Autor Tópico: David Soares - Foto e bio  (Lida 8733 vezes)

0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.

Offline admin

  • Administrator
  • Leitor de Fim de Semana
  • *****
  • Mensagens: 96
    • Ver Perfil
    • http://www.saidadeemergencia.com
David Soares - Foto e bio
« em: Fevereiro 27, 2008, 18:28:54 pm »


Veja a bio de David Soares aqui:

Offline RuiBaptista

  • Bibliófilo
  • ******
  • Mensagens: 2214
    • Ver Perfil
    • Bela Lugos is Dead
David Soares - Foto e bio
« Responder #1 em: Outubro 11, 2008, 19:43:43 pm »
Não sei bem onde colocar esta pergunta (ainda não está aqui um tópico sobre o seu novo livro),mas o companion "Um passeio por Lisboa Triunfante" deve se lido antes ou depois do livro, "Lisboa Triunfante"?

Offline admin

  • Administrator
  • Leitor de Fim de Semana
  • *****
  • Mensagens: 96
    • Ver Perfil
    • http://www.saidadeemergencia.com
David Soares - Foto e bio
« Responder #2 em: Outubro 13, 2008, 10:44:42 am »
Viva,

Pode ser lido antes ou depois. Lido antes não tem spoilers mas aguça o apetite. Lido depois, desenvolve temas que o livro abordou. É simultaneamente um companion e um teaser :-)

Abraço e boas leituras,
Luis

Offline jnewton

  • Leitor Inveterado
  • ***
  • Mensagens: 217
    • Ver Perfil
David Soares - Foto e bio
« Responder #3 em: Outubro 13, 2008, 11:14:05 am »
Segundo o que está no site da SDE e são palavras do David Soares

 
Citar
Aventure-se pelo "companion" de Lisboa Triunfante, um romance de David Soares (à venda em Novembro)

Apresentação do companion pelo autor:

Este trabalho serve para apresentar os temas de Lisboa Triunfante. [...] Tentei não introduzir informações que contivessem elementos passíveis de prejudicar a leitura, mas tive a preocupação de escrever um texto que esclarecesse os leitores familiarizados com o livro. Penso que este companion passou a recruta com distinção: tanto pode ser lido por quem já conhece o romance, como por quem ainda o vai descobrir. Sem querer esfregar a cara dos leitores na mesma trincheira feita de referências históricas e literárias na qual estive quase a perder, senão a vida, o juízo nos últimos oito meses, não quis deixar de partilhar alguns dos ferimentos que vão marcar o meu corpo e a minha psique até eu morrer. Os calibres dos projécteis estão, claro, todos listados na bibliografia de Lisboa Triunfante.

Trata-se de um livro sobre muitos assuntos e a cidade que lhe dá o nome apresenta-se mais como o palco onde esses dramas são representados que como o tema principal, apesar de todos os capítulos aprofundarem diversos episódios da sua história. As personagens principais são dois arquétipos que permeiam a cultura ocidental: o Trapaceiro e o Tentador, aqui representados pelas figurações mais comuns de Raposa e Réptil. Fica a advertência que a informação contida nas páginas seguintes não circunscreve a totalidade das temáticas presentes no livro, sob o risco de desvendar pormenores importantes à leitura.

Este companion é, também, um diário de memórias. Passo mais tempo a viver nesta Lisboa Imaginária que na Lisboa que posso observar pela minha janela. Sendo assim, este não é apenas um mapa de um livro.

È um mapa de um lugar real.
(No mínimo, real na minha cabeça.)
É um mapa da imaginação.
(LIDO) - O senhor da guerra dos céus - M. Moorcock
(A LER) - Forças do mercado - R. Morgan

Offline RuiBaptista

  • Bibliófilo
  • ******
  • Mensagens: 2214
    • Ver Perfil
    • Bela Lugos is Dead
David Soares - Foto e bio
« Responder #4 em: Outubro 13, 2008, 12:27:06 pm »
Citar
Este trabalho serve para apresentar os temas de Lisboa Triunfante. [...] Tentei não introduzir informações que contivessem elementos passíveis de prejudicar a leitura


Uma leitura mais atenta e teria facilmente evitado este tipo de questões com respostas tão óbvias... E citando a CrisCor, "a semana passada foi caótica".

Offline CrisCor

  • Administrator
  • Rato de biblioteca
  • *****
  • Mensagens: 1040
    • Ver Perfil
David Soares - Foto e bio
« Responder #5 em: Outubro 13, 2008, 12:51:47 pm »
Citação de: "RuiBaptista"
E citando a CrisCor, "a semana passada foi caótica".

Obrigada pela solidariedade, Rui!

Offline Fiacha

  • Bibliófilo
  • ******
  • Mensagens: 15386
  • Corvo Negro
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #6 em: Novembro 26, 2010, 00:03:11 am »
Entrevista a David Soares no blogue Esmiuça o Livro

À Conversa com David Soares.

Quem é David Soares?
Sou um escritor de literatura fantástica, cujos romances meticulosos e complexos misturam horror, história e hermetismo. Também escrevo contos e sou autor de banda desenhada. Gosto de ler, aprender e de andar a pé para poder pensar sobre aquilo que li. Gosto de história, etimologia, ciência e ocultismo.

O que mais lhe agrada na escrita?
Cada indivíduo realiza-se numa determinada área profissional (ou artística, se tiver inclinações criativas) e eu realizo-me como escritor. Cresci cercado de livros, num ambiente familiar que valorizava a cultura, e sempre soube que o meu caminho tinha de ser feito nessa área. Quando era miúdo, as minhas prendas eram sempre livros (todos os dias recebia um livro novo) e aprendi a ler sozinho, antes de ir para a escola, num livro de banda desenhada: foi num almanaque especial do Pato Donald, com a história "Donald e as Formigas", escrita e desenhada pelo Carl Barks. Já nessa altura fazia os meus proto-álbuns de banda desenhada, com folhas soltas, inspiradas nas histórias da Disney. Acho que foi, também, a partir dessa altura que eu percebi que as histórias que eu criava tinham um padrão: eram um bocadinho negras, complicadas até. Cheguei sozinho ao lado mais negro das histórias e tenho de concluir que a minha voz autoral, voltada para ele, já me pertencia, no sentido em que, desde que me lembro, nunca tive vontade de contar outro tipo de histórias. Enquanto leitor, não tenho preconceitos nenhuns e leio quase todo o tipo de histórias, mas a narrativa realista, urbana, nunca me interessou enquanto autor. Não tenho nenhum desejo de contar histórias que se assemelhem àquilo que faço de manhã quando tomo o pequeno-almoço. A realidade só me interessa, se for uma base ou plataforma para alcançar o fantástico. Por conseguinte, aquilo que me agrada na escrita é que ela é um fenótipo em extensão de muita coisa que eu sou, mas que, sem o auxílio das palavras, nunca poderia materializar-se. O Richard Dawkins diz que as roupas que vestimos são o nosso fenótipo em extensão, ou em acréscimo, e eu acho que existem indivíduos para os quais as palavras cumprem uma função de extensão do ser. Existe uma negritude angustiante no olhar de quem tem coisas para contar e não tem oportunidade para isso, por isso considero-me um privilegiado por ter a capacidade de criar histórias diferentes, com grande facilidade, e também a felicidade de ter leitores que gostam muito delas. A imaginação é a coisa mais importante que eu tenho: nunca me deixou ficar mal e é graças a ela que cheguei onde estou. Devo-lhe tudo.

Até que ponto a sua experiência de vida influenciou a sua escrita?
Boa pergunta. Não sei como responder... As minhas histórias pouco têm de biográfico, se é que têm alguma coisa de biográfico... É certo que existem pontos de contacto entre a minha vida e as ficções que escrevo, isso é evidente, mas é um contacto muito tímido, muito ténue. Eu diria que a minha escrita é que influenciou a minha vida, porque todas as escolhas que tenho feito até agora foram feitas com a escrita em mente. Às vezes são escolhas muito difíceis, mas eu tenho a ideia de que a vida é feita para ser vivida e não para ser confortável. Concluo que todas as escolhas que fiz foram acertadas, porque ao olhar para trás só vejo coisas que me dão alegria.

Intitula-se com autor de literatura fantástica, fantasia negra e horror. Qual o género que se identifica mais e qual lhe dá mais prazer escrever?
O fantástico é apenas uma designação, mais ou menos consensual, para englobar um conjunto de géneros literários que partilham referências como, entre outras, a especulação, o deslumbre pelo maravilhoso e o inexistente. Contudo, longe de ser uma designação universalmente aceitável, consiste apenas numa denominação prática quando se quer aludir a um tipo específico de literatura. Ainda falta sistematizá-la com rigor, porque o universo da literatura dita fantástica é muito grande. Quando falo em fantasia negra, refiro-me somente a um modo de escrever no qual a ficção fantástica, embora não sendo de horror, contém muitos elementos de horror. Com efeito, acho que aquilo que sou é um autor de horror. Como já referi, as histórias que me interessam contar são um pouco mais negras que o habitual. Não me considero uma pessoa "negra", mas a minha voz autoral é. Às vezes, dou por mim a reflectir sobre situações que nada têm de negro e consigo vislumbrar com facilidade os pontos negativos, como se estivesse a desenhar um mapa. Acho que o horror e a ficção científica são dois géneros que falam muitíssimo bem sobre o que é ser-se humano e é por essa razão que várias vezes aparecem misturados. Contudo, o horror não quer reflectir sobre o futuro ou a tecnologia, mas sobre em que consiste o lado mais visceral - material - do ser humano. Como sou ateu, por exemplo, não consigo gostar de histórias de fantasmas e o modo como observo o horror inscreve-se numa perspectiva muito mais corpórea que sobrenatural, porque nas minhas histórias até o aparente sobrenatural tem origens mais ou menos materiais. Acho que aquilo que preside nas minhas histórias de horror mais extremas é a consciência de que o horror é o género da mudança: o encontro com o horrível é um gerador de diversidade e, muitas vezes, acabamos por nos transformar naquilo que não gostamos. Com efeito, a mente, que se julga ser tão cerebral, é feita pelo corpo inteiro. Se pudéssemos transplantar a nossa mente para outro corpo, passados uns dias ela seria outra, porque a sua percepção das coisas, através do corpo novo, seria distinta. Em suma: somos o que somos porque temos um único corpo que é só nosso. Se mudarmos o corpo, mudamos a mente. Acho que a grande premissa das minhas histórias de horror é mesmo a de que o corpo e a mente são muitíssimo maleáveis e que o risco de nos transformarmos numa coisa que não gostamos é muito grande. O horror é proteico, por excelência.

O seu novo livro "Luz miserável" acabou de ser editado. O que podemos esperar dele?
É um livro de contos de horror extremo, escrito com inteligência e erudição; embora o registo não seja tão complexo e ambicioso quanto o dos romances. São histórias mais simples que essas, de maior envergadura, mas isso não desvirtua o facto de que não vejo nenhuma razão para que o horror mais visceral não possa ser desafiante e nos ponha a pensar. É um horror para leitores maduros e exigentes, já que o cruzamento de horror e sexualidade é grande. Compõe-se de três contos: "A Sombra Sem Ninguém", que fala sobre um homem quase invisível e obsessão que orienta a sua vida; "A Luz Miserável", que conta a história de três veteranos de guerra amaldiçoados por um acto terrível que cometeram no passado; e "Rei Assobio", que é a história de vingança de um velhote mutilado, no corpo e na mente. Todas as histórias têm preocupações diferentes, mas o que as une é aquilo que já abordei na questão anterior. Acho que a figura trucidada do Rei Assobio, uma das minhas personagens preferidas, é a personificação perfeita dessa premissa.

Que novidades nos vai oferecer num futuro próximo?
Estou a escrever um novo romance, mais uma nova novela e ainda preparo um livro de ensaios sobre literatura fantástica, em especial sobre ficção de horror. Esses são os três grandes projectos que tenho, neste momento, em mãos. Também tenho imensas ideias para novos contos de horror, que tenciono colocar no papel durante os próximos meses. Se os trabalhos correrem com o ritmo previsto, para o ano também sairá um novo álbum de banda desenhada, escrito por mim e que está a ser desenhado por um novo artista.

Ao David um muito obrigado pela atenção e disponibilidade!

Para seguir no blogue Esmiuça o Livro.
 
http://www.esmiucaolivro.com/index.php/miconversascom/1647-a-conversa-com-da
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline Fernando Pinheiro

  • Sou um anjo-caído ou demónio se preferirem. Também sou o "sociopata" de Almada :D
  • Bibliófilo
  • ******
  • Mensagens: 2497
  • Um escritor ecléctico.
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #7 em: Maio 30, 2011, 15:12:53 pm »
O melhor autor de Portugal XD


Que a Vontade dele faça com que ele escreva sempre que queira.
Porque sem Vontade não somos nada.
Brevemente Diábolos, o Rapaz-Diabo.

Silent Hill 2 é o melhor videojogo de Fantástico.

Dentro de cada um de nós existe um animal prestes a ser despertado.

Salazarismo e Extrema-direita Sucks -.-'

Offline Riona

  • Leitor compulsivo
  • ****
  • Mensagens: 707
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #8 em: Outubro 17, 2011, 01:15:56 am »
Correndo o risco de ter respostas tão variadas que me vou arrepender de ter perguntado:
para quem quer começar a ler David Soares, que livro me recomendam?

Tanto gosto de contos como de romances (BD nem tanto  ;)), mas embora goste da temática de terror, gosto mais de ambientes mais subtis, mais românticos, sombrios sem serem demasiado explícitos, ou muito gráficos nas descrições.
Por exemplo, adorei O Terror, de Dan Simmons, mas não me consigo entusiasmar com a escrita de Stephen King. Adoro os contos mais "sugestivos" e subtis de Lovecraft, mas não gosto daqueles mais explícitos, de descrições do tipo "monstor verde a babar-se" e de intermináveis devaneios psicológicos.  :-\
Gosto de romance histórico, mas gosto sobretudo de personagens marcantes.
(Alguém percebe alguma coisa do que eu estou a escrever para aqui? ::))

Será que vou gostar de David Soares? E por onde começar?
A curiosidade é muita, mas o receio de não gostar também.  :D

Depois de ler os respectivos resumos, alguns livros pareceram-me deveras interessantes:
"A Conspiração dos Antepassados", o  "Batalha" e o " Lisboa  Triunfante"!
« Última modificação: Outubro 17, 2011, 04:40:14 am por Riona »

Offline rui278

  • Bibliófilo
  • ******
  • Mensagens: 4059
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #9 em: Outubro 17, 2011, 01:33:07 am »
O "Batalha" é muito bom, mas se queres horror não sei ate que ponto vais gostar porque este livro não tem quase nada disso. É sobre tudo uma fabula (talvez um pouco de nada negra, mas nada de especial). Tb li o "Evangelho do enforcado", mas este não gostei muito , demasiado horror, gore e necrofilia para o meu gosto...
http://curiouscharacteradventures.blogspot.com/

One Ring to rule them all, One Ring to find them,
One Ring to bring them all and in the darkness bind them

Offline Riona

  • Leitor compulsivo
  • ****
  • Mensagens: 707
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #10 em: Outubro 17, 2011, 01:47:42 am »
Obrigada, Rui!  :D
Gosto de terror, mas não só. Não procuro um livro exclusivamente "terrorífico"!
Gosto também de ficção histórica, de fantasia e de "coisas estranhas", por assim dizer. Fábulas e contos também me agradam, e realmente o Batalha pareceu-me interessante.
Percebo o que dizes em relação ao Evangelho do Enforcado, no fundo os teus gostos devem ir de encontro aos meus, ou seja, caindo no exagero, perde a piada.  ::)

Vamos a ver o que o resto dos fãs de david Soares diz por aqui.  :D

ubik

  • Visitante
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #11 em: Janeiro 06, 2012, 20:51:56 pm »
Confesso que fico amiúde estupefacto com algumas afirmações de alguns escritores e intelectuais da nossa praça.
O David Soares, que tem uma obra meritória( que admiro e já recomendei) no panorama literário português, e que me merece todo o respeito enquanto artesão do fantástico, deixa-me muitas vezes com a sensação de que se considera num patamar intelectual muito acima de qualquer dos restantes mortais, incluindo os seus próprios leitores.
Isto tudo a propósito de uma entrevista dada ao Blog Morrighan, que me deixa apreensivo sobre aqueles que escrevem ficção e sobre os "estranhos" caminhos que levam alguem a escrever ficção.Para reflexão:é honesto escrever ficção?Será sério ler ficção?

Não fosse suficiente, para quem "entra" no seu blog, assistir ao debitar de todo a sua "erudição" erudita, hermética e oculta(muitas vezes opaca), teima em afincadamente buscar toda a entrevista, toda a critica( a maior parte nem criticas são, mas autos de fé), toda a menção à sua Estimável e Unica obra( por mais espúria que seja,até podia acontecer na Casa dos Segredos! que no blog constaria), num exercicio narcisista e onanista de grande rigor "investigatório" e quase religioso, vem agora afirmar, nesta entrevista ao blog Morrighan, considerar,  a leitura de ficção como uma perda de tempo(citação).

Caro David Soares:tendo lido grande parte da sua ficção venho exigir me indemnize pelo tempo perdido.(O meu tempo, não o seu, embore me "solidarize" com todo aquele tempo que perdeu ao escrever toda a ficção que me fez perder o meu tempo ao lê-lo).

Espero pois que, e tal como "promete", a sua  futura  obra de não-ficção, seja uma verdadeira bomba( e é de admirar a sua capacidade de isenção e de distanciamento critico relativamente ao que produz, e no momento em que a produz!) e não redunde, essa sim, em mais uma perda de tempo.
Tal qual a sua ficção, como afirma!


Offline Riona

  • Leitor compulsivo
  • ****
  • Mensagens: 707
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #12 em: Janeiro 07, 2012, 04:08:43 am »
Percebo o teu ponto de vista, ubik, e também essa ideia de indignação me passou pela cabeça quando cheguei a essa frase. Mas se ele pessoalmente não tem tempo para ler ficção e perfere outros temas, temos de entender o contexto pessoal dele e, sobretudo, o contexto desse comentário.
Daí uma citação mais completa:

"A maioria das minhas leituras, sejam livros que precise de ler para poder escrever os meus romances ou livros que escolho para recreação pessoal, são de não-ficção. Cada vez mais observo a leitura de ficção como uma perda de tempo e eu tenho, com efeito, pouquíssimo tempo livre. Por conseguinte, prefiro ler sobre história, divulgação científica, filosofia, ensaios sobre os mais variados assuntos, que são pobres no que concerne ao valor literário dos seus textos, mas que são riquíssimos em todos os outros aspectos. Quanto à pouca ficção que ainda vou lendo, escolho-a criteriosamente e, mesmo assim, tenho imensa ficção ainda por ler."

Quanto à sensação "de que se considera num patamar intelectual muito acima de qualquer dos restantes mortais, incluindo os seus próprios leitores", embora ainda não tenha lido nenhum livro dele, além de um excerto do Batalha, e entrevistas, também tenho essa ideia.  Mas acho que esse é um traço comum a muitos criadores, sejam eles de que área forem, e alguns se calhar se não fossem assim não criavam o que criam. Também sempre tive essa opinião do Saramago e ele continua a ser um dos meus grandes favoritos.  :)

A entrevista a David Soares, na íntegra, aqui:

http://branmorrighan.blogspot.com/search/label/Entrevistas
« Última modificação: Janeiro 07, 2012, 04:27:55 am por Riona »

ubik

  • Visitante
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #13 em: Janeiro 09, 2012, 21:21:21 pm »
Riona,
Essa frase do David Soares tem o significado preciso ( na minha interpretação), daquilo que ele quis afirmar. Acho que o contexto até reforça aquilo que escrevi.

Podemos reduzir isto a um silogismo matemático:"eu( David Soares) acho que ler ficção é uma perda de tempo"( o que é bem diferente de "eu não leio ficção por falta de tempo"), logo "eu (David Soares) ando a perder tempo ao escrever as minhas ficções", implicando que os leitores( das ficções do David Soares) andam também eles a perder o seu tempo.
E isto não tem nada a ver com alguem preferir ler história, divulgação cientifica, ou o kama-sutra em braille.Cada qual é livre de ler o que quiser, quando quiser, e opinar como quiser.
Mas tem que se "responsabilizar" pelo que afirma.E mais ainda quando tem leitores, que o lêem, independentemente de esses seus leitores apreciarem muito mais qualquer não-ficção! :D ;)

E já agora recordo-te que, algures no tempo, por uma frase muito infeliz de um colega escritor, o David Soares não se fez rogado, tendo sido absolutamente rigoroso e "impiedoso" na análise dessa frase infeliz.

Offline Riona

  • Leitor compulsivo
  • ****
  • Mensagens: 707
    • Ver Perfil
Re: David Soares - Foto e bio
« Responder #14 em: Janeiro 10, 2012, 02:26:14 am »
Ok, temos então interpretações diferentes, o que acontece por inúmeras razões, uma delas porque pertencemos a contextos diferentes, pois desconheço o caso a que referes, e estava apenas a comentar este, portanto, fiquemos pro aqui, bale:D