricos pertencentes ao período da primeira república portuguesa para se apresentar como uma poderosa observação sobre a vida, a política e o modo como ambas se influenciam. Mergulhado num regime autocrático, de natureza indefinida, em meados do século XX, um pai tenta recuperar o filho, caído no seio do partido, escrevendo-lhe as memórias que experimentou nos anos da primeira república: tempo em que o ideal de cidadania era a participação activa e não o recolhimento sob o jugo ditatorial. Escrito por David Soares e desenhado por Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara, É de Noite Que Faço as Perguntas é, em simultâneo, um poético fresco de
época, um ensaio filosófico pungente e uma banda desenhada ímpar.


Nota: Se necessário a Adm/mod que removam para uma nova board se for caso disso ;)



Offline Ammar Ibn Khairin

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #1 em: Outubro 10, 2011, 02:20:00 am »
É de Noite que faço as Perguntas - Crítica no Público
A partir de factos históricos da Primeira República, David Soares teceu uma história sólida e absolutamente contemporânea, desenhada a muitas mãos com talento e inteligência. O livro É de Noite Que Faço as Perguntas sai com atraso considerável em relação à efeméride que lhe serviu de ponto de partida, mas a espera valeu a pena. Excelente obra, como é (infelizmente) raro encontrar hoje na banda desenhada portuguesa.


Prémios Nacionais de Banda Desenhada: nomeações para "É de Noite Que Faço as Perguntas"

É de Noite Que Faço as Perguntas está nomeado para dois Prémios Nacionais de Banda Desenhada (Amadora BD): Melhor Álbum Português e Melhor Argumento de Autor Português.

Para seguir no blogue Os Cadernos de Daath:
http://cadernosdedaath.blogspot.com/2011/09/premios-nacionais-de-banda-desenhada.html

 




 

Offline Ammar Ibn Khairin

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #2 em: Outubro 10, 2011, 22:44:51 pm »
É de Noite que faço as Perguntas - crítica no blogue As Leituras do Pedro
 

Chega hoje às livrarias o álbum "É de noite que faço as perguntas", numa bela edição da Saída de Emergência, na qual o (também) romancista David Soares revisita a génese da Primeira República, partindo da sua cronologia e dos factos históricos para desenvolver uma observação sobre a vida, a política e o modo como ambas se influenciam.

Passado num tempo indefinido, em que o nosso país está sob uma ditadura asfixiante, que coarcta qualquer forma de liberdade ou de expressão, a história tem como base uma carta escrita por um pai a um filho que há muito não vê, adivinhando-se que a falta de comunicação e algumas escolhas levaram a esse afastamento. Contando a sua própria relação com o seu pai (avô do filho), o homem - creio que não involuntariamente - de alguma forma traça um paralelo entre o percurso dos dois, tentando mostrar como o filho está a repetir os erros que ele já cometera. Como tempo da acção, David Soares escolheu o período que conduziu à implantação da Primeira República em Portugal e os anos que se lhe seguiram até ao início do Estado Novo, partindo da sua cronologia e dos factos históricos para desenvolver uma observação sobre a vida, as relações, a política e o modo como se influenciam.

Esta escolha surgiu porque este álbum é resultado "de um convite conjunto do Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem da Amadora e da Comissão Nacional Para as Comemorações do Centenário da República, que tinha como objectivo criar uma banda desenhada que contasse a história da Primeira República portuguesa". No entanto, revelou o escritor, "desde o início que foi intenção de todos os envolvidos não incorrer num registo "pedagógico", normalmente associado a trabalhos desta natureza, mas num mais contemporâneo, mais sofisticado". Propósito plenamente conseguido, pois os factos históricos surgem como elementos coerentes da narrativa principal, que ajudam a situar e a explicar a acção.

Por isso, apesar de ser uma "encomenda, trabalhar neste álbum foi maravilhoso porque tive liberdade absoluta para escrever a história que achasse mais indicada". Dessa forma, acrescenta, este livro "não se distancia em muitos graus dos meus restantes trabalhos, sendo mais um ensaio que questiona conceitos como liberdade, democracia, autoritarismo e livre-arbítrio, do que "apenas" uma história sobre o período da nossa primeira república".
Aos temas indicados pelo argumentista, poder-se-ão também acrescentar outros, que suscitam igualmente reflexão demorada: a inevitabilidade da guerra apesar da sua inutilidade, a importância da informação - da sua busca, da sua disponibilização, da sua partilha -, a necessidade de entendimentos - a nível pessoal tanto quanto a outros níveis mais alargados -, a omnipresença televisiva em detrimento da comunicação pessoal, a necessidade (histórica) de cortes (aparente mas enganadoramente) bruscos com o passado, apesar da linearidade da passagem do tempo.

O desenho foi entregue a "cinco desenhadores, cujo trabalho admiro", pois "considerou-se que deveria mostrar novos grafismos e novos artistas". Apesar disso, de já terem dado (outras) provas noutros registos gráficos, de haver claramente diferenças - em termos de segurança, à-vontade, traço, sequência... - entre eles, há uma assinalável homogeneidade gráfica entre as pranchas de Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara. Isto acontece quer em termos cromáticos, quer em termos de estilo, o que contribui para que a leitura se faça sem quebras, que o relato, em que predomina um tom intimista, que propõe/impõe silêncios reflexivos, não pede.

Agora, com a edição finalmente disponível nas livrarias e com o distanciamento que o tempo permite, o autor de "O Evangelho do Enforcado" e "Lisboa Triunfante" considera-o "um álbum importante" pois, "ao mesmo tempo que dá a conhecer um período crucial da nossa história, muitas vezes tão mal entendido, ainda coloca questões cada vez mais pertinentes nos tempos em que vivemos".
Depois de os seus originais terem estado expostos no AmadoraBD 2010, o álbum terá uma sessão oficial de lançamento na edição deste ano do festival, em Outubro próximo.

Para seguir no blogue As Leituras do Pedro.
 
http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2011/09/e-de-noite-que-faco-as-perguntas.html

Offline Ammar Ibn Khairin

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #3 em: Outubro 18, 2011, 04:02:08 am »
É de Noite que faço as Perguntas, recebe a atenção da revista LER
Para ler aqui.


http://www.saidadeemergencia.com/index.php?page=Articles.ArticleView&article_id=1080&SSID=h8tb14o5u6m69aaekmfhjfv164

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #4 em: Outubro 18, 2011, 04:05:35 am »
É de Noite que faço as Perguntas - Crítica no Jornal de Letras

 

Concebido por David Soares o livro é uma meditação sobre a República, preparado a propósito do centenário da sua implantação. Ao longo de vários episódios um pai-narrador propõe-se transmitir a um filho ausente enamorado com o Estado Novo uma espécie de legado: a memória desiludida de como o desejo de liberdade na República originou o conforto da opressão salazarista. É de noite que faço as perguntas é uma livro interessante logo aí, por não se deter no tom celebratório, mas na amargura que compõe o reverso da medalha. Nas efemérides o contraponto é sempre útil, mesmo que tão parcial quanto o ponto, e, desse ponto de vista, é pena que o livro não tenha saído antes.

O tom meditativo usado nesta banda desenhada parece aplicar-se a qualquer outra revolução que não tenha cumprido integralmente ideais, ou seja todas. Para muitos leitores pode ser mesmo inevitável senti-la enquanto elegia ao 25 de Abril, atrasada no tempo. Mas também podia ser sobre a Revolução Francesa, ou a Americana, ou... O facto de no livro a mensagem não passar, e o legado se revelar inútil, pode representar isso mesmo.

É de noite que faço as perguntas divide-se em episódios confiados a distintos desenhadores. Os temas abordados vão do regicídio à nomeação de Oliveira Salazar para a pasta das finanças, passando por toda a turbulência intermédia que inclui a Primeira Guerra Mundial ou a ditadura de Sidónio Pais. Mas David Soares pesquisa mais fundo, tenta traçar um retrato mental do país com elementos que incluem o Ultimato inglês (notável o uso dos penicos debaixo da cama), as viagens de Sacadura Cabral e Gago Coutinho (encaradas enquanto uma espécie de "Descobrimentos, série B"), ou marcos culturais como o Orpheu. O ritmo oscila entre o onírico-simbólico e a narratividade mais linear, sendo que o segundo dispositivo serve sobretudo para acompanhar a evolução do protagonista, enquanto o primeiro pontua a mutação paralela do país. A utilização de simbolismo é aqui muito eficaz a resumir estados de alma em cada um dos capítulos com um mínimo de espaço. Noutros tipos de obras poderia resultar pesado, vago ou ostentatório; neste caso, não só resulta em pleno, como é essencial, considerando a condensação temporal que se pretende. Nesse particular sente-se o espírito de uma das grandes influências de Soares em BD, o inglês Alan Moore. Falta, no entanto, um elemento fundamental deste último: as detalhadas notas finais que em obras como From Hell contextualizavam o contexto histórico e decifravam as várias citações (gráficas e narrativas) mais ou menos escondidas em cada página. De facto, É de noite que faço as perguntas também se pode considerar um exercício de decifração para o leitor, embora (e a ressalva é crucial) resista muito para além disso; mesmo que não se compreendam algumas referências o "spleen" é palpável. E para tal contribui sobremaneira um trabalho gráfico excelente, dos melhores que tenho visto numa obra coletiva. Encarregando-se de diferentes episódios, Jorge Coelho, João Maia Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara conseguem transmitir uma unidade global à obra, mantendo-se ao mesmo tempo perfeitamente individualizados na caraterização gráfica de cada um dos momentos/andamentos escolhidos pelo argumentista. Ao contrário do que sucede noutros livros com estas caraterísticas, aqui não há elos fracos.

Fugindo a expetativas É de noite que faço as perguntas é um livro que vale a pena ler, decifrar, discutir.

Para seguir no blogue do Jornal de Letras.

http://aeiou.visao.pt/legado=f626369


Epa com tantos post já merecia um exemplar  ;D

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #5 em: Outubro 19, 2011, 19:56:21 pm »
E de Noite que faço as Perguntas - Crítica no Diário As Beiras.pt
 

Em termos de exposições, um dos pontos altos da edição de 2010 do Festival de Banda Desenhada da Amadora, foi a mostra dedicada ao livro "É de noite que faço as Perguntas", projecto inserido nas comemorações do Centenário da República, em que David Soares coordena um grupo de cinco desenhadores, numa viagem plena de simbolismo pelos anos da primeira república. Precisamente um ano depois do inicialmente previsto, eis que o livro chega finalmente às livrarias, numa aposta corajosa (depois da overdose de edições sobre a República em 2010 e inícios de 2011, será que ainda há espaço nas livrarias para mais um livro sobre a República...) da Saída de Emergência, editora que assim se estreia finalmente na BD. Embora actualmente se dedique mais ao romance do que à Banda Desenhada, David Soares tem trabalho feito (e muito bem feito) na BD, como argumentista e como autor completo, pelo que o convite da Amadora para escrever este livro, fez todo o sentido. A história, cuja acção decorre em Lisboa, em meados do século XX, sob um regime autocrático indefinido, mas cujas semelhanças com o Estado Novo salazarista são mais do que pura coincidência, parte das memórias da primeira república que um pai lega ao filho, numa carta que nunca chegará a enviar. Se as sequências, inicial e final, são ilustradas por Richard Câmara num estilo quase esboçado, em contrate com o estilo realista dos restantesdesenhadores, os diferentes episódios narrados pelo pai, são ilustrados cada um por diferentes desenhadores. Assim, Jorge Coelho ilustra o período antecedente à implantação da República, desde o ultimato inglês de 1890 até ao assassinato do Rei D. Carlos, João Maio Pinto fica com o período da República, André
Coelho com a 1ª Guerra Mundial e Daniel da Silva com o episódio final, em que os ideais da república dão lugar à realidade sombria do regime salazarista. Embora nem todas as referências sejam facilmente perceptíveis para quem não conheça bem a história do período em causa (nesse aspecto, uma cronologia e umas notas de enquadramento no final do livro seriam de grande utilidade), a
história está muito bem construída e revela o rigor da pesquisa habitual em David Soares, que soube muito bem escolher os seus colaboradores. Há sequências especialmente bem conseguidas, em que os autores jogam na perfeição com a repetição de alguns motivos, como o bacio com a forma de John Bull no episódio inicial, desenhado por Jorge Coelho, ou o eléctrico (que não por acaso, está na capa do livro) no episódio final, desenhado por Daniel da Silva. Um excelente álbum, pelo qual valeu bem a pena esperar um ano e que, para além de confirmar o talento de David Soares, Richard Câmara, Jorge Coelho e João Maio Pinto, dá a descobrir dois desenhadores muito promissores, como André Coelho e (especialmente) Daniel da Silva.

Para seguir no blogue Diário As Beiras.pt

http://www.pt.cision.com/O4KPTWebNewLayout/ClientUser/GetClippingDetails.aspx?id=1bc5d8f4-d0fc-43dd-bb00-3965a7476649


Merecia um exemplar e autografado ;D

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #6 em: Outubro 19, 2011, 23:24:31 pm »
Li este álbum de seguida, curiosa e ironicamente, no dia 5 de Outubro ;D

Gostei bastante do livro, lê-se rapidamente e o grafismo está bem interessante e coeso. Conta uma parte da nossa História mas é ao mesmo tempo muito actual e contemporâneo.

Valorizo imenso o facto do David Soares cada vez mais fazer projectos diferentes, e até em diferentes plataformas e formatos. É sem dúvida uma mais valia para o autor e para o público. Gostei desta BD e sei que está também envolvido num projecto de um livro infantil. Estou curiosa :)

Merecia um exemplar e autografado ;D

Trabalho voluntário é voluntário ;D
Lido: Aristides de Sousa Mendes, Um Herói Português, José-Alain Fralon
A ler: 1808, Laurentino Gomes
         A Game of Thrones, G. R. R. Martin
        

http://abibliofila.blogspot.com/

http://www.goodreads.com/catsadiablo

Offline Ammar Ibn Khairin

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #7 em: Novembro 16, 2011, 16:27:03 pm »
É de Noite que faço as Perguntas - Referência no Jornal Público

http://www.saidadeemergencia.com/index.php?page=Articles.ArticleView&article_id=1104

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #8 em: Novembro 16, 2011, 16:27:54 pm »
É de Noite que faço as Perguntas - Crítica no blogue Páginas Desfolhadas
 

"É de Noite que Faço as Perguntas" enquadra-se nas comemorações do centenário da República, apesar de surgir no 101.º, tendo assim um destaque muito próprio.
Juntando David Soares, um escritor que ocupa um espaço cada vez mais amplo no panorama literário nacional, com um excelente grupo de ilustradores, cada um com o seu estilo próprio, as expectativas são quase tão altas como as de Outubro de 1910.
Vemos os acontecimentos da Primeira República pelos olhos e pela pena de um pai que tenta recordar o que viveu no início do século, relembrando também o leitor os principais marcos da revolução. Para além da História, podem contar com uma análise filosófica, idealista das interacções dos vários grupos intervenientes. Tudo escrito com a intensidade de palavras a que David Soares nos tem habituado, sem medo de criar imagens fortes, ultrapassando, até, as ilustrações. Estas contam uma outra história quase por si só e é muito curiosa a mudança de ambiente a que assistimos com a transferência da palete de ilustrador para ilustrador.

Uma das melhores homenagens à República que tive oportunidade de ler e que se manterá actual pela altura do Segundo Centenário.

Para seguir no blogue Páginas Desfolhadas.
http://paginasdesfolhadas.blogspot.com/2011/11/e-de-noite-que-faco-as-perguntas.html

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #9 em: Novembro 16, 2011, 16:43:56 pm »
David Soares, Ricardo Cabral e Victor Mesquita nomeados
BD: David Soares, Ricardo Cabral e Victor Mesquita nomeados

«É de noite que faço as perguntas», com argumento de David Soares, «Eternus 9», de Victor Mesquita, e «Newborn - Dez dias no Kosovo», de Ricardo Cabral, estão nomeados para os prémios nacionais de banda desenhada do festival Amadora BD.

Estes três livros de banda desenhada, editados nos últimos meses, são os que somam mais nomeações (em duas categorias cada) na edição deste ano dos prémios. «É de noite que faço as perguntas», do escritor David Soares, com desenho de André Coelho, Daniel da Silva, João Maia Pinto, Jorge Coelho e Richard Câmara, foi feito no âmbito do centenário da Implantação da República e acaba de ser editado pela Saída de Emergência.

Em Diário Digital.
http://diariodigital.sapo.pt/default.asp

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Re: É de Noite que Faço as Perguntas - Banda Desenhada
« Responder #10 em: Novembro 18, 2011, 16:34:42 pm »
É de Noite que faço as Perguntas - Crítica no blogue Bela Lugosi is Dead

 
Num país pouco dado à banda desenhada, é sempre um prazer ver um novo projecto nacional chegar às livrarias. Nos últimos anos inclusive, fomos presenteados com obras de grande qualidade. E se temos trabalhos com tanta qualidade, porquê tanta resistência em apostar mais nos autores e artistas nacionais? Talvez porque o público teime em andar de costas voltadas para o que se faz por cá...

É de Noite que Faço as Perguntas nasceu de um convite do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, como objectivo de contar a história da Primeira República Portuguesa através de um álbum de banda desenhada. Inicialmente, o projecto esteve para esteve para ser publicado pela Gradiva, contudo, acabou por ser lançado pela Saída de Emergência, um ano mais tarde.

"Mergulhado num regime autocrático, de natureza indefinida, em meados do século XX, um pai tenta recuperar o filho, caído no seio do partido, escrevendo-lhe as memórias que experimentou nos anos da primeira república: tempo em que o ideal de cidadania era a participação activa e não o recolhimento sob o jugo ditatorial."

Partindo desta premissa, David Soares, expõe cinco histórias em torno da Implantação da República. Histórias que ganham uma outra dimensão através dos desenhos de Richard Câmara (prólogo, epílogo), Jorge Coelho (É só alguém que foi à caça), João Maio Pinto (Oh! A República!), André Coelho (Via polémica) e Daniel Silvestre da Silva (Rerum Novarum).

A escolha dos ilustradores foi feita por David Soares que atribuiu cada um, um capítulo que melhor se adequasse aos estilos dos mesmos. No fim, a conjugação de estilos tão díspares com o argumento de David Soares, resultam de forma fantástica ou como o próprio descreveu, "um álbum revolucionário". "Escrever e desenhar sob convite institucional não tem de ser nenhum obstáculo para o valor artístico de um projecto," - explicou o autor numa entrevista. "É o mais forte álbum de conjunto, ou seja, feito por vários artistas, que tenho visto na banda desenhada portuguesa, o que também é revolucionário."

Em suma, um trabalho ímpar da banda desenhada nacional.

Para seguir no blogue Bela Lugosi is Dead.
http://belalugosiisdead.blogspot.com/2011/11/critica-e-de-noite-que-faco-as.html