Autor Tópico: Windhaven  (Lida 8880 vezes)

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Offline Sonho Verde

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Re: Windhaven
« Responder #15 em: Agosto 21, 2013, 23:36:56 pm »
entao e o winds of winter? eu estava na vaguissima (e mui ingenua) esperança que fosse ainda este ano

Se for lá para o fim de 2014 (versão em inglês), acho que já teremos nós muita sorte  :P

Este é um cenário muitíssimo optimista, mas é difícil fazer previsões com a escassa informação acerca do progresso do livro de que dispomos (algo certamente propositado e, creio eu, sensato).

Offline Magnus

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Re: Windhaven
« Responder #16 em: Setembro 10, 2013, 14:20:07 pm »
Um perguntinha, classificaram este livro como "Literatura Fantástica" (por cima do código de barras) houve algum engano ou foi de propósito? É que este livro é de FC e já houve enganos, mas...
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Offline Sonho Verde

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Re: Windhaven
« Responder #17 em: Setembro 11, 2013, 12:47:46 pm »
Um perguntinha, classificaram este livro como "Literatura Fantástica" (por cima do código de barras) houve algum engano ou foi de propósito? É que este livro é de FC e já houve enganos, mas...

Se tivesse de apostar, diria que foi de propósito.

Offline Magnus

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Re: Windhaven
« Responder #18 em: Setembro 11, 2013, 14:13:05 pm »
Um perguntinha, classificaram este livro como "Literatura Fantástica" (por cima do código de barras) houve algum engano ou foi de propósito? É que este livro é de FC e já houve enganos, mas...

Se tivesse de apostar, diria que foi de propósito.

Já aconteceu, se a memoria não me falha foi com um livro do Richard Morgan, que foi classificado como literatura contemporânea e a SdE reconheceu que se tinha tratado de um engano.

Neste caso especifico estou contigo, também acredito que foi de propósito, mas não custa nada perguntar. Agora só falta saber a resposta.
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Offline candeias

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Re: Windhaven
« Responder #19 em: Setembro 16, 2013, 23:14:22 pm »
Anda por aí uma grande confusão sobre o que quer dizer "literatura fantástica". Há quem pense (e escreva) que é sinónimo de fantasia.

Não é. E nunca foi.

Literatura fantástica pode ser duas coisas, dependendo de se estar a falar com alguém versado na teoria da literatura ou não (incluindo neste último grupo também quem sabe umas coisas sobre a TdL mas acha útil usar o termo da segunda forma). Respetivamente:

1. Literatura que, segundo o filósofo franco-búlgaro que definiu o termo, Tzvetan Todorov, se passa no nosso mundo mas descreve acontecimentos que têm aparência de sobrenaturalidade. Muitas vezes pretendendo deixar no ar a dúvida sobre se se existe ali alguma magia, se não se tratará de algum erro de interpretação. Segundo esta definição, por exemplo, nenhuma da fantasia ambientada em mundos secundários pertence à literatura fantástica. Ou seja: Martin não é fantástico. Tolkien não é fantástico. Dragonlance não é fantástico. E etc., e etc. Coisas como A Criança Roubada sim, são fantásticas, bem como boa parte do horror. A FC, pelo contrário, não é.

2. Literatura que engloba todos os géneros do imaginário, não só o fantástico todoroviano mas também a fantasia, o horror, a FC, o maravilhoso, até parte do surrealismo, etc. Quem prefere usar esta definição, usa o termo como "chapéu" genérico de todos esses géneros, algo equivalente à ficção especulativa que outros preferem. Ou às literaturas do imaginário, que é a minha predileção pessoal. E nesta classificação, a FC faz parte integrante do fantástico.

Responde à dúvida?

Offline Magnus

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Re: Windhaven
« Responder #20 em: Setembro 16, 2013, 23:28:25 pm »
Responde sim senhor  :)

Obrigado pelo esclarecimento, vou tê-lo em consideração no futuro.
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Offline Sonho Verde

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Re: Windhaven
« Responder #21 em: Setembro 17, 2013, 00:13:08 am »
Anda por aí uma grande confusão sobre o que quer dizer "literatura fantástica". Há quem pense (e escreva) que é sinónimo de fantasia.

Não é. E nunca foi.

Literatura fantástica pode ser duas coisas, dependendo de se estar a falar com alguém versado na teoria da literatura ou não (incluindo neste último grupo também quem sabe umas coisas sobre a TdL mas acha útil usar o termo da segunda forma). Respetivamente:

1. Literatura que, segundo o filósofo franco-búlgaro que definiu o termo, Tzvetan Todorov, se passa no nosso mundo mas descreve acontecimentos que têm aparência de sobrenaturalidade. Muitas vezes pretendendo deixar no ar a dúvida sobre se se existe ali alguma magia, se não se tratará de algum erro de interpretação. Segundo esta definição, por exemplo, nenhuma da fantasia ambientada em mundos secundários pertence à literatura fantástica. Ou seja: Martin não é fantástico. Tolkien não é fantástico. Dragonlance não é fantástico. E etc., e etc. Coisas como A Criança Roubada sim, são fantásticas, bem como boa parte do horror. A FC, pelo contrário, não é.

2. Literatura que engloba todos os géneros do imaginário, não só o fantástico todoroviano mas também a fantasia, o horror, a FC, o maravilhoso, até parte do surrealismo, etc. Quem prefere usar esta definição, usa o termo como "chapéu" genérico de todos esses géneros, algo equivalente à ficção especulativa que outros preferem. Ou às literaturas do imaginário, que é a minha predileção pessoal. E nesta classificação, a FC faz parte integrante do fantástico.

Responde à dúvida?

A Ficção Científica pode estar englobada na literatura fantástica, mas se já designaram vários livros de Ficção Científica, bem podiam ter feito o mesmo com este. Literatura fantástica é a designação que a SdE costuma dar aos seus livros de fantasia épica. E é um termo bastante generalista. Um pouco como o termo post rock, que pode designar vários tipos de música tão diferentes que o próprio termo perde qualquer valor em termos de designação de género musical. A SdE pode por a mesma designação em todos os deus livros da Colecção Bang!, mas se o fizer, a designação torna-se algo redundante.

Offline Magnus

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Re: Windhaven
« Responder #22 em: Setembro 18, 2013, 14:52:46 pm »
A Ficção Científica pode estar englobada na literatura fantástica, mas se já designaram vários livros de Ficção Científica, bem podiam ter feito o mesmo com este. Literatura fantástica é a designação que a SdE costuma dar aos seus livros de fantasia épica. E é um termo bastante generalista. Um pouco como o termo post rock, que pode designar vários tipos de música tão diferentes que o próprio termo perde qualquer valor em termos de designação de género musical. A SdE pode por a mesma designação em todos os deus livros da Colecção Bang!, mas se o fizer, a designação torna-se algo redundante.

Obrigado Sonho Verde por trazeres a conversa ao local devido. Apesar de (muito) agradecer a explicação do Candeias o que está em causa é este "vogar ao sabor da maré" na maneira como classificam os livros.
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Offline Ammar Ibn Khairin

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Re: Windhaven
« Responder #23 em: Outubro 13, 2013, 22:54:20 pm »
Bem grande livro de FC, mais um KO que o Martin me deu, adorei o livro :)

http://leiturasdofiachaocorvonegro.blogspot.pt/2013/10/windhaven-george-martin-e-lisa-tuttle.html

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Re: Windhaven
« Responder #24 em: Outubro 14, 2013, 21:31:10 pm »
Bem grande livro de FC, mais um KO que o Martin me deu, adorei o livro :)

http://leiturasdofiachaocorvonegro.blogspot.pt/2013/10/windhaven-george-martin-e-lisa-tuttle.html

Um grande livro, sem duvida nenhuma, mas este KO não foi só do Martin a senhora Lisa Tuttle também deu "punhozinho"  ;D
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Offline Ammar Ibn Khairin

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Re: Windhaven
« Responder #25 em: Outubro 14, 2013, 22:00:05 pm »
Bem grande livro de FC, mais um KO que o Martin me deu, adorei o livro :)

http://leiturasdofiachaocorvonegro.blogspot.pt/2013/10/windhaven-george-martin-e-lisa-tuttle.html

Um grande livro, sem duvida nenhuma, mas este KO não foi só do Martin a senhora Lisa Tuttle também deu "punhozinho"  ;D

Sim sem duvida, isso é notório, mas temos lá Martin tambem, mas claro atualmente é bom ter lá o nome de Martin, vende ;)

Mas o importante é ser bom livro :D

Offline Magnus

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Re: Windhaven
« Responder #26 em: Janeiro 04, 2014, 22:37:38 pm »
Citação de: Maguns

Windhaven é uma incrível historia de Ficção Científica escrita a quatro mãos entre George R. R. Martin e Lisa Tuttle. A historia poderá, à primeira vista, parecer simples, mas a maneira como esta dupla a contou eleva-a. Uma das razões deve-se ao facto da história (quase) começar onde (quase) todas as outras terminam. Ainda o livro não chegou a um quarto e já Maris Amberly consegui realizar os seu sonho de se tornar uma Voadora. Quando isso aconteceu não pude de ficar surpreendido e dizer para mim "Já?! Então e agora?". Por norma os "heróis" tem de passar tormentas para conseguir atingir os seus objectivos, mas em compensação depois "vivem felizes para sempre", mas não é o caso neste livro. Maris consegue realizar o seu sonho, com algumas tormentas é certo, mas de modo ilusoriamente rápido. Ao conseguir tornar-se uma Voadora a sua luta apenas começou e ela vai ter de lutar (ferozmente) para conseguir não só conservar esse estatuto como também o estender a outros como ela. Este é para mim um dos factores que distingue este livro, ele acompanha esta e outras personagens pela sua vida fora. Este livro é mais que uma pedaço de historia do Planeta Windhaven, é a historia da vida de Maris Amberly, desde (quase) o seu inicio até ao seu fim. Vamos assistir, de um lugar privilegiado, às consequências de cada decisão de Maris e das repercussões que cada uma terá na sua vida, nas vidas dos que a rodeiam, mas acima de tudo na Historia de Windhaven.

Outro dos temas centrais deste livro é o colocar em causa as ideias preconcebidas, é fazer-nos pensar em todas aqueles dogmas que temos nas nossas vidas e sobre os quais nunca paramos para pensar. No caso deste livro Maris coloca em causa a passagem por hereditariedade, como se fosse um título nobiliárquico, das Asas dos Voadores, independentemente dos herdeiros as querem ou para isso terem as devidas capacidades. Isto, claro, irá provocar uma verdadeira revolução com tudo o que elas sempre trazem de bom e mau.
Outro ponto forte é a "construção do mundo" (mais conhecido pelo termo inglês Worldbuilding). Sem que nos seja "empurrado pela garganta a baixo" vamos conhecendo a história de Windhaven, o porque de haver os voadores, como lá foram parar os seres humanos. E tudo de uma que apenas nos dará vontade de saber mais.

Como não podia deixar de ser o nome que aparece em letras gordas em todo o lado é a galinha dos ovos de ouro da editora Saída de Emergência: George R. R. Martin, mas não se deixem enganar, porque embora não coloque em causa o seu enorme talento, muito pelo contrario, eu que já li tudo o que foi publicado por cá dele não deixei de reconhecer a enorme influencia que Lisa Tuttle teve no desenrolar e final da história. Se não fosse a Lisa Tuttle este seria com certeza um livro muito diferente e, sem duvida mais, pobre, bem pelo menos seria muito diferente. Para quem está familiarizado com a escrita do Martin certamente que notará que a habitual "brutalidade" que o caracteriza está lá, mas de um moda mais ameno, sem que com isso se perca o realismo. Está presente a intriga, mas com outros contornos, aqui, mais do que a intriga pela intriga, temos as Ideias e os Valores em constante combate.

Publicada originalmente em 1981, mais de trinta anos depois chega finalmente aos leitores Portugueses. Quem espera encontrar "mais do mesmo" do Senhor Martin vais sair desiludido, mas se libertar desse "preconceito" tenho a certeza que vais gostar do que irá ler. É um livro que vende (?) porque tem lá o nome George R. R. Martin e para que não restem duvidas de quem se fala, se ainda as houvessem, está a frase na capa "Do mesmo autor de A Guerra dos Tronos". Digo isto porque este é um bom livro, mas que só terá a atenção de muitos leitores por isso, se tivesse apenas o nome de Lisa Tuttle na capa o mais certo era passar ao lado de uma boa parte de nós o que é um pena. Também nós temos de fazer como Maris e questionar os dogmas que nos acorrentam, primeiro em frente ao espelho e depois com outros para assim nos libertarmos deles.



http://osenhorluvas.blogspot.pt/2014/01/opiniao-windhaven-de-george-r-r-martin.html
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Offline toze

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Re: Windhaven
« Responder #27 em: Janeiro 05, 2014, 01:11:39 am »
Ainda vou a meio do livro e é cada vez mais um sacrifício que faço cada vez que volto a pegar nele, não querendo estragar a festa, este é sem dúvida o pior livro do Martin e talvez o pior de entre todos os livros da colecção bang que já li. Pode ser que a coisa melhore mais para a frente mas até agora está a ser um livro super aborrecido, as personagens são poucas e quase que não desenvolvem, o assunto é sempre o mesmo, até fico com a ideia que se trata de um livro sobre politica disfarçado de fantasia.

Offline Magnus

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Re: Windhaven
« Responder #28 em: Janeiro 05, 2014, 11:57:44 am »
Também já me aconteceu ter de parar a leitura de alguns livros a "meio" porque não estava a gostar e quando anos depois lhes voltei a pegar ter adorado, ficando a pergunta no ar "porquê que não o apreciei da primeira vez?". Não vou dar respostas, cada um terá de as procurar por sei e em si.

Quanto a este livro Toze só te posso aconselhar a que o largues, insistir só irá fazer com que gostes ainda menos dele. Coloca-o na estante e deixa-o estar. Quando voltares a sentir novamente a curiosidade então sim pega-lhe outra vez e volta a tentar. Já terás outras feito outras leituras e teras passado por outras experiências que te darão uma novas perspectivas sobre este e sobre outros livros e quem sabe se nessa altura não irás aprecia-lo.

Dou-te este conselho por experiência própria. Ainda agora ando a ler um livro que já tenho à quase 10 anos por estas mesmas razões.


Nota final para duas ou três "coisas": este livro não foi só escrito pelo Martin (é pá dêem crédito à Lisa Tuttle por favor), E alguns dos melhores livros de Fantasia e Ficção Científica são sobre politica ou pelo menos sobre o combate de ideias politicas.
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Offline Riona

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Re: Windhaven
« Responder #29 em: Fevereiro 05, 2014, 19:04:42 pm »
Adorei este livro!

Confesso que ia um bocado de "pé atrás", porque estou farta do Martin. Depois das Crónicas intermináveis e dois livros de contos (em que tanto adoro um como acho o seguinte intragável...) bem, queria era ver o Martin longe. Muito longe.  :P

No entanto, o ter a "mão" da Lisa Tuttle era um sinal de que este livro talvez fosse algo de diferente, e as boas críticas aqui no fórum e nos blogs, convenceram-me. No meu  caso, ainda bem que tinha o nome da Lisa Tuttle na capa!  8)

E adorei o livro, porque tem tudo para me agradar: personagens que ganham a minha empatia desde o início, o modo como a protagonista "cresce" ao longo da sua vida, o modo como a história tem três partes que focam batalhas aparentemente distintas, mas todas elas interligadas. E, sobretudo, num mundo tão diferente do nosso, vemos sonhos, sofrimentos, lutas, inspirações, preconceitos e medos iguais aos nossos.

Não é, ainda assim, um livro que me vá perdurar muito tempo na memória, nem tem personagens de tal maneira marcantes que me vá recordar delas de vez em quando. Nesse aspecto, achei o Sonho Febril muito mais marcante. Mas é um livro que vale mesmo a pena!  :D

« Última modificação: Fevereiro 05, 2014, 19:09:50 pm por Riona »