Autor Tópico: Questões que queiras colocar ao tradutor  (Lida 11193 vezes)

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Offline Dakkon

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #15 em: Junho 22, 2009, 22:21:36 pm »
era mias ou menos isso que queria dizer sim.. não conheces nada então do genero de fantasia epica medieval (tanto ocidental como oriental) que recomendes?


ps: hmm a capa de sally, bem e uma capa simples daquelas que acho que não da nem para detestar nem para amar, por isso achoqe ate e uma boa capa e o queconta foi a surpresa que encontramos la dentro.. quem diria que a sally..
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Offline candeias

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #16 em: Junho 22, 2009, 23:38:35 pm »
Citação de: "Dakkon"
era mias ou menos isso que queria dizer sim.. não conheces nada então do genero de fantasia epica medieval (tanto ocidental como oriental) que recomendes?


Não conheço nenhum outro Martin, não. Mas não conheço tudo, longe disso. Nuna li, por exemplo, nenhuma fantasia épica que não fosse ocidental, baseada na época medieval europeia e nos nossos romances de cavalaria.

(Sei que há fantasia baseada noutras culturas, como a série dos Otori, por exemplo, mas não faço ideia de quão épica será. A pouca que li não é nada.)

Mas gostei, por exemplo, daquilo que li da série Terramar, da Ursula K. LeGuin, e dum outro livro de fantasia dela chamado Tembreabrezi, O Lugar do Início; não me parece é que nem uma coisa nem a outra seja fantasia épica. Assim de repente, lembro-me também de duas obras de fantasia não-épica de que gostei bastante, de dois autores lusófonos: A Máquina Voadora, do Bráulio Tavares, brasileiro, uma fantasia passada no sul da Península Ibérica do tempo dos árabes, e Pedra de Lúcifer, de Daniel Tércio, um misto de fantasia e história alternativa passada numa Europa alternativa, muito pouco povoada e dominada por uma tal "religião das relíquias", uma espécie de cristianismo reduzido à adoração de relíquias. Este último romance podia ser excelente se não fosse estragado por um fim que me pareceu muito mal conseguido, mas 80-90% do livro é óptimo.

E, enfim, aquilo que estou a traduzir agora é fantasia épica. Confesso que não gostei do primeiro volume, mas já gostei mais um pouco do segundo, e do terceiro mais um pouco do que do segundo (edições portuguesas). Ainda não li o último original, mas se a tendência prosseguir, provavelmente acabarei por gostar bastante.

Offline Fiacha

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #17 em: Junho 23, 2009, 12:44:31 pm »
Candeias,

Como vez a inclusão de elementos fantasticos na saga (personagens com a visão verde, o corvo, o desenvolvimento de Danny e os seus Dragões, Melisandre, a nova Cat, entre outros).

Entendes que vem enriqueçer a história ou por outro lado vem estragar um, pouco o realismo do enredo ?

Consideras algum dos elementos mencionados dispensável, por exemplo Melisandre e tudo o que ela representa ?

Se estiver a abusar avisa :D
Livro a ler: O Cavalo de Outubro de Collen McCuloough 6º volume da saga 1º Homem de Roma

Offline candeias

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #18 em: Junho 23, 2009, 21:20:36 pm »
Citação de: "Fiacha"
Como vez a inclusão de elementos fantasticos na saga (personagens com a visão verde, o corvo, o desenvolvimento de Danny e os seus Dragões, Melisandre, a nova Cat, entre outros).

Entendes que vem enriqueçer a história ou por outro lado vem estragar um, pouco o realismo do enredo ?


Nem uma coisa nem outra. Parece-me evidente que se a ideia é escrever uma saga de fantasia, a inclusão de elementos fantásticos é inevitável. Não é suposto que a fantasia seja realista, é suposto que tenha... bem... fantasia. Na verdade, de todas as críticas que tenho visto serem feitas a esta série, aquela que mais dificuldade tenho em entender é a que aponta para os elementos fantásticos e fala de falta de realismo. Estavam à espera de quê, numa obra de fantasia?

E digo mais: se há alguma coisa que eu critique ao Martin (e à fantasia épica em geral) é basear demasiado as suas culturas e tecnologias em exemplos conhecidos do mundo real, e principalmente na Inglaterra. Com tantas culturas só neste nosso pequeno mundo por onde escolher, toda esta britishness parece-me revelar uma certa falta de imaginação.

Citação de: "Fiacha"
Consideras algum dos elementos mencionados dispensável, por exemplo Melisandre e tudo o que ela representa ?


Todos são dispensáveis, e todos são indispensáveis. Pelo menos até ver, nenhum dos elementos fantásticos que Martin emprega parece ser gratuito, e, aparentemente, todos têm o seu lugar na história que ele está a contar, o que os torna indispensáveis. Mas todos eles são também dispensáveis, visto que Martin poderia ter escrito uma história sem eles. Seria outra histíoria, claro, não esta. ;)

Offline Fiacha

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #19 em: Junho 24, 2009, 11:22:28 am »
Citação de: "candeias"

E digo mais: se há alguma coisa que eu critique ao Martin (e à fantasia épica em geral) é basear demasiado as suas culturas e tecnologias em exemplos conhecidos do mundo real, e principalmente na Inglaterra. Com tantas culturas só neste nosso pequeno mundo por onde escolher, toda esta britishness parece-me revelar uma certa falta de imaginação.


Pessoalmente nem reparo muito nessa questão, mas olhando por exemplo os extremos de Westeros, a Norte temos gelo (frio) e a Sul temos Dorne, os desertos (quente), isto sem contar com o que está fora de Westeros, como Bravos que não tem nada a ver com a critica que fazes.

Faz-me muito mais confusão a introdução de muitos nomes quer de personagens quer de casas e locais, que acaba por me baralhar um pouco e muitas vezes quebrar o ritmo da leitura ao ter que ir aos mapas e apendices auxiliares.

Quem te parece que possa ser o portador de Lumifera ? Alguem que já entrou em cena ou alguma surpresa que Martin tem preparada mais para a frente ?

Achas Tyrion uma boa hipotese para ser um dos cavaleiros dos Dragões de Danny ?
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Offline Dakkon

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #20 em: Junho 24, 2009, 20:44:13 pm »
FAntasia nem sempre exige elementos tão fatásticos ;)


Um mundo criado por martin em que não entrassem dragões continuava a ser fantasia, pelas culturas, custumes e conflitos que ele criava..

mas uma fantasia mais "a preto e branco" como um romance histórico alternativo
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Offline candeias

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« Responder #21 em: Junho 24, 2009, 21:15:07 pm »
Citação de: "Fiacha"
Citação de: "candeias"

E digo mais: se há alguma coisa que eu critique ao Martin (e à fantasia épica em geral) é basear demasiado as suas culturas e tecnologias em exemplos conhecidos do mundo real, e principalmente na Inglaterra. Com tantas culturas só neste nosso pequeno mundo por onde escolher, toda esta britishness parece-me revelar uma certa falta de imaginação.


Pessoalmente nem reparo muito nessa questão, mas olhando por exemplo os extremos de Westeros, a Norte temos gelo (frio) e a Sul temos Dorne, os desertos (quente), isto sem contar com o que está fora de Westeros, como Bravos que não tem nada a ver com a critica que fazes.


Refiro-me às culturas e modos de organização social, Fiacha, não à geografia. Winterfell, com excepção das Ilhas de Ferro e de Dorne, é completamente britânico, e mesmo as Ilhas de Ferro são baseadas nos mormandos, que estão muito próximos sob vários aspectos da Inglaterra (a cultura inglesa tem origem numa mistura de ingredientes dos povos que dominaram as ilhas ao longo dos séculos: celtas, romanos, anglos, saxões e normandos). Se somares tudo o que se desenrola fora do sector "britânico" daquele mundo, não ficas com mais de 10-20% da saga.

Citação de: "Fiacha"
Quem te parece que possa ser o portador de Lumifera ? Alguem que já entrou em cena ou alguma surpresa que Martin tem preparada mais para a frente ?


Não faço ideia. Nem sei se tal coisa existe mesmo: pode não passar duma lenda sem substanciação na prática.

Citação de: "Fiacha"
Achas Tyrion uma boa hipotese para ser um dos cavaleiros dos Dragões de Danny ?


Talvez. Se conseguir abrir as pernas o suficiente para montar um dragão, claro... :lol:

Offline candeias

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« Responder #22 em: Junho 24, 2009, 21:19:20 pm »
Citação de: "Dakkon"
FAntasia nem sempre exige elementos tão fatásticos ;)


Um mundo criado por martin em que não entrassem dragões continuava a ser fantasia, pelas culturas, custumes e conflitos que ele criava..

mas uma fantasia mais "a preto e branco" como um romance histórico alternativo


Sim, mas.

É verdade que se o Martin tivesse criado o mundo e posto nele um ambiente inteiramente realista, continuava na mesma a ser fantasia porque o próprio mundo é fantástico. Mas aí levantava-se a tal questão: para quê criar o mundo? Por que não simplesmente criar um grande épico histórico no nosso mundo, já que as sociedades que ele usa são baseadas tão de perto nas nossas sociedades históricas?

Offline oliveira8

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« Responder #23 em: Junho 24, 2009, 21:31:30 pm »
Citação de: "candeias"
Citação de: "Dakkon"
FAntasia nem sempre exige elementos tão fatásticos ;)


Um mundo criado por martin em que não entrassem dragões continuava a ser fantasia, pelas culturas, custumes e conflitos que ele criava..

mas uma fantasia mais "a preto e branco" como um romance histórico alternativo


Sim, mas.

É verdade que se o Martin tivesse criado o mundo e posto nele um ambiente inteiramente realista, continuava na mesma a ser fantasia porque o próprio mundo é fantástico. Mas aí levantava-se a tal questão: para quê criar o mundo? Por que não simplesmente criar um grande épico histórico no nosso mundo, já que as sociedades que ele usa são baseadas tão de perto nas nossas sociedades históricas?


Provavelmente é mais fácil vender sobre o nome de fantasia, do que Romance Histórico.

Offline candeias

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« Responder #24 em: Junho 24, 2009, 21:50:20 pm »
Citação de: "oliveira8"
Provavelmente é mais fácil vender sobre o nome de fantasia, do que Romance Histórico.


Olhando para a proporção duma coisa ou de outra que aparece nos tops de vendas, não me parece.

Offline oliveira8

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« Responder #25 em: Junho 24, 2009, 22:03:42 pm »
Citação de: "candeias"
Citação de: "oliveira8"
Provavelmente é mais fácil vender sobre o nome de fantasia, do que Romance Histórico.


Olhando para a proporção duma coisa ou de outra que aparece nos tops de vendas, não me parece.


Olhando para o Top 5 da Bertrand e da Fnac duvido isso...

Offline candeias

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« Responder #26 em: Junho 24, 2009, 22:27:44 pm »
Citação de: "oliveira8"
Citação de: "candeias"
Citação de: "oliveira8"
Provavelmente é mais fácil vender sobre o nome de fantasia, do que Romance Histórico.


Olhando para a proporção duma coisa ou de outra que aparece nos tops de vendas, não me parece.


Olhando para o Top 5 da Bertrand e da Fnac duvido isso...


O fenómeno Meyer, como todos os fenómenos, não conta. É aquilo a que em linguagem estatística se chama "outlyer": um ponto extraordinário que não caracteriza uma distribuição. O que conta é o que aparece consistentemente nos tops, com suficiente variedade de autores para poder falar-se realmente no sucesso de um género globalmente considerado e não apenas de um autor que caiu no goto do público.

E pensar estritamente nos topos deste momento também é muito má ideia: O Martin começou a escrever esta série em 1994 ou 1995 (o primeiro livro saiu em 1996), bem antes do fenómeno Harry Potter (1997) e dos filmes do Senhor dos Anéis (2001). E eu garanto que nessa época as vendas de fantasia eram insignificantes quando comparadas com as de romance histórico.

Offline oliveira8

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« Responder #27 em: Junho 24, 2009, 23:05:55 pm »
Citação de: "candeias"
Citação de: "oliveira8"
Citação de: "candeias"
Citação de: "oliveira8"
Provavelmente é mais fácil vender sobre o nome de fantasia, do que Romance Histórico.


Olhando para a proporção duma coisa ou de outra que aparece nos tops de vendas, não me parece.


Olhando para o Top 5 da Bertrand e da Fnac duvido isso...


O fenómeno Meyer, como todos os fenómenos, não conta. É aquilo a que em linguagem estatística se chama "outlyer": um ponto extraordinário que não caracteriza uma distribuição. O que conta é o que aparece consistentemente nos tops, com suficiente variedade de autores para poder falar-se realmente no sucesso de um género globalmente considerado e não apenas de um autor que caiu no goto do público.

E pensar estritamente nos topos deste momento também é muito má ideia: O Martin começou a escrever esta série em 1994 ou 1995 (o primeiro livro saiu em 1996), bem antes do fenómeno Harry Potter (1997) e dos filmes do Senhor dos Anéis (2001). E eu garanto que nessa época as vendas de fantasia eram insignificantes quando comparadas com as de romance histórico.


Prova. Só digo isto. :P

Offline Ser Land

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« Responder #28 em: Junho 24, 2009, 23:19:50 pm »
Citação de: "oliveira8"
Citação de: "candeias"
Citação de: "Dakkon"
FAntasia nem sempre exige elementos tão fatásticos ;)


Um mundo criado por martin em que não entrassem dragões continuava a ser fantasia, pelas culturas, custumes e conflitos que ele criava..

mas uma fantasia mais "a preto e branco" como um romance histórico alternativo


Sim, mas.

É verdade que se o Martin tivesse criado o mundo e posto nele um ambiente inteiramente realista, continuava na mesma a ser fantasia porque o próprio mundo é fantástico. Mas aí levantava-se a tal questão: para quê criar o mundo? Por que não simplesmente criar um grande épico histórico no nosso mundo, já que as sociedades que ele usa são baseadas tão de perto nas nossas sociedades históricas?


Provavelmente é mais fácil vender sobre o nome de fantasia, do que Romance Histórico.



Duvido muito.
A reler:
           
             "The Fires of Heaven" de Robert Jordan

Offline Safaa_Dib

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Questões que queiras colocar ao tradutor
« Responder #29 em: Junho 24, 2009, 23:57:28 pm »
Actualmente é mais fácil vender livros de fantasia, claro. Desde a febre dos filmes dos Senhor dos Anéis que isto assim é. E antes disso só vendia para talvez uns 4 ou 5 gatos pingados em Portugal. Na década de 90 quem é que via estantes inteiras só de fantasia ou ficção científica? No way! Estavam na última prateleira da livraria ou então dispersos por toda a loja, ou esgotados há séculos, sem jamais ser pensada uma reedição.

Porque acham que as comunidades de jogadores de D&D que existiam então só lia em inglês? Em Portugal, houve pouquíssimas apostas de fantasia ganhas. Que eu me recorde, apenas Dragonlance, Stephen Lawhead e Marion Zimmer Bradley é que conseguiram cativar algum público em Portugal nos anos 80 e 90 (isto quando não deixaram as séries a meio). Ah, e havia Tolkien claro, que só era conhecido para quem já estava familiarizado com o género, mas garanto-vos que não era nenhum fenómeno de vendas.

Mas agora... agora as coisas mudaram IMENSO. Lê-se muito mais fantástico em Portugal, há um muito maior interesse. O facto de ainda estar na moda só impulsiona mais as vendas. O cinema fantástico tornou-se uma mina de ouro para Hollywood nesta década.
Em suma, a coisa deixou de ser um exclusivo de um certo fandom elitista e de gostos mais exigentes. Os leitores arriscam mais hoje em dia, e até a própria literatura mainstream está toda agora contaminada de elementos fantásticos/mágicos/surreais/de horror.

E eu estou cada vez mais convencida pela minha experiência de que se está a tornar mais fácil vender sob o rótulo fantástico do que o do romance histórico (que já atingiu o ponto de saturação em Portugal).
Kill the boy, Jon Snow.  Winter is almost upon us.  Kill the boy and let the man be born. - A Dance with Dragons