Autor Tópico: O Evangelho do Enforcado  (Lida 15542 vezes)

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Offline Fiacha

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #15 em: Abril 19, 2010, 14:22:47 pm »
Mais uma critica publicada no site da Editora:

Espantoso, grandioso, eloquente, belo, misterioso, poético, encantador, viciante, bem escrito, mágico, extraordinário. Um dos melhores livros que li até hoje e um sério candidato a melhor livro de 2010. Muitos são os sinónimos que podem caracterizar o "Evangelho do Enforcado", no entanto, não obstante os acima referidos, parece-me que "Obra Prima" classifica na perfeição esta portentosa obra da literatura e tornam David Soares num dos meus escritores predilectos, diria até e é se já não é, um dos nomes grandes da literatura portuguesa. Para além da história narrada, David Soares escreve muito bem, é exímio na arte narrativa e excepcional a cruzar e interligar vários estilos literários tão distintos mas que ele prova serem perfeitamente compatíveis. Nesta obra, assim como já havia constado em "A Conspiração dos Antepasados", ele faz uso do romance histórico num estilo gótico, passando pelo fantástico com laivos de poesia à mistura. A forma como constrói o trama, como constrói essa Lisboa medieval, aplicando-lhe doses q.b. de magia e fantasia é genial, dando-lhe por variadas vezes, um tom surrealista. A escrita de David Soares é fortemente cinematográfica (se me é permitido assim a caracterizar), as imagens criadas e que descrevem personagens, locais e acontecimentos, são extremamente potentes assim como a capacidade de criar situações chocantes e grotescas, muitas delas tendo como intervenientes directos personagens históricas, convicto, dá-nos quase a certeza da probabilidade de ter sido assim como ele narra e isso, por si só, é altamente dignificante para um autor. Esta obra fala de Lisboa, de um reino que, no séc. XV via a ínclita geração iniciar um movimento que daria origem à Época Maior da História de Portugal. Muitas e famosas personagens aqui desfilam, várias delas com as suas virtudes e os seus defeitos, algumas com paranóias, vícios clandestinos e lados negros que, a ser verdade, viriam desvirtuar a imagem que delas ficou, no entanto esta é uma obra de ficção, embora seja importante referir que, como qualquer ser humano, estas personagens não foram perfeitas... Ao contrário do que é referido na sinopse, este romance não é sobre os Painéis de S.Vicente (até porque o autor refere nos Apontamentos nada se saber de concreto sobre eles, excepto a data provável da sua realização e a origem da madeira sobre o qual foram pintados, pág. 342). Obviamente que se fala deles e descreve como supostamente podem ter sido criados por Nuno Gonçalves, mas, na minha óptica, este é um romance que pretende mostrar a época, a conjuntura onde a loucura, a alienação e o crime eram comuns a todas as classes sociais e onde o necrofilismo se faz sentir. Note-se, por exemplo, o caso do cárcere de D.Fernando, e percebe-se a loucura e a alienação. O trama do livro é sustentado, em parte, pelas diversas interpretações e teses aos Painéis e do que está, ou pode estar, por detrás deles. Muito interessante a teoria do autor sobre os surtos de Peste Negra, assim como da origem de monstros que foram parte importante do imaginário português (Adamastor, por exemplo) e que aqui é simbolizado na relação grotesca entre Nuno Gonçalves e Geronte, criatura fantástica que aterroriza o pintor.
Uma nota para o imenso trabalho de investigação do autor que passou por ler e analisar livros de História medieval, psicopatia, anatomia humana, ciência forense e criminalista e sexualidade medieval. Sendo apenas um livro de ficção, o autor é genial na forma como constrói um fresco histórico, não apenas na forma como trabalha os personagens, como conseguindo transportá-los à nossa presença conjuntamente com a sua época, invadindo-nos numa áurea mágica e misteriosa como só David Soares consegue criar.
Um livro genial de um autor genial.


Podem seguir no Blogue N Livvros:

http://nlivros.blogspot.com/2010/04/evangelho-do-enforcado-o-david-soares.html
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline tangerina

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #16 em: Maio 15, 2010, 21:35:54 pm »
Venho aqui ler os comentários e críticas e fico meia desanimada. O meu cérebro não deve estar formatado para certas coisas, porque apesar de todas as críticas positivas, não estou a gostar nada do livro.
Vou continuar a ler, na esperança que com o avançar da narrativa o meu interesse aumente.
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Offline vampiregrave

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #17 em: Maio 16, 2010, 22:08:53 pm »

Tenho um apontamento a fazer à SdE: acho essencial que, numa segunda edição. as frases em latim (e a palavra em grego que aparece a páginas tantas) deveriam ter tradução, em notas de rodapé ou em notas finais, para que se pudesse ter uma compreensão total dos comentários que as personagens fazem umas às outras através dessa língua.

Estou neste momento a ler o livro, e reforço esta ideia. Pode ser, de facto, uma decisão do autor, e considero positivo o que este puxe pelo leitor no sentido de adquirir mais conhecimento de modo a tornar mais gratificante a leitura do livro mas, tendo em conta que nalgumas partes simplifica as diferenças a nível de lingua (veja-se os diálogos iniciais entre Nuno e Van Eyck, em que a figura do interprete é mencionada apenas 1-2 vezes), não compreendo a opção de manter o latim sem qualquer tradução.

Offline tangerina

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #18 em: Maio 17, 2010, 00:49:55 am »

Tenho um apontamento a fazer à SdE: acho essencial que, numa segunda edição. as frases em latim (e a palavra em grego que aparece a páginas tantas) deveriam ter tradução, em notas de rodapé ou em notas finais, para que se pudesse ter uma compreensão total dos comentários que as personagens fazem umas às outras através dessa língua.

Estou neste momento a ler o livro, e reforço esta ideia. Pode ser, de facto, uma decisão do autor, e considero positivo o que este puxe pelo leitor no sentido de adquirir mais conhecimento de modo a tornar mais gratificante a leitura do livro mas, tendo em conta que nalgumas partes simplifica as diferenças a nível de lingua (veja-se os diálogos iniciais entre Nuno e Van Eyck, em que a figura do interprete é mencionada apenas 1-2 vezes), não compreendo a opção de manter o latim sem qualquer tradução.

Concordo plenamente. Entendo que possa existir o conceito de estimular o leitor, mas não é muito prático estar sempre a tentar procurar o significado de determinada frase em latim. A ideia é que o leitor não perceba, deliberadamente?
Penso que a a nível literário signifique uma diferenciação de linguagem entre personagens e sobretudo uma caracterização da época, em que as expressões latinas eram utilizadas. Mas reforço a ideia da tradução.
Sinto-me ignorante por não perceber o que está escrito  ::)
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Offline Alforat

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #19 em: Maio 18, 2010, 19:03:31 pm »
Acabei de ler O Evangelho do Enforcado e adorei cada página! Muito sinceramente, estava a contar com que esta fosse uma leitura demorada, mas o livro é realmente viciante, e o difícil foi parar de ler!

Offline vampiregrave

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #20 em: Maio 18, 2010, 23:36:37 pm »
Fica aqui a minha crítica ao livro:

http://www.fallingintoinfinity.com/2010/05/o-evangelho-do-enforcado.html

Não tão detalhada como pretendia, mas suficientemente clara.

Offline Smirlah

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #21 em: Maio 18, 2010, 23:43:42 pm »
Gostei bastante do que escreveste vampiregrave.
Ultimamente o livro tem-me chamado bastante a atenção e essa tua crítica de certa forma que me decidiu.

Agora, de facto, não me apetece estar a ler o livro sem compreender as passagens em Latim.
Será possível que as sugestões aqui apresentadas se verifiquem numa próxima edição?

Offline vampiregrave

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #22 em: Maio 18, 2010, 23:57:14 pm »
Gostei bastante do que escreveste vampiregrave.
Ultimamente o livro tem-me chamado bastante a atenção e essa tua crítica de certa forma que me decidiu.

Agora, de facto, não me apetece estar a ler o livro sem compreender as passagens em Latim.
Será possível que as sugestões aqui apresentadas se verifiquem numa próxima edição?

Dado que é uma opção do autor, como a Safaa afirmou, julgo que tal modificação teria de partir de uma decisão da sua parte. Apesar disso, isso não invalida o facto de ser um óptimo livro.

Offline RuiBaptista

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #23 em: Maio 20, 2010, 13:57:32 pm »
Dá para ler bem o romance sem compreender as frases em latim. Mas sim, dava jeito uma pequena tradução em rodapé...

Offline tangerina

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #24 em: Maio 31, 2010, 11:43:38 am »
Dá para ler bem o romance sem compreender as frases em latim. Mas sim, dava jeito uma pequena tradução em rodapé...
Sim, percebe-se. Dava-me jeito porque no fundo a ausência de tradução não impossibilita a compreensão do texto,mas fico curiosa quanto ao significado as expressões latinas.

Bom, terminei finalmente este livro!
Não que me tenha custado a ler, mas demorei mais porque entretanto o trabalho e a mudança de casa retiram-me tempo e energia para qualquer outra coisa :P

Confesso que inicialmente não estava a gostar nada deste livro. Pensava, mas é isto que toda a gente anda por aí a louvar? Provavelmente chocou-me um pouco a linguagem e a temática (não a principal, mas as acessórias) por falta de hábito neste tipo de leitura. se tivesse partido para este livro com uma mente mais aberta talvez tivesse apreciado mais.  No entanto mesmo enquanto não estava a gostar, tinha de dar a mão à palmatória. Este senhor sabe escrever. Mesmo em descrições de situações asquerosas, a escrita é sublime.

À medida que a historia foi avançando fui-me rendendo ao livro e posso dizer que gostei muito. A bagagem histórica é fantástica, gostei muito da nova visão das personagens da nossa histórica, que difere bastante da imagem romântica que a maioria de nós temos, mas que sei que se aproxima da real e das características daquela época. A personagem principal é de facto densa e construída de forma magistral, bem como a do Infante D. Henrique e do Regedor D. Pedro.  A interligação da História com a realidade suja e negra da época medieval (em oposto ao romantismo a que estamos habituados em outros romances)  está alinhada de forma irrepreensível. Os diálogos bem construídos e mais uma vez sublinho que a narrativa está escrita de forma fantástica.
Em suma, estranhei e gostei.  :)
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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #25 em: Maio 31, 2010, 15:15:18 pm »
(...)
À medida que a historia foi avançando fui-me rendendo ao livro e posso dizer que gostei muito. A bagagem histórica é fantástica, gostei muito da nova visão das personagens da nossa histórica, que difere bastante da imagem romântica que a maioria de nós temos, mas que sei que se aproxima da real e das características daquela época. A personagem principal é de facto densa e construída de forma magistral, bem como a do Infante D. Henrique e do Regedor D. Pedro.  A interligação da História com a realidade suja e negra da época medieval (em oposto ao romantismo a que estamos habituados em outros romances)  está alinhada de forma irrepreensível. Os diálogos bem construídos e mais uma vez sublinho que a narrativa está escrita de forma fantástica.
Em suma, estranhei e gostei.  :)

Ainda bem que foste paciente.

Só para te despertar interesse, gostei mais do livro A Conspiração dos Antepassados ;)
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Offline RuiBaptista

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #26 em: Maio 31, 2010, 15:21:00 pm »
(...)
À medida que a historia foi avançando fui-me rendendo ao livro e posso dizer que gostei muito. A bagagem histórica é fantástica, gostei muito da nova visão das personagens da nossa histórica, que difere bastante da imagem romântica que a maioria de nós temos, mas que sei que se aproxima da real e das características daquela época. A personagem principal é de facto densa e construída de forma magistral, bem como a do Infante D. Henrique e do Regedor D. Pedro.  A interligação da História com a realidade suja e negra da época medieval (em oposto ao romantismo a que estamos habituados em outros romances)  está alinhada de forma irrepreensível. Os diálogos bem construídos e mais uma vez sublinho que a narrativa está escrita de forma fantástica.
Em suma, estranhei e gostei.  :)

Ainda bem que foste paciente.

Só para te despertar interesse, gostei mais do livro A Conspiração dos Antepassados ;)

Também gostei mais d' A Conspiração dos Antepassados :)

Offline tangerina

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #27 em: Maio 31, 2010, 21:17:07 pm »
Oh, até já andei a cuscar nesse tópico, e acho que me preparo para adquirir mais David Soares ::)
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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #28 em: Maio 31, 2010, 21:41:35 pm »
Oh, até já andei a cuscar nesse tópico, e acho que me preparo para adquirir mais David Soares ::)

Devo comprar A Conspiração quando sair a nova revista Bang! (isto se se mantiver em formato impresso), mas para já tenho outros títulos para escrever a crítica que tenho vindo a adiar...

Offline Fiacha

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Re: O Evangelho do Enforcado
« Responder #29 em: Junho 04, 2010, 11:08:03 am »
Mais um critica ao livro publicada no saite :)

O Evangelho do Enforcado é o mais recente romance de David Soares, onde história, fantasia e horror se entrelaçam numa forma harmoniosa e poética. O autor aliou um estudo intenso com a sua imaginação prodigiosa para revelar as circunstâncias da criação dos misteriosos Painéis de S. Vicente. Para tal, David Soares apresenta a sociedade portuguesa do século XV de forma minuciosa, fugindo às ideias preconcebidas da elegância medieval, não temendo, de forma alguma chocar através dos factos reais da época, e levando o leitor a crer que a ficção é real. O leitor é levado numa viagem onde conhece Nuno Gonçalves, que nasceu com o dom da pintura... e com espinhos de ouriço-cacheiro. Esta é uma personagem realmente cativante, diferente desde o primeiro momento. Nuno não revela ser possuidor de grande emotividade, até ao momento em que descobre o prazer do cheiro dos mortos e a beleza da pintura. O leitor contempla evolução de Nuno Gonçalves ao longo da narrativa -artista, necrófilo, psicopata e assassino -, ao mesmo tempo que observa o jogo de poder da ínclita geração. David Soares é um nome de grande peso na literatura fantástica portuguesa. Com uma escrita trabalhada, poética e envolvente, transporta o leitor para uma narrativa onde nada é deixado ao acaso. As descrições são precisas e credíveis, os diálogos são adequados e acarretam sabedoria, todos os pormenores existem por alguma razão, as coincidências não existem. Agradou-me o facto de as personagens não serem, de forma alguma, escolhidas ao acaso. É possível verificar que a grande maioria dos intervenientes da narrativa estão ligados a diferentes domínios da história portuguesa, por mais curta que seja a sua aparição. Esta obra fomenta a reflexão sobre o verdadeiro significado e valor da arte, da morte, da vida, chegando a provocar o choque com descrições cruas e reais. A personagem Geronte, um ser sobrenatural, marca, neste aspecto, uma posição crucial, uma vez que representa a condição da vida que remete unicamente à morte, sendo esta apenas vencida pela arte, que, com voz própria, persiste no todo.

"A criação - a arte - é o único antídoto contra a morte."

Tudo é pensado de uma forma muito inteligente e requintada, até ao mais ínfimo pormenor, de forma a encaminhar o leitor para um final que faz desejar por mais. Os pormenores dos painéis e o auto-retrato servem de complemento ao texto e a sua integração na obra foi uma boa escolha. Gostei muito das notas finais de David Soares, uma vez que arrematam a obra sem deixar espaço para dúvidas acerca das razões do autor, as influências e a explicação de pormenores bem interessantes, como o caso da peste negra ou da criação do Tarot. Gostaria apenas de referir, que teria sido mais agradável se o autor tivesse optado por efectuar as traduções das frases em latim, uma vez que tive que parar a leitura por diversas vezes para procurar o seu significado (nem sempre foi sucedida). Foi interessante observar o latim nos diálogos, numa forma de aproximação à época, mas teria sido bom se a sua tradução estivesse como nota de rodapé, para que o leitor não perca nenhum conteúdo. David Soares prova, mais uma vez, que a sua imaginação não tem limites e que é um escritor de grande qualidade, o que faz com que esta crítica pouco consiga descrever o prazer que tive ao ler O Evangelho do Enforcado. Aconselho, sem a menor sombra de dúvida.

Para seguir no blogue Bela Lugosi is Dead:
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