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Mensagens - Manolete

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Revistas Bang! / Re: BANG! no Brasil
« em: Setembro 18, 2013, 02:59:26 am »
Não há mesmo maneira de obter os exemplares em papel? Tipo encomendar livros à editora.

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Sugestões à Editora / Re: Harry Harrison
« em: Setembro 10, 2013, 03:01:17 am »
Está algures na minha pilha... dos que ainda falta ler... A premissa parece-me boa e o prefácio do nosso João Barreiros é tentador.

Se ao menos os dias tivessem 48 horas.

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Escrita Criativa / Re: A Flávia é minha amante... (conto)
« em: Julho 08, 2013, 17:30:25 pm »
Decidi acrescentar votação, para ver se tenho algum feedback... Espero que gostem.

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Escrita Criativa / A Flávia é minha amante... (conto)
« em: Julho 08, 2013, 02:46:14 am »
A Flávia é minha amante...


  Neste momento a Flávia é minha amante. Ainda me vejo ao lado dela como das primeiras vezes, rodeado pelos olhares de uma multidão. Oh! dizem entre si os tolos que há pouco falavam com ela embasbacados Oh! Aquele deve ser o namorado! E continuam a falar, olhos fixos em nós e comentários sussurrados. Para dizer a verdade, não é das fodas que me gabo. Como ouvi há tempos a um colega, a rata é toda igual e posso agora acrescentar que não há diferenças taxionómicas entre ratas bem-sucedidas e ratas mal sucedidas, entre ratas ricas e ratas pobres, para além das variedades de tratamento e cuidados de limpeza… e claro está, da autoestima de quem lá vai.
  Mas como estava a dizer, não é de a foder que me orgulho, não é de ouvir as suas palavras doces e muito menos de conhecer uma pessoa onde muitos outros veem uma figura. Não. É algo mais como isto: a Flávia é minha, pertence-me, o que logo faz de mim um grande guerreiro desta tribo…
  …E logo isso me remete para outro tempo. Foi para aí há vinte anos, muitos séculos e incontáveis sonhos despertos, quando eu era uma simples criança. Bem me lembro do João Ricardo, com um «R» recortado que intimidava os que o ouviam como o vilão charmoso de um desenho animado qualquer. Era um tipo tramado esse João Ricardo, temido pelos Colegas que não gostava e mesmo respeitado por alguns dos Mais-Velhos (pois bem, o tipo sabia levar a melhor). Assim como também me lembro da Joanita, aquela que todos desejavam mas ninguém tinha, ninguém excepto o João Rrrricardo, é claro. Muitos anos depois, Ela tornou-se lésbica e a personalidade Dele veio a apodrecer de maneirismos a milhares de quilómetros (reais e imaginários) dali. Flávia andava por perto, embora nessa época se enquadrasse no grupo dos Mais-Velhos, subclasse dos Muito-Mais-Velhos, espécie dos Que-João-Ricardo-Se-Estava-Nas-Tintas-Ou-Não-Lhe-Interessava-Conhecer e como tal nem vale a pena referi-la.
  Como já foi dito, João Ricardo foi para muito longe, onde os espécimes locais reclamavam da sua enorme «fixeza», Artigo 1 por causa de tamanha ousadia ser proibida aos de fora da terriola, Alínea A, apenas porque sim. Na altura pensei nesta idade das trevas da minha personalidade sob o título de um romance imaginário «Quando os Leões Viram Gatinhos!», pois de facto eu sou o João Ricardo. Enfim pareceu-me bem na altura, quando eu não sabia que um simples gatinho na vida selvagem se tornará um voraz predador. A vida sedentária, o acarinhamento da mãe, o rebaixamento do pai, levaram-me a não compreender muito os meus novos colegas. É tudo. Mas tal história não cuida aqui.
  Apesar disso, ainda me lembro de beijar a Ana num jogo de consequências… algo que não faria nos milénios seguintes. Como já disse, gozaram da supremacia aqueles que a força possibilitou e falando a sério, vivi quase uma década enfiado na toca, ou com o cu entre as pernas como diz a boa educação. Que pensarão eles, quando virem aquele instantâneo meu a beijar a Flávia, numa qualquer daquelas revistas parvas? Porventura lembrar-se-ão de mim? Penso que isso pouco me importa agora.
  Vieram outras com o tempo: Patrícia, com quem pudera ter a primeira experiência de cama se Jesus tivesse antes dito para nos fodermos uns aos outros, Marta com quem poderia ter sido feliz, se tivesse feito as coisas bem, Cláudia, uma boa rapariguinha para tudo, menos para namorar (tampouco o era eu na altura), mais três ou quatro casos isolados na discoteca.
  Fui para a faculdade para aprender… e aprendi de facto. Conheci a Daniela, a Belinha e a Ana Cláudia (não, devo antes dizer a Doutora Ana Cláudia, foi para isso que passou quarenta anos da sua vida sem conhecer um homem, apesar de pertencer à ordem das Boas-Como-O-Milho). Veio entretanto a Cátia e uma pausa para longas noites de carinho e amor. Até conhecer a Flávia.
A Flávia que move multidões. A Flávia cuja voz é ouvida por milhares de pessoas. A Flávia que… que tem uma cara que já tinha visto algures. Perdoem-me, eu não sou muito de ver televisão.
  Palestras imaginárias, convites para eventos inexistentes, jogos enredados em palavras inventadas a cada teclada, Muito obrigado por nada, agradecemos a sua solicitude, eu sei que sou uma merda e tu não vendes a tua imagem aos da ordem dos Merdas, subclasse dos Só-Eventualmente-Podem-Vir-A-Ser, espécie dos Que-Te-Dão-Piropos-Caros-Mas-Tu-Sabes-O-Que-Eles-Realmente-Querem, mas minha cara Flávia não tens por onde fugir, meu amor, minha deusa, a cada mensagem que respondes, sentes mais apertado o laço em redor do teu lindo pescoço e tenho uma proposta que não podes recusar. Agora! Enfim, agora já és minha.
  No início destas linhas julgo ter caído no erro de dizer que não existe a mais pequena diferença entre ratas. Permitam-me que reformule agora a minha opinião, pois uma Femnis Rattus Superstar é sempre uma Femnis Rattus Superstar, não devendo ser comparada com o seu parente vulgar, pois embora frequentemente estudada pelos cientistas da Discovery Channel, não é muito comum de avistar na região onde moro. Isso leva a uma enervante grande procura.
  Eu capturei uma, viva e em bom estado, passível de ser exibida em exposição. E para amigos nem é preciso bilhete.

  E neste preciso momento, estou junto à escrivaninha do quarto, inebriado e sem sono, escrevendo estas linhas enquanto seguro os genitais com a mão esquerda. A luz acesa do candeeiro fê-la acordar e agora Flávia chama-me docemente, batendo ao de leve no lençol amarrotado onde eu deveria estar. Os seus olhos cobrem-se de luxúria ao topar o meu corpo nu e então ela diz maliciosa Meu amor anda, vem-me foder! Outra vez!? Que seca, já me ando a fartar dela...

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Escrita Criativa / Conto - A Estátua
« em: Junho 27, 2013, 02:05:57 am »
Bem, esta coisa foi criada no espaço temporal de um dia...


 Ao aproximar-se do desgracioso pardieiro, o velho soldado suspirou. Apesar de tudo, aquela mulher atemorizava-o. Prendeu o cavalo à entrada, desatou as babeiras do elmo e retirando-o pousou-o na sela. Desmontou de um salto e concertando a espada ao cinto, entrou no escuro tugúrio. Apenas uma tocha, colocada a um canto, iluminava todo o espaço, à luz tosca da qual pôde ver o corpo esbelto de Ninfarti, a bruxa egípcia.
- Fizeste-me esperar Alexandrus – redarguiu ela vendo-o entrar – Espero que o tempo te tenha clareado as ideias.
Por momentos estacou, tentando assimilar os comentários insolentes daquela mulher, que no fim de contas não passava de uma escrava. Haveria tempo para lidar com ela depois, por ora não a podia perder.
- Pedes-me que rapte a filha do pretor – respondeu -  Acaso acharás que não advirão consequências?
 - Deixa isso comigo – redarguiu ela, estoicamente – Se as coisas derem certo, Flávia não passará muito tempo fora de casa – e olhou-o nos olhos – Repara bem Alexandrus: é isso ou uma incursão nas bárbaras terras da Germânia. O pretor não tem dúvidas sobre o que fazer contigo. Ouço coisas interessantes sobre o que os homens de lá fazem aos soldados romanos que apanham. Ofereço-te uma hipótese de ficares aqui a troco de muito pouco, para além de te vingares de Muzena. O que queres mais?
 Alexandrus caminhou pela velha sala, olhando muito curiosamente os cantos escuros, enquanto meditava na situação.
- Se ao menos pudesse ter uma garantia – concluíu por fim – Como saberei que irás mudar a opinião do pretor a meu respeito?
- E acaso duvidas da minha palavra!? - redarguiu ela, bruscamente.
 Não podia confiar numa simples escrava. Muito menos em Ninfarti.   
- Muito bem – concluíu – Amanhã terás Flávia à tua disposição.

****

 Quando a pá de um dos homens desenterrou uma coluna quase intacta, o feitor não se surpreendeu. Na sua vida de trabalho já vira desenterrar dois esqueletos com restos de joalharia, assim como cerâmica de todo o tipo e ocasionais moedas de cobre e prata. Sem que o Dr. Raimundo soubesse, guardava algumas das últimas em casa. Mas quando a coluna foi desenterrada e uma parede se ergueu por detrás daquela, resolveu logo chamar o patrão, a fim de tomar uma resolução.
- Espetacular – disse aquele, espantado, quando viu parte do edifício desenterrado – Quero que continuem, dá dispensa aos homens da quinta por dois dias e manda-os continuar a desenterrá-lo – e feito isto, subiu para o cavalo e abandonou o local.
 Mas quando o trabalho estava praticamente acabado, mandou expulsar praticamente toda a gente, levando-os a guardar segredo de tudo o que haviam visto. Durante alguns dias a estranha descoberta causou alarido na vila, onde entre outras coisas se ouviu dizer que uma comitiva do Governo iria chegar.
- E consegues mostrar-me isso, Francisco? - perguntou o Dr. Morais, médico e estudante de História – Dou-te cem escudos se essa estátua estiver em bom estado.
 Francisco suspirou, retirando a boina e coçando a cabeleira desgrenhada.
- É claro, senhor doutor – continuou ao fim de um bocado – Pode crer que está. O Doutor Raimundo nem sabe que ela existe. Encontrei-a enterrada a alguns metros fora do edifício. Poderei passar por sua casa esta noite, se o senhor doutor não se importar.
- Faz isso, Francisco – terminou o médico, colocando o chapéu – E tenta que não te vejam. Se alguém te perguntar, diz que é um ataque de tosse que te traz a mim.
 Francisco assentiu, abandonando apressadamente o local.
 Era já bastante perto da meia-noite quando o médico ouviu a sua aldraba bater. Abrindo a porta, encontrou Francisco arrastando um pesado fardo. Vendo a rua deserta, mandou-o entrar sobre o hall da sua casa.
- O Sr. Doutor nem sabe as voltas que tive de dar – prosseguiu Francisco, pendurando a boina no cabide à entrada -, quase ia sendo apanhado.
O médico concordou com um aceno. Impaciente, ordenou que o feitor abrisse a caixa e mostrasse o seu conteúdo. Pasmou ante o que viu.
Lá estava a pristina beldade de mármore de traços graciosos. Tinha as mãos vazias, numa posição de calma com um olhar penetrante a dar um passo na direcção do observador. Nunca o médico pudera contemplar uma obra de arte tão bela.
- Lá nisso os mouros eram engenhosos – prosseguiu Francisco, vendo a sua admiração.
- Mouros não, isto é coisa de romanos que andaram muito antes por estas terras – redarguiu o doutor com brusquidão – para começar, os mouros não representavam figuras humanas – concluíu, esquecendo-se que falava com um iletrado. Francisco encolheu os ombros, desprezando o comentário. Muito ansiosamente, esperou que o outro parasse a sua contemplação da velha estátua e o recompensasse pelo trabalho.
 Pegou na nota quando o outro lha estendeu e desejando uma obsequiosa bênção ao doutor, retirou-se pela porta. Uma vez mais o discipulo de Esculápio olhou para a mulher de pedra, indagando que figura representaria. Hera, Vénus, ou simplesmente a mulher de um patrício? Não tinha aderessos visiveis que a demarcassem como uma divindade, nem a sóbria posição e característico vestuário de uma figura do quotidiano. Por momentos pensou em ter sido tão facilmente burlado por um bruto como Francisco, mas depressa rejeitou essa hipótese. Nada disso interessava agora, apenas a incrivel beleza daquela mulher de pedra, tão maravilhosamente esculpida. Pegou numa lupa e observou-lhe os detalhes, surpreendendo-se por não encontrar visiveis marcas de cinzel. Observou-lhe a cabeça, e o seu espanto foi tanto maior, ao conseguir entrevir até o mais fino cabelo.
 Apesar dos seus conhecimentos bastante rudimentares de escultura, não tardou a reconhecer aquela figura como a obra de um mestre. Miguel Ângelo ficaria envergonhado diante de tão esplendoroso trabalho. Pegou num cigarro e acendeu-o, sem perder de vista tão magestosa figura.
 Talvez a Universidade ou o museu lhe dessem uma quantia por ela que envergonharia os cem escudos que dera a Francisco, mas agora que a possuia, não conseguia desfazer-se de tão insólito objecto. Aqueles brancos olhos de pedra em sua frente, mesmerizavam-no com o calor de uma entididade viva.
Quem quer que fosse a modelo para aquela estátua deveria ter sido linda. Infelizmente, pensou com tristeza, separava-os um abismo de dois mil anos. Apagou o cigarro e cobriu-a de novo com um pano. Subiu as escadas e foi-se deitar.

 Acordou com o restolhar de passos durante a noite, o que ele prontamente descartou como produto da imaginação. O grande casarão onde vivia, era propicio à criação de sons e a sua vida solitária e repleta de leituras, a ideal para a imaginção de histórias. Voltou-se para o outro lado.
 Um enorme estrondo. Algo tombou estilhaçando-se no chão.
Ficou inquieto. Olhando para a escopeta ao seu lado, tomou uma resolução de lhe pegar. Acendeu uma vela e encaminhou-se para as escadas. Não precisou de andar muito até encontrar vários estilhaços espalhados pelo chão, notando que boa parte do seu conjunto de copos estava destruido. Inicialmente pensando tratar-se de um assaltante, esteve prestes a descartar tal hipótese ao encontrar as janelas fechadas e nenhum indicio de a enorme porta ter sido forçada. Pensou na vaga hipótese de um gato se ter infiltrado por qualquer buraco, como o causador dos estragos e só então por casualidade, reparou que no lugar da estátua, restava apenas o resto de farrapo que a cobria.
 Então, ficou perplexo, ao virar-se, encontrando a mulher mais linda que se lembrava. Vestia uma túnica branca e de cabelos loiros, aquela era a personificação de Afrodite.
- Qui estis vos, domine? - perguntou algo receosa. Não teve dificuldade em reconhecer as palavras, e por uma vez foi como se se abrisse uma brecha na História, transportando-o a um passado remoto. Ela tinha um sotaque muito diferente dos vários lentes universitários que ouvira até então...


Spoiler:  Leiam só depois... (click to show/hide)

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Contos Conjuntos / Re: 3º Conto Conjunto - Regras e Inscrições
« em: Junho 27, 2013, 01:16:06 am »
Boa sorte ao pessoal que vai participar. É uma boa forma de agilizar o processo de escrita.

Uma outra personificação do eu participou nas anteriores e confesso que aprendi bastante. Boa sorte com isso.

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Vi ete tópico por acaso e discordo profundamente desta frase:
Citação de: Fernando Pinheiro
Quando o patriotismo entra na criação duma história baseada em facto verídicos duma nação (normalmente a do autor), nunca é fidedigno.  A História têm sempre dois lados. Mas os patriotas fundamentalistas só vêem um lado e não admitem que por vezes os seus heróis são na realidade os vilões da história.
Para começar não há heróis nem vilões na História. Essa subjectivação da personalide humana só existe na ficção - chama-se a isso maniqueismo e é dever do historiador evitá-lo a todo o custo. E a história não tem dois lados, tem muitos lados - mas uma "reconstrução histórica" não é História, nem deve ser confundida com tal, e por muito boa que seja, tem apenas um lado - o lado de quem a conta.

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Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Junho 02, 2013, 19:36:01 pm »
Somente a título de curiosidade, está exposta na cidade de Winchester-Inglaterra uma réplica daquilo que dizem ter sido a "távola redonda". Esteja ela próxima da realidade ou não passe de um mito, é linda, imponente e transporta-nos facilmente até aquela época.


Por acaso já conhecia. Para o sensacionalismo é muito boa, e de facto é um objecto medieval, mas não é preciso ser historiador para perceber logo que não pode datar dos sécs. IV-VII, altura provavel da possível existência de Artur. Se é que o rei Artur existiu de verdade, não seria mais que um chefe tribal celta, mas é igualmente provavel que seja ele apenas um embuste, uma figura mítica, para glorificar as acções celtas contra as invasões saxónicas. De facto essa trampa toda da Távola Redonda foi provavelmente criada pelo poeta Chrétien de Troyes numa "reciclagem" do mito em pleno séc. XII procurando justificar a nobreza de acções de uma classe que, pelo seu poderio militar, se então demarcava entre as fileiras da arraia miuda - a cavalaria. A Távola Redonda é tão simplesmente uma alegoria poética para os ideais cavaleirescos, nada mais.

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Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Maio 30, 2013, 21:00:22 pm »
Bem, não sou grande desenhista, mas enfim... Tenho uma ideia firme em mente e por vezes dou uns toques.

Imagino a minha personagem Sara Vingelha qualquer coisa como isto:

Spoiler: Sara Vingelha (click to show/hide)

Como disse noutro tópico, o meu projecto inicial seria uma coisa mais folclórica... Foi por isso que lhe chamei "Mantilhas e Capotes Punk".

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Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Maio 30, 2013, 17:41:24 pm »
Citação de:  Fernando Pinheiro
Bom, comigo, ouvi falar pela primeira vez quando era pequeno, em Mefistófeles na Marvel Comics com o nome de Mefisto (Mephisto), na BD do Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider). Quando comecei a interessar-me por fantástico aos 6 anos. Descobri a peça de Goethe. Mais tarde (na adolescência) descobri que a peça de Goethe era baseada noutra peça que era por sua vez baseada na lenda de Fausto.  8)
Nunca fui muito de ler comics, agora arrependo-me dessa falta. O meu percurso na literatura é um bocado sui generis. Na infância li a primeira série dos Arrepios (Goosebumps) quase toda, mas fora isso nunca ganhei hábitos de leitura. Só voltei a pegar num livro com 15 anos, era o Alves e Cia do Eça de Queirós, mas só mesmo aos 17 é que comecei a ler assiduamente. Contudo, desde então compensei muito essa falha.

Citar
Bem me parecia, que havia influência espanhola de alguma forma no conto, não tinha era a certeza.
Gostei dos filmes. Mais pela aura transmitida do que pelo teor em geral, para além dos cenários (bastantes cenas foram filmadas em Portugal), há algo bastante "nosso" nesses filmes que não consigo explicar. Uma espécie de imaginário colectivo que nos dá uma sensação de próximidade. Estão entre os meus favoritos.

Citar
Tenho uma dúvida, reparei que puseste uma gárgula no cemitério, no Início, mas não consegui saber se era uma gárgula ou um grotesco. Pode até parecer que são a mesma coisa, mas uma gárgula escorre água, um grotesco já não. As "gárgulas" do D&D são na realidade grotescos animados por magia. As estátuas do Notre-Dame, essas já são gárgulas.

Sei que é um pormenor pedante, mas enfim.  ;D
É como dizes pormenor estúpido, mas ainda bem que o referiste, pois levaste-me a pesquisar. Gargouille (no original francês) é sinónimo de gargalo, escoador de água - confesso que não sabia. Contudo acho que esse pormenor tem pouco relevo na história e usei-me da palavra gárgula mais pelo significado que tem no imaginário do leitor do que pela sua definição teórica. Se formos radicais do ponto historiográfico, também poderiamos salientar que não existiam cemitérios afastados das povoações nos inicios do séc. XIX e que portanto, dado que a história se enquadra algures entre meados e fins desse século, o cemitério nunca poderia ter mais que uns 50/60 anos nessa altura. Mas a História cronologicamente datada só serve para os historiadores, pois a nós interessa-nos muito mais o ponto de vista estético e além do mais, a distância temporal é vista de um modo muito diferente entre um erudito e um analfabeto (como se supôe os personagens do conto). A  expressão no antigamente, amiude usada em contexto rural, tanto pode descrever um acontecimento que ocorreu há 800 anos, como algo que ocorrera no tempo dos avós de quem está a narrar (a história toda resume-se a um mitico in illo tempore, cuja estética eu tentei captar, talvez bastante aquém).

Enfim, quanto ao cemitério, pensei ainda fazer uma sequela datada na actualidade em que se revelasse ser aquele um conjunto de ruinas visigóticas repletas de significado para a gentes da Vila, onde a primeira história não fosse mais que uma lenda com um enquadramento histórico bastante desfigurado pela tradição oral. Mas já abandonei esse projecto e estou a trabalhar noutras coisas.

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Revistas Bang! / Re: Revista Bang! Quo Vadis!
« em: Maio 29, 2013, 16:47:25 pm »
Continuando a conversa sem off-topics;)


Manolete, o que eu quero dizer é que GoW é superior em qualidade ao filme animado Hércules da Disney.
Não compararia as coisas dessa forma. Começam por ter objectivos diferentes e públicos diferentes:

O objectivo do filme da Disney é parodiar e começa por estar cheio de anacronismos quer históricos quer mitológicos e nem sequer é consistente entre si. No filme o Philoctetes faz referencia aos Argonautas (na mitologia o Hércules é um deles), ao Aquiles e à guerra de Tróia como se já tivessem acontecido há muito tempo (contudo, a Cassandra é uma das amigas do Hércules na série e o Ajax também aparece). O Philoctetes vive na ilha de Rhodes e consegues ver partes do Colosso espalhadas pelo lugar. Aparecem figuras completamente desfazadas como o Heródoto a dar aulas de história ao Hércules.
Enfim, o objectivo é criar uma brincadeira para um público infanto-juvenil.

No GoW não há o objectivo de parodiar, antes tens uma exploração violenta, por vezes sexual de tudo o que é a mitologia. Embora os mesmos anacronismos possam existir, o objectivo é rigorosamente outro - um jogo de acção para adolescentes/ adultos, cheio de gore.

Enfim, acho que estás a comparar a bolota com a perdigota. O Hércules é uma série dos anos 90 (pois é, já lá vão 20 anos) e o GoW é de 2005. Não me admirava que o criador do GoW crescesse a ver séries como essa do Hercules (e também a outra Legendary Journeys), onde fosse buscar inspiração para o jogo.

Pormenor estúpido, mas é interessante falar dele: Em todas as adaptações da mitologia aparecem sempre colunas dóricas e jónicas, mas na verdade elas são muito posteriores ao tempo desses mitos. Se considerarmos o Hércules uma figura histórica, devia ter vivido no Periodo Micénico, onde não havia nem Partenon nem o Templo de Zeus de Olimpia (até porque, juz ao nome, esse tipo de arquitectura foi introduzido pelos Dóricos, um povo originário da Ásia Menor que só veio a dominar o norte da Grécia por volta do séc. V a.C.).

Em vez de elegantes colunas e majestosos templos, a arquitectura no tempo do Hércules devia ser qualquer coisa como isto:


Um pormenor muito interessante para quem gosta de mitos, lendas, Oculto e outros folclores; diga-se de passagem.

E é um erro que a ficção teima em cometer, como se a fonte de mitologia greco-romana e História fosse o filme Clash of Titans.

Seria por exemplo mais realista se aparecessem estátuas de touros em Creta, em vez de colunas jónicas e dóricas.

E que os atenienses e os espartanos usavam armaduras diferentes.

Outro erro comum é o nariz da Esfinge, que é uma piada já seca.  ;D Já vi o nariz ser destruido mil vezes nos filmes, ninguém acerta na historicidade.

Outros erros comuns são: as estátuas não eram brancas e sem tinta, eram coloridas, as casas também. E as pirâmides eram não como são hoje gastas, eram branquinhas, como as paredes dos tribunais.
Continuando a conversa...

Descobri recentemente (já depois da minha resposta anterior) uma colecção de graphic novels espetacular sobre a Guerra de Troia. Age of Bronze de Eric Shanower. O autor levou a cabo uma investigação exaustiva sobre o periodo e tentou recriar a guerra como ela poderia ter sido, levando em conta as descobertas históricas e arqueológicas. Outro pormenor interessante é que nenhum personagem da mitologia foi deixado para trás, se bem que todos os elementos sobrenaturais tenham sido retirados ou relegados para os sonhos dos personagens. No fim de contas, mesmo o desenho é surpreendente: bastante sóbrio, mas bastante apelativo.

http://en.wikipedia.org/wiki/Age_of_Bronze_(comics)

Infelizmente, ainda sairam apenas 2 volumes completos (desde 1998), estando projectados sete.

12
Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Maio 24, 2013, 01:00:49 am »
Saltei então de imediato para o falado conto do Manolete.
Achei que o conto começou a ser construído de uma maneira bem estruturada, com boas fundações e um mistério crescente que me foi puxando sempre para a linha seguinte. Porém, quando a "acção" entrou em cena, o castelo começou a ruir. Enumero aqui alguns pontos que deveriam estar melhor trabalhados:
1) Alguém que se depara com algo assustador, num momento de aflição certamente não diria algo como "Devem estar ali todos os nossos antepassados desde o princípio do tempo." (Foi aqui que senti o primeiro ponto negativo, o medo não chegou ao leitor)
2) A fuga do personagem, perdeu toda a credibilidade quando este inexplicavelmente perdeu todo o terror que sentia e entregou-se aos desejos carnais.
3) A ideia com que fiquei, foi de um desfecho forçado e mal idealizado.
4) Se nós vivenciássemos tal experiência, quando e "se" conseguíssemos regressar à casa, o último pensamento (ou sugestão de) que teríamos seria sobre a labuta do dia seguinte.
Se a trama estivesse mais trabalhada, poderia ter sido um conto muito bom. Para mim, foi um conto bom, com as suas falhas é verdade, mas também com os seus encantos. A ideia que ficou é de que o Pedro tem muito mais para dar.
Parabéns "Pedro Manolete" (Para mim, tás baptizado) :) Como estreia, cumpriste o teu papel. Não foste um Picasso, mas estiveste muito longe de falhar.

O ponto seguinte não é uma crítica, pois cada escritor segue o seu estilo e aqui, para o leitor, ou se gosta ou não. E é mesmo isso, apenas o expressar de um gosto. Eu, como leitor, não nutro grande interesse por textos onde as palavras caras são aplicadas ao desbarato.

Por fim, deixo uma pergunta ao autor: Um cemitério de aldeia do tamanho de uma enorme serrania? Se possível, gostaria de uma abordagem a esta questão que me deixou intrigado logo desde o início. (Esta pergunta não é uma crítica, é mera curiosidade. Este é o fascínio da escrita, onde o limite é o horizonte do autor...)
Ora muito obrigado pela tua critica Henrique, realmente também acho que o final é a pior parte, contudo eu gosto dele. Mas estou ciente que terei de fazer melhor para a próxima.
Fico contente que tenhas gostado. Infelizmente não tenho tido tempo de me sentar e escrever algo de jeito no computador, pois tenho andado numa grande azáfama.

Relativamente às outras questões (que eu não posso responder, pois não faço parte do sistema editorial, mas acho que posso dar a minha opinião). É realmente estranho ver da parte do Ammar (membro outrora tão fanático da Bang!) algum desalento relativamente à revista. Nesse aspecto acho que nunca houve dúvidas que a revista aceita colaborações da parte de estranhos, o problema é não abundar muita gente no país a saber falar desta área para além do "gostei muito da autora tal tal e tal tal e gostaria que a SdE continuasse a publicá-la" e infelizmente também não parecem ser muitos os interessados em lê-los (realmente nem sei porque há tanta gente "ansiosa" pela revista, parece mais ser um culto do que a necessidade efectiva de querer ler umas novidades, duvido até que a maior parte leia sequer os artigos, uma vez que a informação contida parece trazer tão pouco impacto no "clube de fãs"). Como tal, recai-se inevitavelmente na prata da casa. Relativamente ao Lameiras, pessoa que tenho o prazer de conhecer pessoalmente, e com quem tenho falado muito ultimamente, uma coisa é certa: muito poucos no país deverão saber tanto sobre BD como ele e ainda menos a querer fazer a sua aparição na revista. Tão simples quanto isso.

O problema desta revista não é a edição, não é a escolha dos autores da casa, nem algum amadorismo latente. Tudo isso surge de uma outra questão maior: ter um publico basbaque e não um público critico. Se os fãs olham para os conteúdos com o mesmo torpor que um grupo de velhinhas quando o padre levanta a óstia, as coisas não alteram e tendencialmente cai-se na curva decrescente. É com algum pesar que eu vejo isso acontecer, pois acho que a Bang! (ainda mais distribuida gratuitamente) tem muito para dar.

Foi só um desabafo...

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Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Maio 22, 2013, 01:40:39 am »
Citação de: Fernando Pinheiro
Foste inspirado na lenda de Fausto, correcto? E em lendas ribatejanas do Antigamente. E gostas de figuras sinistras de capuz e/ou véu, com ar luso e medieval.
Lendas ribatejanas? É muito vago falar assim... Para te dizer a verdade existe de facto um cemitério na minha terrinha perdido no meio do mato (não mais de uns quinhentos metros desde a ultima casa, diga-se de passagem, mas nem sempre foi assim, pois a povoação cresceu), que já está desactivado desde os inicios do séc. XX. As pessoas chamam-lhe tão simplesmente Cemitério Velho, para o diferenciar do "novo" que serve actualmente a povoação.
Quando em criança, ouvi (sobretudo da parte da minha avó) muitas histórias bizarras de almas penadas rondando esse cemitério à noite.

A forma como idealizei essas silhuetas, foi muito inspirada na tetralogia de filmes do realizador espanhol Armando de Osório "La Noche del Terror Ciego", "El ataque de los Muertos sin Ojos", "El Buque Maldito" e "La Noche de las Gaivotas", onde há quem diga que também o Peter Jackson foi buscar alguma inspiração para filmar os Nazgûl.

Quanto à lenda do Fausto? Não sei se aconteceu o mesmo contigo, mas desde a infancia (e muito antes de conhecer essa lenda) que ouço histórias de possessões/encontros pelo/com o Diabo. Por acaso acertaste em parte pois recorri ao aportoguesamento do nome de Mephistophles e pensei fazer mesmo uma referencia a essa lenda nos diálogos, mas desisti pela opção de não querer referencias a conteudos exteriores. Resta-nos apenas o Mefísto.
Nunca li Goethe e a minha maior inspiração nesse aspecto vem dos escritos de um monge medieval (aragonês, penso) que li ao acaso para um trabalho de faculdade - Gonzalo de Berceo, "Milagros de Nuestra Señora", uma colectânea de poemas sobre o permanente conflito (uma relação de amor-ódio por vezes) entre o Diabo e a Virgem. Penso que foi esse texto medieval que me fez interessar sobremodo pelo Diabo, sobretudo como ele era visto na Idade Média. Mas claro, este filme também me marcou bastante: http://www.imdb.com/title/tt0016847/

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Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Maio 19, 2013, 03:19:16 am »
Ora bem, onde é que nós iamos...

Não gostaria nada de estar “conotado” como alguém que faz critica que não seja construtiva.
Aliás, nem lhe chamaria crítica, mas mais uma apreciação ou um mero exercício de opinião.
Que, repito de novo, vale o que vale.

Neste caso, tentei escrever sobre a Bang! Nº 14 porque acredito que tem por detrás todo um trabalho de grande mérito e de grande entusiasmo por quem o edita, e igualmente por quem nele colabora.
Não pretendi nunca nesse exercício de opinião denegrir o trabalho de nenhum dos colaboradores, muito menos do Manolete, de quem louvo o esforço e a coragem no conto que produziu.

Mas não posso nem devo abdicar de escrever aquilo que penso.

Está bem, pode não gostar-se do estilo nem da forma como escrevo, tal como eu não gosto do estilo nem da forma do Lovecraft (não significando isso que não haja o ponto de vista diametralmente oposto, a exemplo de uma legião de apreciadores de Lovecraft, muitos deles até notáveis escritores, que eu próprio aprecio), sem que isso implique que tudo o que escrevo seja condescendente, mergulhado em farpas e destrutivo.

É verdade que aprecio a ironia, o sarcasmo, o humor e o trocadilho, mas que diabo (ai o cliché), não sobrevalorizem o estilo minimizando o conteúdo (se o tiver, claro! ;D), pensando que o intuito é destrutivo, só porque não vai de encontro aquilo que desejamos ou esperamos ler, em virtude do nosso empenho, da nossa dedicação, e do nosso tempo despendido.
Não é.

Cara Safaa, respeito o que escreves no texto acima e subscrevê-lo-ia integralmente se necessário fosse, mas agradeço que possam circunscrever os meus banais exercícios de opinião, que têm todo o direito de não apreciar, apenas e só a um determinado estilo, e nunca com intuitos não construtivos.

Até porque pior que a crítica mais destrutiva é destruição pela indiferença ou pelo não exercício da liberdade de opinião.

Entretanto, vou aguardar mais criticas a esta Bang!, que isso é que é verdadeiramente importante. Venham muitas...e boas!. ;) ;D
Não me sinto minimamente ofendido com a tua critica, nem as minhas competências postas em causa. Desde que sou professor que aprendi bastante no que toca à subjectivação e principalmente à relativização. Posso mesmo dizer que gostei da tua crítica, e estou ciente (clichés à parte) que preciso de criticas assim para melhorar... Disseste o que pensavas, foste conciso e preciso, não to posso censurar.

Além do mais foi uma critica apaixonada, o que me faz crer que em parte gostaste do que leste, ou que pelo menos o conto te fez despoletar uma reacção... o que é muito bom. Fico contente com isso e luto para que o meu engenho seja superior na próxima vez.

Infelizmente enganaste-te numa coisa: não sou directamente influenciado pelo Lovecraft, nem pelo Herculano. Depreendo que precisavas de um bom exemplo para dizer que os jovens amadores se agarram aos grandes nomes e copiam os clichés. Por vezes também penso assim. Mas se no meu caso foi essa a ideia com que ficaste, compreende que não era a ideia que eu queria transmitir.

E já agora o que é khardatiano (espero ter escrito bem)?

Se eu ficasse a aguardar que caísse um conto português perfeito na minha caixa de correio, ia ser uma tristeza a minha vida como editora. Nas revistas por mim editadas, quem chegou mais perto da perfeição foi o Jorge Palinhos. Não estou a contar com o conto do Barreiros que é já um veterano. Entre os autores desconhecidos, todos tinham imperfeições, aspectos por melhorar, algumas incongruências, mas se estou arrependida de os publicar? Não. A dedicação e persistência do autor em me convencer que era capaz por várias vezes influenciou a minha decisão final.

O Manolete tanto teimou e tanto partiu pedra, e tão prontamente aceitou o desafio de reescrever partes do conto, que acabou por ter uma atitude exemplar que não me importava de ver mais vezes. Claro que no fim de tudo continuo a ter que gostar do conto ou, pelo menos, a ver algum potencial nele e tem que cumprir os requisitos mínimos de competência. E eu vi esse potencial no Cemitério do Diabo e acredito que é um bom conto. Talvez um pouco longo demais, mas não quis que perdesse a riqueza dos detalhes e confesso que gosto do estilo barroco do texto, que é deliberado e não envergonha nada uma certa tradição e literatura portuguesas. E foi óptimo receber algo com um ambiente fantástico luso, para variar um pouco em relação a certos padrões que tenho lido.

Posto isto, encarem os contos portugueses de autores estreantes não como revelações ou obras-primas (pode acontecer mas é raro), mas como work in progress de autores dedicados e com potencial. E claro, são bem vindos com as vossas sugestões de melhorias e apontarem coisas que me possam ter escapado, mas façam-no de forma construtiva. ;)
É sempre gratificante receber alguns elogios da nossa editora. Muito obrigado Safaa pela confiança depositada em mim e já agora pela intersecção em minha defesa.

Quando escrevi o conto, não estava a pensar que iria ser uma obra-prima. Aliás, foi realmente reconfortante quando a Safaa me disse que poderia ter algum potencial com as devidas alterações, e passei dois meses a rescrevê-lo até encontrar uma versão que me satisfez mais do que as outras. É obvio que tenciono lutar por um patamar de destaque na literatura, mas tudo virá a seu tempo (ou não). Um passo de cada vez - por ora sinto-me bastante contente de ter levado a cabo uma história que me reverberava na cabeça à espera de ser posta em papel. E gostaria imenso de ouvir opiniões de outros, não necessáriamente a dizer bem, mas sobretudo sobre os aspectos que poderiam ser melhorados - são sobretudo esses que me interessam.

E já agora, fiz mesmo um pequeno trailer para o conto (podia ser mais pequeno, mas pronto 3 min):
http://www.youtube.com/watch?v=PhgVPxiYIZ4
Algumas imagens usadas pertencem a filmes e imagino que tenham copyright. Mas enfim... cada qual se desenrasca com o que pode.

O meu projecto inicial foi criar algo mais folclórico (literalmente), mais visual. Um género literário livremente inspirado no imaginário português. Só tenho tido dificuldade em encontrar artistas.

Gostava imenso de poder ler mais criticas, pois parece-me que este número da revista está a ser recebido com alguma apatia por parte do público.

PS:
Tens Fable? Bom gosto.
Sim gostei muito desse jogo. Infelizmente só joguei o primeiro.

15
Revistas Bang! / Re: Bang! 14
« em: Maio 15, 2013, 18:57:34 pm »
Muito obrigado ubik, apesar de tudo, é das críticas mais apaixonadas que li da tua parte...

Citação de: ubik
“ O Cemitério do Diabo” de Pedro Ferreira: Cá está mais um conto com reminiscências lovecrafetianas (confesso não perceber o que tanto novo autor vê em Lovecraft, para além da sua monotonia e do mal que escrevia) derivando para Alexandre Herculano modo “Lendas e Narrativas”. Abundante em lugares comuns (ai o cemitério, ai o diabo, ai as orgias), este conto pede cortes e mais cortes do editor, pelo que creio nem o título se Safaa (va)!
Confesso que ainda li bastante pouco de Lovecraft e estou disposto a concordar contigo relativamente à sua monotonia, quanto a Alexandre Herculano ainda não tive coragem de pegar nas "Lendas e Narrativas", mas pelo que sei, o espirito que tentei captar foi sobretudo esse. É difícil dilimitar-mos totalmente quais são as nossas influências, as coisas surgem-nos na cabeça simplesmente, mas eu inclino-me mais para os filmes de Jean Rollin (que também deve ter ido buscar muito a Lovecraft) e para toda a catrefada de romances oitocentistas que apanhei pelos alfarrabistas desde Salgaris a Terrails. Mas sobretudo a minha influência principal é a literatura oral que ouvi em criança quando morava numa aldeia ribatejana.

Citar
Com um início khadartiano “Contempla imortal, a Casa que um dia herdarás” algo hilariante,
Não sei se já tiveste a oportunidade de te cruzar com cemitérios oitocentistas, muitos deles têm uma caveira com um epitáfio à entrada, embora talvez mais poéticos "Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos", "Ó tu mortal que me vês, repara bem como estou, eu já fui o que tu és e tu serás o que eu sou", etc. Mas gostaria muito de compreender a que te referes com khardatiano.

Citar
vai-nos atirando outras preciosidades do género (e não me vou alongar):
Bem, pelo menos chamas-lhes preciosidades.

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“Diante aquele sinal as criaturas retomaram vida, correndo a abandonar o salão em várias direcções distintas,
As paráfrases são tramadas, ainda bem que tens melhor olho do que eu.

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regressando com uma imensidão de objectos necessários à prática de um banquete, tais como toalhas, discos de porcelana, vasilhames de cristal, faqueiros de ouro, jarros com vinho e outras espirituosas” (hein? Pode repetir?!).
Confesso que aqui deverias ser mais explicito.

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Um conto interminável e desinspirado, onde falta a tesoura dourada do editor, mas se calhar não havia melhor para incluir na Bang!…
Concordo em boa parte com a primeira, não concordo com a segunda. Perdi bastante tempo em pormenores de pouca relevância, talvez. Usei demasiados clichés, talvez, mas acho que soube usar-me da maioria deles sem cair no "mais do mesmo" e recriei um tipo de ambiente que (perdoa-me a ignorância, se for caso disso) não estou habituado a encontrar no romance contemporâneo.

Finalmente. Foi o meu primeiro projecto, pode-se dizer que parti pedra. Mais tarde vim a tirar cursos de escrita criativa e a ler bastante sobre o assunto, mas o texto já está escrito desde Novembro e nessa altura pouco mais sabia do que o que descobri sozinho. É certo que a Safaa me deu bons conselhos, inclusivé fazendo-me reescrever quase toda a parte final, mas de resto estava a partir pedra. Foi o segundo conto que escrevi e consegui que ele fosse aceite e publicado numa revista como a Bang! com alterações minimas. Para o bem e para o mal, foi um bom começo.

Citar
A ler por todos aqueles que queiram aprender como não se deve escrever.
Estou certo que tu nos irás mostrar como se faz melhor... Nesse aspecto, louvo a tua preocupação ;).


Bem Haja 8)

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