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Tópicos - acrisalves

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Sugestões à Editora / Autores Brasileiros
« em: Outubro 30, 2010, 03:10:59 am »
Boas !

Aqui fica uma sugestão - têm saído coisas interessantes do outro lado do Atlântico, desde antologias Steampunk, a FC e Fantasia que parecem bons. Para a editora teria algumas vantagens nos custos da tradução.


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Livros publicados / Darwinia - um dos livros mais estranhos que li este ano
« em: Dezembro 20, 2009, 20:44:45 pm »
E não se entenda este comentário como negativo

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Premiado para um Hugo e nomeado para o Aurora, Darwinia é uma obra que encaixa simultaneamente nos géneros de ficção científica e história alternativa. Publicado em 1998, conhece agora tradução para português pela Saída de Emergência, sendo mais um volume na colecção Bang.

Segundo a sinopse, o continente Europeu desaparece misteriosamente e é substituído por um  semelhante, povoado por estranhos monstros e flora irreconhecível, no início do século XX. Mas em Darwinia o factor mais estranho não é a substituição de um continente inteiro e seus habitantes.

Face à novidade do outro lado do Atlântico, uma expedição parte para a Nova Europa com o intuito de explorar o terreno, reunindo especialistas nos mais diversos ramos da ciência. Guilford Law é um jovem fotógrafo que se junta a esta expedição deixando a família na nova cidade de Londres, uma povoação que dificilmente ganha terreno à Natureza selvagem. Como seria de esperar a exploração do novo continente é difícil e a expedição depara-se com vários imprevistos, desde a falta de recursos, a encontros com estranhos seres que se revelam poderosos predadores.

A história não segue apenas Guilford Law – acompanhamos também o dia a dia da esposa na selvagem cidade, que frequentemente ouve notícias inquietantes da expedição; assim como de Vale, um jovem que abre caminho na sociedade através da leitura da mão das senhoras, e se encontra possuído por um demónio ou um deus (ele próprio não se consegue decidir entre as duas descrições), que lhe confere estranhos poderes.

Este é um mundo surreal – os milhares de pessoas que habitavam o continente europeu desapareceram sem deixar rasto, seres morfologicamente distinto povoam a terra, e algumas pessoas descobrem-se possuidoras de estranhos poderes. Face aos acontecimentos, os mais religiosos vêm milagres e atribuem o desaparecimento da Europa à mão divina; emquanto outros procuram na ciência uma justificação racional – mas a realidade encontra-se distante de tudo o que um homem do início do século XX possa imaginar.

E é exactamente no excesso de imaginação que a história peca – algumas das premissas são demasiado surreais e seguem um caminho demsiado abstracto. Ainda assim, gostei. Apresentando-nos várias visões diferentes dos acontecimentos, Darwinia é cativante e original, com um desenrolar inesperado que não recorda nada do que li até agora no género – se no início parece que tudo se baseia numa “quebra” do fio condutor da história, cedo outros elementos nos indicam que algo mais existe por detrás do novo continente.

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Livros publicados / Comentário a Carbono Alterado
« em: Dezembro 20, 2009, 20:43:52 pm »
Outro livro sobre o qual vou deixar o comentário que escrevi no blog, desta vez, enquadrado num post sobre uma colecção da Gollancz.
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Foi publicada, recentemente na Locus, uma pequena, e interessante lista de 8 livros “Yesterday’s Tomorrows: Eight Contemporary Classics”:

Blood Music, Greg Bear
Evolution, Stephen Baxter
The Separation, Christopher Priest
Schild’s Ladder, Greg Egan
Altered Carbon, Richard Morgan
Hyperion, Dan Simmons
Revelation Space, Alastair Reynolds
Fairyland, Paul J. McAuley

Aquando da publicação da lista, não tinha lido ainda nenhum dos livros referenciados, ainda que conhecesse alguns dos autores. Paul McAuley é o autor de A Invenção de Leonardo, Christopher Priest escreveu o livro que originou o filme O Terceiro Passo (The Prestige) e Dan Simmons é responsável pela obra Song of Kali.

E foi depois desta lista, que me resolvi a pegar no Altered Carbon de Richard Morgan. De uma forma geral, correspondeu à curta descrição da locus – de leitura compulsiva, com toneladas de acção mas, ainda assim, bem escrito e balanceado.

Richard Morgan cria um Universo futuro de moldes próprios mas não excessivas, e não tem medo de os explorar. Lojas, hóteis ou bares são geridos por computadores, acessórios computorizados podem ser implantados e permitem diferentes habilidades ou proporcionam singlares experiências e, mais interessante ainda, a nossa “alma” pode ser gravada e transferida para um novo corpo aquando da nossa morte.

Sem dúvida, um excelente livro. Um futuro clássico? O tempo o dirá.

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Livros publicados / O meu comentário ao livro ...
« em: Dezembro 20, 2009, 20:39:45 pm »
O Senhor da Guerra dos Céus é o primeiro de uma trilogia intitulada A Nomad of the Time Streams, em que cada um dos volumes pode ser lido independentemente, retratando as viagens no tempo de um homem que é transportado para uma realidade alternativa. Misto entre história alternativa e ficção científica, a trilogia enquadra-se no género Steampunk.

Neste primeiro volume Bastable é transportado para o futuro, para o final do século XX, onde conhece um Mundo sem guerras, em que as grandes potências económicas colonizam todos os restantes países e o nível de vida dos cidadãos dos países colonizadores é pago pelos habitantes das colónias.

A história inicia-se com Bastable, um jovem inglês que é responsável por conduzir um pequeno batalhão na Índia de 1902, com o intuito de controlar a revolta de algumas povoações. Esperando obter tréguas sem necessidade de travar uma pequena guerra, Bastable concorda em seguir um poderoso chefe religioso à povoação nativa, conjuntamente com os seus guerreiros, para jantar. A comida encontrava-se, no entanto, envenenada,  e numa tentativa de fuga desesperada, refugiam-se no Templo de Todos os Deuses. Atacados por uma força misteriosa, perdem a consciência.

Bastable acorda, sozinho e dorido,  com as roupas gastas, envelhecidas e apodrecidas.  Repara então que o Templo e a povoação onde se encontrava horas antes, se encontra agora em ruínas e que todos os caminhos terrestres que lhe permitiriam sair do rochedo se encontram cortados por fundas escarpas. Antes que fosse capaz de se recompor face às mudanças que observa, Bastable vê um enorme objecto voador, um dirigível inglês, que o salva e o transporta para uma impressionante e moderna cidade de Londres.

No final do século XX a tecnologia permite aos cidadãos ingleses viver com todas as comodidades e sem doenças, numa sociedade utópica que não conhece nem guerras nem vandalismos. Um mundo perfeito – assim pensa Bastable até conhecer a outra face da moeda, em que os cidadãos dos países subjugados alimentam as mordomias das grandes potências económicas e militares.

Se em Eis o Homem Michael Moorcock nos tinha apresentado um passado diferente pelos olhos de um homem moderno, em O Senhor da Guerra dos Céus descobrimos uma actualidade diferente, descrita por um homem do início do século. Ainda que o mundo se tenha desenvolvido de forma díspare, alguns dos mais relevantes acontecimentos do século são inevitáveis, mesmo com a alteração de contexto.

Livro pequeno de edição cuidada, esta é uma história curiosa não só pela forma original como nos é introduzida (supostamente estamos a ler o manuscrito deixado pelo avô do autor), como pela aventura que é vivida por Bastable e pela sociedade utópica que se torna gradualmente numa distopia. Este é um relato movimentado que toca em questões políticas e sociais da actualidade como a autonomia Vs comodidade /paz; ou a riqueza de uns às custas da pobreza de outros; ou ainda a crescente poluição resultante de um desenvolvimento frenético – ainda que tenha sido escrito em 1971 nem por isso as ideias descritas se encontram desactualizadas.

Para além de O Senhor da Guerra dos Ceús, de Michael Moorcock foram publicados, em português e pela Saída de Emergência, Eis o Homem e a série Elric. Na colecção de Ficção Científica da Europa-América podem encontrar A Cidade da Neblina Verde (City of The Beast), O Senhor das Aranhas (Lord of the Spiders) e Os Senhores do Fosso (Masters of the Pit) e pela Panorama A Escuna que Veio do Gelo (The Ice Schooner).

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Livros publicados / O Último Anel - Kiril Yeskov
« em: Dezembro 20, 2009, 20:38:16 pm »
Apesar de ter (como se deve reparar) uma preferência por obras de Fantasia ou Ficção Científica, ao contrário do que se possa pensar, nunca fui uma fã incondicional de Tolkien. Admiro o seu trabalho, o Mundo Fantástico que desenvolveu nos seus livros, a extraordinária mitologia que os rodeia e a sensação de surreal intemporal que me desperta. No entanto, não acho a sua escrita maravilhosa, mas até algo maçuda ou aborrecida.

Foi com este espírito que peguei em O Último Anel de Kiril Yeskov. Dos fracos não reza a história, e será a versão dos vencedores que se trata em O Senhor dos Anéis. A obra deste autor russo, debruça-se exactamente sobre o lado oposto.

O início é, também, um pouco massudo e denso, com longas descrições que nos introduzem uma visão história diferente, e muito interessante. Felizmente, estas longas narrações diminuem para dar lugar a trechos mais movimentados e interessantes. Os que são conhecidos pelos “maus da fita” mais não são afinal que os lutadores honrados, que constituem um povo civilizado e tecnologicamente desenvolvido; enquanto que, os restantes, seguidores da magia, são os caprichosos e supersticiosos. Será por causa do rápido desenvolvimento tecnológico que Gandalf começa a tecer uma rede de intrigas que terminará na famosa guerra.

Claro que sabemos quem vence. Ainda assim, e talvez por isso mesmo, esta versão torna-se mais interessante, mais movimentada e mais tocante. Ainda que não se encontre entre as minhas melhores leituras de todos os tempos, gostei muito desta versão alternativa.

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Livros publicados / Pavana
« em: Dezembro 20, 2009, 20:35:48 pm »
Pavana foi dos poucos livros que já tinha em inglês antes da publicação em Portugal pela Saída de Emergência. Foi, por isso, lido na versão original. Aqui fica o meu comentário

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E se… em Inglaterra a Rainha Isabel tivesse perecido antes de vencida a Grande Armada, sendo o país conquistado pelos espanhóis e subjugado à Igreja Católica? E se o poder da Santa Igreja nunca tivesse esmorecido e a Inquisição continuasse a queimar e a torturar inocentes por vários séculos mais?

Tal como Harry Turtledove em O Dilema de Shakespeare, Keith Roberts explora o cenário inglês sob o domínio católico. Mas se, no primeiro, se explora a premissa em torno da personagem que deu o nome ao livro, em Pavane, após uma breve descrição dos acontecimentos, somos levados a um século XX em que persiste a sociedade feudal, e as inovações científicas são vistas como blasfémias e necromancia.

Keith Roberts não se limita a contar uma história, mas sim sete, o que permite conhecer diferentes facetas da estranha sociedade que se desenvolveu ao longo dos séculos sob a soberania da Igreja Católica e da sua temida Inquisição. Murmura-se, no entanto, sobre uma revolta.

Na primeira história, The Lady Margaret, conhecemos o jovem Strange que recentemente herdou uma pequena transportadora, constituída por comboios que não circulam sob carris. Esta história introduz-nos no mundo estranho que se tornou Inglaterra, onde ainda se acredita piamente na presença do povo das fadas. Em The Signaller acompanhamos uma criança que cedo descobriu o seu futuro – pertencer aos sinaleiros, uma Ordem responsável por manter um método primitivo de comunicação à distância. Por sua vez, Brother John é a história de um frade, de humiledes origines que terá seguido a vida monástica pela sua vocação artística. É por esta faceta que é requisitado ao centro da actual Inquisição onde assiste à tortura de vários inocentes.

Algumas das histórias interligam-se: são-nos relatadas algumas gerações da família Strange, que servem para ilustrar a evolução de Inglaterra nesses poucos anos, em que se fala sorrateiramente de liberdade e autonomia da Igreja Católica.

Pavane é, para além de uns melhores livros de história alternativa que já li, uma obra que retrata, com coerência, um mundo que podia ter existido Se.

A maioria das histórias que constituem Pavane foram inicialmente publicadas pela Science Fantasy, posteriormente reunidas num único volume. A versão que tive oportunidade de ler pertence à colecção Scfi Masterworks da Gollancz, mas a obra foi já traduzida e publicada, sob o nome Pavana, em Portugal, pela Saída de Emergência.

7
Livros publicados / O Caderno Secreto de Leonardo - partes I e II
« em: Dezembro 20, 2009, 20:34:06 pm »
Quando publiquei o comentário a O Caderno Secreto de Leonardo, tinha já lido os dois volumes:

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Jack Dann é um prolífero autor americano, que reside há vários anos na Austrália, cujo trabalho é comparado com Jorge Luís Borges, Roald Dahl, Lewis Carrol, J.G. Ballard e Philip K. Dick. Com as suas obras foi nomeado diversas vezes para vários prémios e venceu prémios tão sonantes como World Fantasy Award (com Dreaming Down-Under) ou Nebula (com Da Vinci Rising, um conto baseado em The Memory Cathedral ou O Caderno Secreto de Leonardo).

The Memory Cathedral ou O Caderno Secreto de Leonardo, como foi publicado em Portugal pela Saída de Emergência (em dois volumes), foi vencedor do prémio Aurealis, um importante prémio australiano que data de 1995.

Em O Caderno Secreto de Leonardo seguimos um dos artistas mais misteriosos da história na sua carreira multifacetada como pintor, escultor, engenheiro, matemático, inventor, anatomista, arquitecto, botânico, músico e escritor. Ainda que todas estas facetas sejam mostradas ao longo do romance, é nas capacidades pouco realizadas de engenheiro e inventor, que Jack Dann se centra.

Aproveitando alguns anos da vida de Leonardo pouco documentados, o autor encaixa a possibilidade de uma viagem ao Oriente, onde Leonardo terá tido a oportunidade de desenvolver e aplicar algumas das suas mais espectaculares invenções, principalmente aquelas de utilidade bélica.

No início do livro conhecemos o jovem Leonardo, um jovem aprendiz, enamorado por Ginevra, a filha de um rico comerciante que vê o seu futuro enegrecido aquando da proposta de casamento de um homem muito mais velho. Para salvar a riqueza e a honra da família, afasta-se de Leonardo. Este, destroçado, tenta aproximar-se da amada, mesmo depois do casamento. A seu cargo tem um jovem, Niccolò Machiaveli, o mesmo que terá escrito, anos mais tarde, O Príncipe, e que terá cunhado o termo maquiavélico.

Leonardo ganha fama através da qualidade das suas pinturas e esculturas, tornando-se um protegido d’O Magnífico, Lorenço de Medici. Ainda que apresente os belíssimos planos para potentes armas de guerra, pessoalmente ou por carta a vários possíveis candidatos, nenhum dos mecenas o vê como um engenheiro de guerra.

Após várias conspirações, a guerra silenciosa entre os Pazzi e os Medici, rebenta em Florença aquando da morte de Giuliano Medici, irmão de Lorenço. A cidade de Florença torna-se instável, e qualquer pessoa pode ser facilmente decapitada ou aprisionada. Leonardo é assim, obrigado a deixar a cidade, levando consigo Niccolò e acompanhado por alguns artistas. Entre os persas é obrigado a desenvolver as máquinas de guerra, que serão utilizadas para combater e amedrontar o enorme exército turco.

O Caderno Secreto de Leonardo explora Da Vinci não só enquanto artista, inventor e engenheiro, mas também como Homem, capaz de ceder à fúria e ao amor, influente e influenciável.

Cada capítulo se inicia com um separador, que contém citações de vários autores, inclusive de Leonardo. Ainda que graficamente o aspecto interno seja agradável, as capas são, para mim, o ponto negativo – são bem menos atractivas ao vivo do que olhando para as imagens.

Enquadrado dentro do género de História Alternativa, O Caderno Secreto de Leonardo constitui uma obra extensa de leitura aprazível, em que as páginas se sucedem rapidamente, sem momentos mortos ou aborrecidos – um livro recomendável para quem se interesse pelo Renascimento e pelo Homem Renascentista, Leonardo da Vinci.

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Livros publicados / O Dilema de Shakespeare
« em: Dezembro 20, 2009, 20:32:07 pm »
Vou deixar aqui a minha opinião, publicada originalmente no blog

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Ainda que na ausência do autor, O Dilema de Shakespeare foi outro dos livros apresentado no Fórum Fantástico de 2006.

Neste livro, Harry Turtledove re-escreve a história, mudando o desenrolar de uma batalha – A Armada Invencível vence a guerra contra a Inglaterra e é D. Filipe II que governa a Inglaterra, enclausurando a rainha D. Isabel.

Num país feito bola de ping-pong entre dois adversários religiosos, vive-se sob a inquisição em temor constante de que a mínima suspeita resulte em acusação de heresia.  Entre a confusão religiosa, acções heréticas e traições (a quê, se todos os princípios tinham sido já quebrados, algures) o espaço de manobra é cada vez mais escasso para se viver em paz.

Cobarde, Shakespeare é considerado o mais talentoso dramaturgo do seu tempo, e ainda que tente viver sem chamar a si grande atenção, é a sua fama que o torna peça central no enredo político-religioso – duas peças de objectivos opostos são-lhe encomendadas, uma sobre D. Filipe II pelos ocupadores espanhóis, e uma Boudica por quem pretende se revoltar.Simultaneamente, um outro escritor de peças encontra-se na cidade – tenente espanhol De La Vega – que se aproxima de Shakespeare pela sua paixão pelo teatro, paixão essa, só igualada pelas diversas mulheres,  e pela qual é sobejamente conhecido.

Entre os actos estupidamente heróicos de uns e os actos necessários cobardemente executados por outros, tem-se por vezes a sensação de se assistir a uma peça satírica extremamente movimentada, o que faz esquecer os possíveis erros históricos com os quais nos podemos deparar a meio. Ainda que a história se desenrole no campo da hipótese, do “E Se” , nem por isso deixa de ser menos interessante – uma ideia bem explorada capaz de colar o leitor até ao final, mas acima de tudo, divertida e que proporciona bons momentos.

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