Autor Tópico: Porque não em português?  (Lida 6657 vezes)

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Offline bigbadjohnny

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Porque não em português?
« em: Janeiro 21, 2010, 17:52:27 pm »
Não quero com isto desmotivar ninguem da compra da obra em português, e sinceramente, acho a tradução do Candeias absolutamente estupenda.

Sim, é verdade, acho mesmo.

No natal, ofereceram-me os primeiros 2 volumes da obra em português, já os devorei.
Eu até costumo ser apologista de ler a obra na lingua original (caso seja capaz, obviamente), pelo que há muito tempo não lia nenhuma obra de autor de lingua inglesa, traduzido para português, isto por más experiencias com traduções "baratas".

A verdade é que achei a tradução fabulosa, sinceramente, gostei mesmo muito, tanto que será a primeira vez que tenho pena de ir ler uma obra em inglês e de não continuar a ler em português.

Porquê...? Bem, o preço meus caros.

Infelizmente sou um tipo modesto de finanças, pelo que dar 17 ou 18 euros por cada livro destes, ainda para mais sabendo que são alguns 8 livros e que os lerei bastante depressa, custa bastante.

A colecção toda, 5 livros ao todo (porque o 3º tambem os ingleses o dividiram), em ingles, custa 35 euros.... simplesmente não há competição possível.

Tenho pena Jorge Candeias, és um tradutor que faz jus à obra.

Offline candeias

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Porque não em português?
« Responder #1 em: Janeiro 21, 2010, 18:35:12 pm »
Obrigado.

E percebo, a sério que percebo.

Mas também percebo que quanto mais pessoas pensarem assim, menores terão de ser as tiragens portuguesas (que já são bastante baixas), logo mais caro ficará produzir cada um dos exemplares, logo mais caro terá de ser o seu preço final.

E tenho pena. Muita pena mesmo. Não só, nem sequer principalmente, porque isso me afeta os rendimentos. Tenho pena porque assim são menos as pessoas que têm acesso às coisas, e menos as coisas que é possível traduzir e publicar por cá. E até os originais que é possível publicar. E isso é mau, muito mau.

Offline Fiacha

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Porque não em português?
« Responder #2 em: Janeiro 21, 2010, 19:36:47 pm »
Eu tambem percebo e penso que até já foi explicado várias vezes o porque da "politica" da SDE da divisão dos livros. Não que concorde mas percebo.

Mas há coisas que me fazem alguma confusão, a sério, como é possivel a revista sábado, por exemplo, publicarem livros ao custo de 1€ e livros que até não são assim tão velhos, Passaros Feridos, O Historiador, O Nome da Rosa, A Casa dos Espiritos, O Padrinho, entre muitos muitos outros e ver os livros tão caros no mercado.

Ai a minha cabecita, não entende estas coisas :roll:
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline oliveira8

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Porque não em português?
« Responder #3 em: Janeiro 21, 2010, 19:59:16 pm »
Existe uma razão Fiacha.(Ou muitas) Um acordo entre editora e revista, para vender mais exemplares.

Por exemplo, mesmo pessoas que não leiam a Sábado podem ver o livro e decidir comprar a revista só para o livro. Aumentando assim o numero de vendas da revista e possíveis compradores regulares da revista. Ao mesmo tempo a editora ganha algum cobre e livra-se de stock de livros que não venderam.

É um negocio simples e puro. Os livros via revista não custam tanto porque a revista já pagou por eles. De certa forma estás a pagar por livros em segunda mão.(Pelo menos acho que é assim que funciona.)

Offline candeias

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Porque não em português?
« Responder #4 em: Janeiro 21, 2010, 20:01:02 pm »
Citação de: "Fiacha"
Mas há coisas que me fazem alguma confusão, a sério, como é possivel a revista sábado, por exemplo, publicarem livros ao custo de 1€ e livros que até não são assim tão velhos, Passaros Feridos, O Historiador, O Nome da Rosa, A Casa dos Espiritos, O Padrinho, entre muitos muitos outros e ver os livros tão caros no mercado.


Os livros ultra-baratos que vêm com jornais e revistas chegam a esses preços graças a duas coisas.

Uma são tiragens monstruosas, muito superiores ao que é comum em Portugal. Há custos que são fixos, quer faças 100 exemplares, quer faças 100 mil: direitos, tradução, paginação, capa, etc. Logo, quanto maior a tiragem, menos desses custos são distribuídos por cada exemplar e mais barato sai cada livro. E essa não é a única fonte de menor preço em tiragens maiores.

Outra é o facto de isso se tratar de uma forma de marketing. A ideia é, não vender livros, mas angariar novos leitores para o jornal ou revista. Em vez de investir num billboard numa praça, algures, ou num anúncio para a TV, essas publicações investem subsidiando o preço dos livros de "brinde". Os livros dão prejuízo a bem de um lucro posterior em maiores vendas para a revista. Até podiam dar os livros, como há revistas que oferecem jogos de computador, bolas de praia ou cosméticos. Porque não é nos livros que pretendem ganhar dinheiro.

Offline bigbadjohnny

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Porque não em português?
« Responder #5 em: Janeiro 22, 2010, 12:21:24 pm »
Tendo em conta o preço dos artigos de entretenimento hoje em dia, não acho que seja caro por aí alem.

Ou seja

Se formos ver o custo de um filme em DVD, mesmo alugado, tendo em conta que nos irá proporcionar 2 horas de entretenimento, comparando com um livro que nos entretém um mês inteiro, até não acho muito caro (claro, isto é uma visão um bocado quadrada...).

O problema não é ser caro, o problema aqui é eu ser pobre e ter de comprar, regra geral, coisas aquém das ideais em todo o sentido: Gostava de ter um frigorífico melhor, uma televisão decente e um carro com menos de 10 anos.

Quem me dera que os 18€ por cada livro não me fizessem diferença, comprava-os já todos. Não podendo... Ainda bem que sei ler em inglês e pelo menos posso ler a obra a um preço que me é acessível.

Se a minha atitude não contribui para um futuro melhor da fantasia literária em Portugal... lamento, mas não estou cá para salvar a pátria.

Offline Fiacha

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Porque não em português?
« Responder #6 em: Janeiro 22, 2010, 12:27:20 pm »
Obrigado pela vossa explicação.

Queria dizer que estes livros podem ser comprados em separado e por isso não é obrigatório comprar a revista.

Para o efeito basta encomenda-los ou ir pessoalmente aos escritorios do correio da manha e poder adquri-los por esse simbolico preço (se bem que muitos quiosques tambem vendam o livro em separado da revista).

Dai que o objectivo de comprar a revista não ser atingido...mas quanto à sua divulgação / propaganda sim.

Acho os livros muito caros e custa-me um pouco saber que os livros foram divididos e tenhamos que pagar por um livro, não o preço de um mas sim de dois... :wink:
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline candeias

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Porque não em português?
« Responder #7 em: Janeiro 22, 2010, 17:27:29 pm »
Fiacha, os livros podem ser comprados em separado, mas não é esse o objetivo primordial. Todas essas coleções implicam a venda do livro com a revista ou o jornal logo quando sai, nos quiosques. Mais tarde, eles vendem em separado o que lhes resta em stock, para se verem livres do encalhe e ganharem mais uns trocos.

E os livros em Portugal são caros, não há a menor dúvida. O próprio papel é caro por cá. Não há comparação possível entre o preço do papel em Portugal e, por exemplo, no Brasil. Acabei, aliás, de ir fazer uma comparação do género. Uma resma de papel A4 de 75g (500 folhas) custa no Brasil o equivalente a cerca de 4€. Em Portugal? À volta de 11. Mais IVA.

E depois, temos um público leitor bizarro, que desdenha edições baratas. Se olhares para as prateleiras das livrarias quase só vês aquilo que nos mercados de língua inglesa se chama "trade paperback", que correspondem a livros de capa dura sem a capa dura. Nada de mass market paperbacks, que são as tais edições de meia dúzia de patacos, os nossos livros de bolso.

A verdade é que isto é um ciclo vicioso. Quanto mais gente houver a ler, maiores as tiragens, mais baratos poderão ficar os livros (e até, quem sabe, um dia, fazer edições caras seguidas por edições baratas, como se faz em certos países), mais se publica, mais gente haverá a ler, e assim sucessivamente. Ou, pelo contrário, quanto menos gente houver a ler, menores as tiragens, mais caros terão de ficar os livros, menos se publica, menos gente haverá a ler, etc.

Portugal neste momento está num equilíbrio precário entre estes dois ciclos, pendendo ligeiramente (e felizmente) para o primeiro. Se repararem bem, há anos que o preço dos livros não sobe, ao mesmo tempo que a quantidade e qualidade da edição vai lentamente aumentando. Mas, para que se consiga realmente baixar os preços, ainda falta que as editoras consigam voltar a ganhar dinheiro com edições de bolso. Não vejo outra maneira. E isso depende do público.

(Na verdade, até vejo outras maneiras: aumentando a eficiência de todo o processo. Mas isso são outros quinhentos. Quando 30% do preço de capa fica com a distribuição e 20% com a livraria há aqui uma enorme margem de manobra para reduzir preços. Ou haveria, se não fosse a lei do preço fixo. E quando as coisas dependem das leis já se sabe como é)

Offline bigbadjohnny

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Porque não em português?
« Responder #8 em: Janeiro 22, 2010, 17:56:31 pm »
Acho que, na prática, isto irá mudando de figura com a massificação de ebook readers nos próximos anos. Quando toda a gente tiver um ebook reader e, em vez de comprar livros em papel, comprar os pdfs, deixa de existir o lobby da distribuição e das livrarias como é hoje em dia.

Claro, aí surgirá a pirataria a contrabalançar...

Offline oliveira8

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Porque não em português?
« Responder #9 em: Janeiro 22, 2010, 18:22:14 pm »
Citação de: "bigbadjohnny"
Acho que, na prática, isto irá mudando de figura com a massificação de ebook readers nos próximos anos. Quando toda a gente tiver um ebook reader e, em vez de comprar livros em papel, comprar os pdfs, deixa de existir o lobby da distribuição e das livrarias como é hoje em dia.

Claro, aí surgirá a pirataria a contrabalançar...


Quando o Ebook entrar em fase popular(mas mesmo mainstream agora está praticamente monopolizado pela Amazon) e apanhar com a chapada da pirataria nunca mais pões a vista num ebook e/ou os preços serem iguais aos livros de papel ninguém à de tocar num ebook.

Vai falar com a industria discográfica que graças ao vinil, ainda não entrou em total estado de decadência.

Offline bigbadjohnny

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Porque não em português?
« Responder #10 em: Janeiro 22, 2010, 18:28:45 pm »
Citação de: "oliveira8"

Vai falar com a industria discográfica que graças ao vinil, ainda não entrou em total estado de decadência.


O problema da industria discográfica, é que o autor da obra fica com cerca de 5%, no máximo, do rendimento das vendas (eu sei que já trabalhei nessa área). Como as editoras / distribuidoras deixaram de ganhar os seus 95% com as vendas por causa da pirataria, agora a única coisa que vende é pimba e boys bands.

Curiosamente os autores, neste caso os músicos, não foram afectados pela pirataria, até foram beneficiados. Isto porque a sua verdadeira fonte de rendimento, os concertos, tem mais gente por causa da divulgação que a pirataria proporcionou do que tinha antes (daí vermos autores que se propõem a lançar álbuns de borla em mp3).

Agora, tens razão, porque dizes que o que entrou em declínio é a industria discográfica, e não referes a música em si.

Da mesma forma, na minha humilde opinião, penso que a industria livreira tambem entrará em declínio com o ebook em massa e respectiva pirataria, no entanto os autores terão mais gente do que nunca a ler as suas obras.

Offline oliveira8

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Porque não em português?
« Responder #11 em: Janeiro 22, 2010, 18:51:55 pm »
Citação de: "bigbadjohnny"


Agora, tens razão, porque dizes que o que entrou em declínio é a industria discográfica, e não referes a música em si.

Da mesma forma, na minha humilde opinião, penso que a industria livreira tambem entrará em declínio com o ebook em massa e respectiva pirataria, no entanto os autores terão mais gente do que nunca a ler as suas obras.


Yup estava só mesmo a falar da industria discografica. Quem se safa é mesmos os músicos. A chegada de coisas como o Myspace também afundaram editoras ainda mais. Pois a necessidade delas foi pelo cano a baixo quando a banda é capaz de se promover e vender a sua musica sem editoras.

E para a industria discográfica não há saída como o mundo de jogos de PC. Não me admirava nada se daqui a uns anos editoras começarem a desaparecer em massa, mesmo as gigantes.

Offline Dakkon

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Re: Porque não em português?
« Responder #12 em: Fevereiro 18, 2010, 12:52:11 pm »
Bem lembrei-me do candeias, onde anda esse autor com o infeliz trabalho de nos aguentar a gritar: Traduz mais depressa (exelente trabalho, nunca é de mais dizer de novo).

Ebook, não contem com isso para baixar o preço dos livros.. quanto ao preço dos lvros em portugal, que pena não ter cá estado para de novo falar em cosias estranhas que por aqui se passam..

O candeias conhece muito bem a industria e sabe sempre explicar pq que os livros tem que ser mais caros mas já vimos exemplos trazidos por muitos de nós em como os livros tem preços injustificáveis.. algo anda mal por cá, ou melhor algo anda muito bem para as editoras que lucram com isso, e sinceramente não acredito que as pessoas gostem de comprar os mais caros, eu gosto muito da sde precisamente pq mantém os livros a bom preço, quanto custaria um livro do martin noutra editora?
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Offline tangerina

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Re: Porque não em português?
« Responder #13 em: Fevereiro 19, 2010, 00:07:20 am »
O mesmo que custam os livros da saga do Primeiro Homem de Roma da Collen... Ou o mesmo que custam os classicos como O Conde de Monte Cristo. Arrotas 30€ por volume e é se queres.
Lido: Aristides de Sousa Mendes, Um Herói Português, José-Alain Fralon
A ler: 1808, Laurentino Gomes
         A Game of Thrones, G. R. R. Martin
        

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Offline Fiacha

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Re: Porque não em português?
« Responder #14 em: Fevereiro 19, 2010, 11:16:42 am »
O mesmo que custam os livros da saga do Primeiro Homem de Roma da Collen... Ou o mesmo que custam os classicos como O Conde de Monte Cristo. Arrotas 30€ por volume e é se queres.

Não é verdade, se comprares on-line os da Collen ficam a 17€ :P
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma