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Autor Tópico: A Flávia é minha amante... (conto)  (Lida 3189 vezes)

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Offline Manolete

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A Flávia é minha amante... (conto)
« em: Julho 08, 2013, 02:46:14 am »
A Flávia é minha amante...


  Neste momento a Flávia é minha amante. Ainda me vejo ao lado dela como das primeiras vezes, rodeado pelos olhares de uma multidão. Oh! dizem entre si os tolos que há pouco falavam com ela embasbacados Oh! Aquele deve ser o namorado! E continuam a falar, olhos fixos em nós e comentários sussurrados. Para dizer a verdade, não é das fodas que me gabo. Como ouvi há tempos a um colega, a rata é toda igual e posso agora acrescentar que não há diferenças taxionómicas entre ratas bem-sucedidas e ratas mal sucedidas, entre ratas ricas e ratas pobres, para além das variedades de tratamento e cuidados de limpeza… e claro está, da autoestima de quem lá vai.
  Mas como estava a dizer, não é de a foder que me orgulho, não é de ouvir as suas palavras doces e muito menos de conhecer uma pessoa onde muitos outros veem uma figura. Não. É algo mais como isto: a Flávia é minha, pertence-me, o que logo faz de mim um grande guerreiro desta tribo…
  …E logo isso me remete para outro tempo. Foi para aí há vinte anos, muitos séculos e incontáveis sonhos despertos, quando eu era uma simples criança. Bem me lembro do João Ricardo, com um «R» recortado que intimidava os que o ouviam como o vilão charmoso de um desenho animado qualquer. Era um tipo tramado esse João Ricardo, temido pelos Colegas que não gostava e mesmo respeitado por alguns dos Mais-Velhos (pois bem, o tipo sabia levar a melhor). Assim como também me lembro da Joanita, aquela que todos desejavam mas ninguém tinha, ninguém excepto o João Rrrricardo, é claro. Muitos anos depois, Ela tornou-se lésbica e a personalidade Dele veio a apodrecer de maneirismos a milhares de quilómetros (reais e imaginários) dali. Flávia andava por perto, embora nessa época se enquadrasse no grupo dos Mais-Velhos, subclasse dos Muito-Mais-Velhos, espécie dos Que-João-Ricardo-Se-Estava-Nas-Tintas-Ou-Não-Lhe-Interessava-Conhecer e como tal nem vale a pena referi-la.
  Como já foi dito, João Ricardo foi para muito longe, onde os espécimes locais reclamavam da sua enorme «fixeza», Artigo 1 por causa de tamanha ousadia ser proibida aos de fora da terriola, Alínea A, apenas porque sim. Na altura pensei nesta idade das trevas da minha personalidade sob o título de um romance imaginário «Quando os Leões Viram Gatinhos!», pois de facto eu sou o João Ricardo. Enfim pareceu-me bem na altura, quando eu não sabia que um simples gatinho na vida selvagem se tornará um voraz predador. A vida sedentária, o acarinhamento da mãe, o rebaixamento do pai, levaram-me a não compreender muito os meus novos colegas. É tudo. Mas tal história não cuida aqui.
  Apesar disso, ainda me lembro de beijar a Ana num jogo de consequências… algo que não faria nos milénios seguintes. Como já disse, gozaram da supremacia aqueles que a força possibilitou e falando a sério, vivi quase uma década enfiado na toca, ou com o cu entre as pernas como diz a boa educação. Que pensarão eles, quando virem aquele instantâneo meu a beijar a Flávia, numa qualquer daquelas revistas parvas? Porventura lembrar-se-ão de mim? Penso que isso pouco me importa agora.
  Vieram outras com o tempo: Patrícia, com quem pudera ter a primeira experiência de cama se Jesus tivesse antes dito para nos fodermos uns aos outros, Marta com quem poderia ter sido feliz, se tivesse feito as coisas bem, Cláudia, uma boa rapariguinha para tudo, menos para namorar (tampouco o era eu na altura), mais três ou quatro casos isolados na discoteca.
  Fui para a faculdade para aprender… e aprendi de facto. Conheci a Daniela, a Belinha e a Ana Cláudia (não, devo antes dizer a Doutora Ana Cláudia, foi para isso que passou quarenta anos da sua vida sem conhecer um homem, apesar de pertencer à ordem das Boas-Como-O-Milho). Veio entretanto a Cátia e uma pausa para longas noites de carinho e amor. Até conhecer a Flávia.
A Flávia que move multidões. A Flávia cuja voz é ouvida por milhares de pessoas. A Flávia que… que tem uma cara que já tinha visto algures. Perdoem-me, eu não sou muito de ver televisão.
  Palestras imaginárias, convites para eventos inexistentes, jogos enredados em palavras inventadas a cada teclada, Muito obrigado por nada, agradecemos a sua solicitude, eu sei que sou uma merda e tu não vendes a tua imagem aos da ordem dos Merdas, subclasse dos Só-Eventualmente-Podem-Vir-A-Ser, espécie dos Que-Te-Dão-Piropos-Caros-Mas-Tu-Sabes-O-Que-Eles-Realmente-Querem, mas minha cara Flávia não tens por onde fugir, meu amor, minha deusa, a cada mensagem que respondes, sentes mais apertado o laço em redor do teu lindo pescoço e tenho uma proposta que não podes recusar. Agora! Enfim, agora já és minha.
  No início destas linhas julgo ter caído no erro de dizer que não existe a mais pequena diferença entre ratas. Permitam-me que reformule agora a minha opinião, pois uma Femnis Rattus Superstar é sempre uma Femnis Rattus Superstar, não devendo ser comparada com o seu parente vulgar, pois embora frequentemente estudada pelos cientistas da Discovery Channel, não é muito comum de avistar na região onde moro. Isso leva a uma enervante grande procura.
  Eu capturei uma, viva e em bom estado, passível de ser exibida em exposição. E para amigos nem é preciso bilhete.

  E neste preciso momento, estou junto à escrivaninha do quarto, inebriado e sem sono, escrevendo estas linhas enquanto seguro os genitais com a mão esquerda. A luz acesa do candeeiro fê-la acordar e agora Flávia chama-me docemente, batendo ao de leve no lençol amarrotado onde eu deveria estar. Os seus olhos cobrem-se de luxúria ao topar o meu corpo nu e então ela diz maliciosa Meu amor anda, vem-me foder! Outra vez!? Que seca, já me ando a fartar dela...
« Última modificação: Julho 08, 2013, 17:38:22 pm por Manolete »

A mesma História de sempre com um design revigorado...

Bonito bonito, é fazer um minote à Virgem Maria!!

Offline Manolete

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Re: A Flávia é minha amante... (conto)
« Responder #1 em: Julho 08, 2013, 17:30:25 pm »
Decidi acrescentar votação, para ver se tenho algum feedback... Espero que gostem.

A mesma História de sempre com um design revigorado...

Bonito bonito, é fazer um minote à Virgem Maria!!

Offline Fernando Pinheiro

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Re: A Flávia é minha amante... (conto)
« Responder #2 em: Fevereiro 10, 2015, 19:58:22 pm »
Não têm erros, apesar de não gostar no Novo Acordo Ortográfico. Interessante o conto. Reparei que está na primeira pessoa, daí o uso de calão e duma linguagem não cuidada e informal (populista). Portanto o narrador é um malandro bem há portuguesa.  ;D
Brevemente Diábolos, o Rapaz-Diabo.

Silent Hill 2 é o melhor videojogo de Fantástico.

Dentro de cada um de nós existe um animal prestes a ser despertado.

Salazarismo e Extrema-direita Sucks -.-'