Autor Tópico: Yog e Cthulhu debaixo de uma árvore-Critica a Volume 2  (Lida 4532 vezes)

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Offline oliveira8

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Yog e Cthulhu debaixo de uma árvore-Critica a Volume 2
« em: Junho 21, 2009, 03:52:20 am »
O titulo diz Os Melhores Contos de Howard Phillip Lovecraft-Volume 2, mas será mesmo Os Melhores?

Não, não são.

Existem muitas coisas erradas neste livro e a pior delas é mesmo o titulo. Os Melhores Contos de Howard Phillip Lovecraft-Volume 2, quando se inclui O templo, A Chave de Prata, Através dos portais da Chave de Prata, A Casa Mortuária  e Sonhos na Casa das Bruxas não se pode chamar o livro Os Melhores Contos de Howard Phillip Lovecraft-Volume 2. Numa forma directa e sem rodeios estes contos não são bons, e alguns deles considerados os piores de Lovecraft.

Os contos que enumerei são a maior representação de que Lovecraft nunca foi um bom escritor. Lovecraft não é chamado Mestre do Horror só por causa das suas historias, mas também porque a sua escrita era(E ainda é) muita das vezes um autentico horror. Eu sou um grande fã de Lovecraft mas admito que ele como escritor não era grande coisa, e deixa muito a desejar. Um escrita confusa, cheia de adjectivos, muitas vezes as historias não fazem nexo nenhum, obrigando o leitor a ler outra vez certas passagens para perceber o que raio aconteceu e também uma escrita cheia de acontecimentos que são completamente extravagantes e que quebram o ritmo da historia, que fazem sentir as historias extremamente parvas.


Este é um escritor que nunca acreditou em si, e isso nota-se na sua escrita.

Li este livro duas vezes e uma terceira para escrever esta critica e não me consigo lembrar nem de metade dos contos, o que dá mais ênfase a que o titulo está completamente errado. Estou a adivinhar mas vou dizer que a compilação inteira da obra de Lovecraft não era o plano original da SdE. Se fosse, certamente que a compilação não se iria chamar "Os Melhores Contos...", e a SdE escolheria um caminho mais parecido com as compilações da Penguin Twentieth-Century Classics.

Para os que não sabem o que estou a falar.

Mas o problema não é o facto de esta compilação conter esses contos, mas sim, a ordem em que eles estão dispostos. A ordem está completamente errada. Abrir o livro com O Templo e em seguida A Chave de Prata não é uma boa ideia. Demora quase 100 paginas para o leitor atingir o primeiro bom conto desta compilação O Depoimento de Randolph Carter, e a partir daí o livro torna-se muito menos chato e então Os Melhores Contos... entra em acção(Sonhos na Casa das Bruxas não é um bom conto...).

SdE se voltarem a re-editar este livro alterem a ordem dos contos para qualquer coisa assim:

A Musica de Eric Zann
O Depoimento de Randolph Carter
A Gravura no Livro da Casa
A Chave de Prata
Através dos portais da chave de Prata
Factos sobre o Falecido Arthur Jermy e a sua Familia
A Abominação de Dunwich
O Templo
Os Sonhos na Casa da Bruxa
O Medo Oculto
A Casa Mortuária

Parece que estou a dar uma imagem bem negra deste livro mas não, Volume 2 para sua salvação tem A Musica de Erich Zann e A Abominação de Dunwich que fazem parte das melhores obras de Lovecraft. E ainda contem O Depoimento de Randolph Carter e O Medo Oculto. Portanto não é assim tão mau.

Mas a maior surpresa deste livro não é os contos em sim, mas o prefácio por Robert Bloch Uma Herança de Terror. Que é provavelmente a melhor coisa que se lê entre a pagina 5 e a 107. É um misto de biografia e uma viagem à mente de Lovecraft e vale muito a pena ler.
Fernando Ribeiro volta com as suas enigmáticas introduções, que continuam a fazer pouco senso lendo ou não o conto. A escrita de Fernando podia ser melhor aproveitada em apenas uma introdução ou um posfácio.

Quanto à tradução a equipa do Prof. José Manuel Lopes e Fernando Ribeiro é impecável, encontrei um ou dois erros no livro inteiro, mas a tradução está "perfeita". Tirando que as notas do tradutor vêem no fim de cada conto...E já agora na próxima edição, uma nota de tradutor para noitibó. Tive de ir ao google para saber que raio era um noitibó.(Sim é um pássaro mas nunca ouvi falar de noitibó na minha vida.) Para quem cresceu na cidade a vida inteira, e a única coisa mais parecida com campo onde já estive, foi o parque de acampar da Zambujeira, um noitibó é um pássaro bem obscuro.


Se não percebem nada de pássaros este bicho vai atormentar vos durante A Abominação de Dunwich.


Senti também a falta de ter os nomes em Inglês em todos os contos como no volume 1, e o grafismo em si das paginas das molduras onde encontra os titulo e quem traduziu o conto são ligeiramente mais pobres do que as do Volume 1. E roxo combinado com azul claro não é uma boa mistura de cores para uma capa e contra capa.

Se querem começar a ler Lovecraft não recomendo pegarem neste livro. Se conseguirem comprem o volume 1, se não, enviem umas cartas com tons zangados para a SdE voltar a reeditar o Volume 1. Se são fãs de Lovecraft e querem mais do escritor então comprem já, pois Volume 2 contem A Abominação de Dunwich e A Musica de Erich Zann, esses dois valem a pena ter de aturar com A Chave de Prata.

NOTA: Demorei mais tempo neste volume pelo facto do principio ser mesmo chato, demorei quase um mês para completar a primeira leitura....Vou fazer uma critica aqui também para os livros de Martin em breve....(talvez amanhã já que não tenho nada para fazer...)

Deixem algumas criticas quanto à critica!

Offline Riona

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Re: Yog e Cthulhu debaixo de uma árvore-Critica a Volume 2
« Responder #1 em: Dezembro 28, 2010, 09:35:58 am »
Bem, eu tenho algumas opiniões contrárias, oliveira!
No geral, gostei mais dete livro do que do volume 1. Mas também não sou fã de Lovecraft, por isso se calhar não sou a melhor pessoa para julgar (até porque a minha análise baseia-se mais no que senti ao ler, do que propriamente nas qualidades narrativas de Lovecraft e na análise e verdadeiro conhecimento da sua obra).

Ao ao ler o primeiro volume fiquei um bocado desiludida com alguns contos, em especial aqueles mais longos, pelo que comecei a ler este livro pela ordem que me apeteceu: ora escolhendo as contos menos extensos, ora aqueles cujo título me parecia mais sugestivo. E confirmei a minha suspeita:gosto  mais do terror espírita, orgânico, antigo, tradicional, do que o universo exclusivamente Lovecraftiano de quase ficção científica.
E a maneira como adorei contos como O Templo e O Depoimento de Mr Carter, fez-me confirmar também que, além de uns bons sustos, gosto mais dos “ambientes” e da sugestão das “coisas”, do que ler a descrição das  “coisas” propriamente ditas.
Assim, n' O Templo, fiquei contagiada pelo ambiente opressivo no submarino, e achei apropriadíssimo o final pouco “explícito” mas sugestivo. Em O Depoimento de Mr Carter , amei o terror em crescendo, até um fim já insinuado mas mesmo assim brilhantemente assutador (ainda não tinha lido os outros contos dedicados a Carter, nem percebo muito bem porque é que este é o último dos três a ser publicado no livro....  ???)

Outros contos que adorei: A Música de Erich Zann, mais um a confirmar que, para mim, os contos favoritos de Lovecrft são os mais curtos e mais "simples". Este fez-me lembrar o universo Tim Burton, na altura em que li, mas já não sei explicar bem porquê; A Casa Mortuária, pelo medo orgânico e tradicional que mencionei antes. Adorei este conto: curto e verdadeiramente arrepiante!

Dos que eu não gostei : A Chave de Prata, que comecei com algumas expectativas, pois já tinha lido O Depoimento de Mr Carter..., mas depois começou a entrar muito pelas "teorias" do costume a acabei por me aborrecer, o mesmo acontecendo em Através dos Portais da Chave de Prata , nesse sim, apenhei uma seca tremenda. Mas o que ainda me irrita mais é o facto de o final deste conto até ter piada. Definitivamente, contos longos + Lovecraft... não gosto da combinação.  :P

Os outros contos, acerca dos quais me sinto dividida:
- Factos Acerca do Falecido Arthur Jermyn e da sua família : um dos primeiros que li, já que achei piada ao título, e estava tão pasmadinha com o que estava a ler que nem estava a ler com atenção suficiente, e não reparei o quanto óbvio seria o final. Numa análise mais atenta, acabei por achar a história um bocao óbvia e fiquei desilludida - niguém me mandou esmiuçar a coisa.... (... descendente de um mercador português…  :D)
- A Gravura no Livro da Casa : comecei por adorar o conto, mas achei o final um bocado absurdo. Outro ponto negativo, o facto do velho parecer o Hagrid a falar…sei que dá expressividade e caracteriza a prsonagem, mas não consegui deixar de cair constantemente nessa comparação. Mesmo assim, gostei do ambiente opressivo e as delirantes descrições das casas, logo no início, muito sugestivas.
- Os sonhos na Casa da Bruxa : adorei a premissa, claro, é mesmo o meu estilo, com o poder da sugestão, os ruídos misteriosos nas paredes.... Mas além de ser, a meu ver,  demasiado extenso (não pude deixar de “bufar de impaciência” quando começaram as descrições dos devaneios do Gilman) também perdi um bocado o entusiasmo face ao meu eterno e já eferido problema pessoal que tenho com Lovecraft, teria sido melhor ele não chegar a descrever a  "ratazana" - para mim era mais assustador se se ficasse pela sugestão. A parte da bruxa, dos sussurros e dos ossos pareceu-me uma história mais ao estilo tradicional, mas a entrada de elementos tipicamentes lovecraftianos baralhou muito as coisas e a história perdeu grande parte do seu potencial - isto para os meus gostos, claro.  :P
- A Abominação de Dunwich: mais uma vez, adorei o ambiente – o papel dos noitibós no meio de tido aquilo é fantástico, mas um pormenor a lembrar-me o Tim Burton... Mas, mais uma vez, torci o nariz à temática. Mais uma vez, se fosse menos extenso, talvez eu tivesse gostado, não sei - é que nem sempre eu torço o nariz às temáticas alienígenas e dos Anciãos, e de contos extensos – por exemplo, adorei O Despertar de Chtulú no 1º volume, e não é propriamente um conto curto. E mais uma vez, ler a pronúncia “à Hagrid” de uma das personagens mexeu-me com os nervos. E(eu sou muito irritadiça, é verdade, e se calhar a ideia do autor era esse, enervar as pessoas.  Se era, conseguiu! :D
- O Medo (do) Oculto no início adorei, aquelas descriçõse dos locais, deliciosas, não pela escrita em si, mas pelas imagens mentais que suscita. Lá mais para a frente, chateou-me um bocado por dois motivos: por um lado, fez-me lembrar demasiado o Factos Acerca do Falecido Arthur Jermyn e da sua família … e tanto recorreu à palavra “demoníaco” e derivados, que me estragou um bocado o prazer da leitura
Nota-se neste conto algo interessante: Lovecraft às vezes “engonha” um bocado em algumas descrições, mas noutras parece quase frenético, será do entusiasmo? Lembro-me de estar a ler certas descrições que me pareciam quase “possuídas”. Pelo meno durante a leitura foi essa a sensação com que fiquei.  :D


Adorei também: o prefácio de Robert Blooch, e as introduções do Fernando Ribeiro - não é que compreenda muito melhor estas em relação às do volume anterior, mas sinto-as, de certo modo, mais ligadas aos respectivos contos, e algumas são lindas!

O que, na edição, não gostei nada: o facto de as notas de rodapé estarem, mais uma vez, no final dos contos e não no fim das respectivas páginas, o que quebra imenso a leitura e não dá jeitinho nenhum... :-\
« Última modificação: Dezembro 28, 2010, 09:51:04 am por Riona »