Autor Tópico: As Crónicas das Terras Selvagens (Conto)  (Lida 2451 vezes)

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Offline Bruno_B7

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As Crónicas das Terras Selvagens (Conto)
« em: Março 30, 2015, 21:48:45 pm »
Olá a todos,

Eu vim aqui postar um pouco do prólogo da uma história que iniciei à uma semana. Gostava que passassem os olhos  por ele e deixassem a vossa opinião sobre o que está bom e o que pode melhorar. Devo dizer, que já o refiz uma vez e ainda não está como quero.  :-\

"O dracar baloiçava ao cortar as brandas ondas e gotículas de água salgada atingiam a cara de Jon, era uma sensanção agradável. Ele permanecia quieto e calado num banco perto do mastro, enrolado numa capa de peles, os ventos do mar eram gelados. Jon observava os marinheiros a andarem de uma lado para o outro e a limpar o convês ao som da madeira a ranger, uma terrível melodia.
 Em cima dele os ventos enchiam a vela triangular e nuvens cinzentas percorriam todo o céu, Jon levantou-se com dificuldade, o frio estava a afetá-lo, caminhou até à borda do dracar e perscrutou à volta, havia uma bruma a pairar sobre as águas e algures nessa bruma estava o seu destino, uma ilha. "Terei uma ilha só para mim.", pensou mas isso não o alegrou, deu um longo e pesado suspiro e deixou a mente divagar. Nasceu filho de ferreiro e ferreiro tornou, tentou manter o pequeno negócio o mais honesto possível ao contrário de outros ferreiros, as armas que forjava eram dolorasamente trabalhadas para serem as melhores, mais um suspiro, lutara duro para ter uma boa vida e os deuses mandam-no para ilha para morrer? Jon decidiu que iria fazer frente à decisão dos deuses, "Terão que enviar as criaturas mais infernais que tiverem... mas nem essas me mataram.", jurou. Algo chamou a sua atenção, um vulto negro a uns vinte passos do dracar, à primeira vista através da bruma assemelhava-se um tronco a flutuar mas Jon percebeu que se mexia, como alguma coisa tinha vindo à superfície espiar o dracar e agora, estivesse a submergir, algo muito longo, então, uma barbatana grande e curva cortou a água e desapareceu. Um arrepio correu-lhe o corpo enquanto se afastava da borda, os deuses não gostam de ser enfrentados. Ainda estava a tentar descobrir se estava a alucinar quando um marinheiro gritou.
- Terra à vista, capitão!
 Jon olhou em direção à proa e viu a ilha. A longa costa estava cravada com grandes rochas escarpadas, a rebentação era violenta e espumosa, parecia que não havia maneira de entrar mas num intevalo da rebentação foi possível uma pequena brecha na linha de rochas, uma montanha erguiasse alta e longíqua com tons acinzentados, numa maneira estranha, a montanha parecia temível. Jon reparou que a ilha estava toda coberta de neve.
- Recolher a vela! - Rugiu uma voz que Jon conhecia bem.
 Dois marinheiros apressaram-se a recolhê-la enquanto o capitão, um homem com uma barba castanha e iriçada que usava um casaco longo e um chapéu escuro e largo com uma pena roxa, caminhava para o bote que Jon usaria para chegar à ilha. Jon não sabia o que era pior a ilha ou o sentido de estilo do capitão. Agruparam-se todos à volta do bote, uma carcaça velha e acinzentada que já tinha visto melhores dias, Jon questionou-se se aguentaria a rebentação e as rochas da costa.
- Olhem para esta maravilha. - Disse o capitão batendo no barco. Jon não sabia se era só com ele ou com o resto dos exilados mas mandá-lo para a ilha agradava o capitão, na verdade, agradava os marinheiros também. - Vamos lá, metam-no na água, depressa. - Ordenou aos marinheiros. Dois deles pegaram no bote e atiraram-o para a água, estenderam uma escada de corda e um desceu para segurar o bote. - O que achas da tua ilha, rapaz? Bonita, não é? Vamos, desanda do meu barco. - Jon ia a passar a
perna pela borda quando o capitão falou mais uma vez. - A capa fica.
 Jon baixou a perna e olhou nos olhos do capitão, tão negros como os seus dentes, apeteceu-lhe parti-los mas não valeria a pena.Então, com toda a sua dignidade, desapertou a capa e deixou-a cair pesada, expondo os trapos gastos que lhe cobriam o corpo. O frio atingiu-o como um martelo atinge uma bigorna, pouco depois já estava a tremer."
"Os Deuses tiraram-me o meu martelo, a minha bigorna e o calor da minha forja... Deram-me uma ilha gelada, um grupo de homens que mais parecem bárbaros e uma guerra contra bestas temíveis... Agora, a ilha é a minha casa, os bárbaros a minha família e a guerra a minha vida." Jon em CdTS

Offline Fernando Pinheiro

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Re: As Crónicas das Terras Selvagens (Conto)
« Responder #1 em: Abril 05, 2015, 19:49:08 pm »
Olá a todos,

Eu vim aqui postar um pouco do prólogo da uma história que iniciei à uma semana. Gostava que passassem os olhos  por ele e deixassem a vossa opinião sobre o que está bom e o que pode melhorar. Devo dizer, que já o refiz uma vez e ainda não está como quero.  :-\

"O dracar baloiçava ao cortar as brandas ondas e gotículas de água salgada atingiam a cara de Jon, era uma sensanção agradável. Ele permanecia quieto e calado num banco perto do mastro, enrolado numa capa de peles, os ventos do mar eram gelados. Jon observava os marinheiros a andarem de uma lado para o outro e a limpar o convês ao som da madeira a ranger, uma terrível melodia.
 Em cima dele os ventos enchiam a vela triangular e nuvens cinzentas percorriam todo o céu, Jon levantou-se com dificuldade, o frio estava a afetá-lo, caminhou até à borda do dracar e perscrutou à volta, havia uma bruma a pairar sobre as águas e algures nessa bruma estava o seu destino, uma ilha. "Terei uma ilha só para mim.", pensou mas isso não o alegrou, deu um longo e pesado suspiro e deixou a mente divagar. Nasceu filho de ferreiro e ferreiro tornou, tentou manter o pequeno negócio o mais honesto possível ao contrário de outros ferreiros, as armas que forjava eram dolorasamente trabalhadas para serem as melhores, mais um suspiro, lutara duro para ter uma boa vida e os deuses mandam-no para ilha para morrer? Jon decidiu que iria fazer frente à decisão dos deuses, "Terão que enviar as criaturas mais infernais que tiverem... mas nem essas me mataram.", jurou. Algo chamou a sua atenção, um vulto negro a uns vinte passos do dracar, à primeira vista através da bruma assemelhava-se um tronco a flutuar mas Jon percebeu que se mexia, como alguma coisa tinha vindo à superfície espiar o dracar e agora, estivesse a submergir, algo muito longo, então, uma barbatana grande e curva cortou a água e desapareceu. Um arrepio correu-lhe o corpo enquanto se afastava da borda, os deuses não gostam de ser enfrentados. Ainda estava a tentar descobrir se estava a alucinar quando um marinheiro gritou.
- Terra à vista, capitão!
 Jon olhou em direção à proa e viu a ilha. A longa costa estava cravada com grandes rochas escarpadas, a rebentação era violenta e espumosa, parecia que não havia maneira de entrar mas num intevalo da rebentação foi possível uma pequena brecha na linha de rochas, uma montanha erguiasse alta e longíqua com tons acinzentados, numa maneira estranha, a montanha parecia temível. Jon reparou que a ilha estava toda coberta de neve.
- Recolher a vela! - Rugiu uma voz que Jon conhecia bem.
 Dois marinheiros apressaram-se a recolhê-la enquanto o capitão, um homem com uma barba castanha e iriçada que usava um casaco longo e um chapéu escuro e largo com uma pena roxa, caminhava para o bote que Jon usaria para chegar à ilha. Jon não sabia o que era pior a ilha ou o sentido de estilo do capitão. Agruparam-se todos à volta do bote, uma carcaça velha e acinzentada que já tinha visto melhores dias, Jon questionou-se se aguentaria a rebentação e as rochas da costa.
- Olhem para esta maravilha. - Disse o capitão batendo no barco. Jon não sabia se era só com ele ou com o resto dos exilados mas mandá-lo para a ilha agradava o capitão, na verdade, agradava os marinheiros também. - Vamos lá, metam-no na água, depressa. - Ordenou aos marinheiros. Dois deles pegaram no bote e atiraram-o para a água, estenderam uma escada de corda e um desceu para segurar o bote. - O que achas da tua ilha, rapaz? Bonita, não é? Vamos, desanda do meu barco. - Jon ia a passar a
perna pela borda quando o capitão falou mais uma vez. - A capa fica.
 Jon baixou a perna e olhou nos olhos do capitão, tão negros como os seus dentes, apeteceu-lhe parti-los mas não valeria a pena.Então, com toda a sua dignidade, desapertou a capa e deixou-a cair pesada, expondo os trapos gastos que lhe cobriam o corpo. O frio atingiu-o como um martelo atinge uma bigorna, pouco depois já estava a tremer."

Boas.

Tens alguns erros, é sensação e não sensanção. Convés e não convês. Dolorosamente e não dolorasamente. Intervalo e não intevalo. Erguia-se e não erguiasse. Longínqua e não longíqua. Eriçada e não iriçada.

E se fores contra o Novo Acordo Ortográfico ou simplesmente não o usares, também tens: Afectá-lo e não afetá-lo. Direcção e não direção.
« Última modificação: Abril 05, 2015, 19:56:37 pm por Fernando Pinheiro »
Brevemente Diábolos, o Rapaz-Diabo.

Silent Hill 2 é o melhor videojogo de Fantástico.

Dentro de cada um de nós existe um animal prestes a ser despertado.

Salazarismo e Extrema-direita Sucks -.-'

Offline Sebastião Corôa

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Re: As Crónicas das Terras Selvagens (Conto)
« Responder #2 em: Maio 20, 2015, 23:51:07 pm »
olá

gostei, tá giro, o que será  bicho que olhava para o jon? eu quero descobrir. tenho no entanto, um pensamento para partilhar contigo e nota que é a minha opinião: quando alguém pensa ou fala de si para si, não o faz usando o futuro ("Terão que enviar as criaturas mais infernais que tiverem..."). Para mim, ficava algo como: "Eles que mandem o pior que tiverem...". isto não é um texto dramático, o que se quer, é que pareça plausível. Mas gostei e gostava de ler mais, se tiveres.
Havia Eru, o Único, que em Arda se chama Ilúvatar; ele fez primeiro o Ainur, os Sagrados, que eram filhos do seu pensamento e que estiveram com ele antes de alguma coisa mais ser feita.

Offline Bruno_B7

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Re: As Crónicas das Terras Selvagens (Conto)
« Responder #3 em: Maio 31, 2015, 15:46:28 pm »
Olá,

Fernando, obrigado por teres reparados nos erros, embora eu tenha feito mais do que uma revisão, esses escaparam-me.

Sebastião, compreendi o que queres dizer mas essa passagem é uma promessa que Jon faz a sí mesmo. "Jon decidiu que iria fazer frente à decisão dos deuses, "Terão que enviar as criaturas mais infernais que tiverem... mas nem essas me mataram.", jurou.", a meu ver, acho que ele têm de utilizar o futuro, pois ele está a falar de quando chegar à ilha.

Seguinte, ainda bem que gostaste Sebastião. Eu posso postar o final do prológo, que é pouca coisa.

Só uma última coisa, não sei se já ouviste falar de um site chamado "Wattpad" mas eu tenho nesse site, uma obra minha publicada que não é esta (talvez a publique lá no futuro), se quiseres podes ir vê-la para descobrires um pouco mais da minha escrita e imaginação, já agora convido todos a darem uma espreitadela, se quiserem. Chama-se "O Berço Dos Dragões".

Boa escrita e boa leitura!  ;D  ;D  ;D
"Os Deuses tiraram-me o meu martelo, a minha bigorna e o calor da minha forja... Deram-me uma ilha gelada, um grupo de homens que mais parecem bárbaros e uma guerra contra bestas temíveis... Agora, a ilha é a minha casa, os bárbaros a minha família e a guerra a minha vida." Jon em CdTS